19.10.2010 | 03h00
Avistar o boto cor-de-rosa ou boto vermelho, como é conhecido no norte do Brasil é um privilégio dos que vivem ou visitam a região do Médio Araguaia entre Mato Grosso e Goiás. O boto (Inia geoffrensis) é uma espécie de golfinho de rio endêmico de águas continentais da América do Sul. A extensão de ocorrência abrange lagos e rios da bacia Amazônica (Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia), da bacia do Orinoco (Venezuela) e da bacia Araguaia-Tocantins (Brasil).
Estudos mais recentes a respeito do boto foram realizados pelas pesquisadoras do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Claryana Costa Araújo e Vera da Silva, do Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior. A área de estudo compreende a região do médio rio Araguaia, entre o município de Aragarças e a ponta sul da Ilha do Bananal, após o município de Luis Alves, em Goiás, num trecho de aproximadamente 530 km.
O boto cor-de-rosa explora o igapó, habitat de floresta alagada que surge na época de cheia dos rios. Na época de vazante e seca, se concentra nos canais principais dos rios. Ao analisar a distribuição e estimativas populacionais do boto no Médio Araguaia, Claryana explica que as mudanças sazonais do nível da água são as maiores influências para a distribuição e ocorrência dos botos ao longo do ano. Eles se alimentam basicamente de peixes, mas sua dieta pode, eventualmente, incluir pequenos quelônios (tartarugas). Ao contrário do que já foi publicado por não especialistas, os botos não comem 30 kg de peixes por dia. Em geral, eles consomem 3% de seu peso corporal, em torno de 140 quilos.
"Na região amazônica, até algum tempo, existia muito misticismo envolvendo o boto. Ribeirinhos acreditam que esse animal se transformava em um belo rapaz para conquistar e engravidar as moças. São lendas, que por muito tempo, de certa forma, contribuíram para a proteção da espécie. Mas hoje, com a perda dessas referências e crenças, os botos passaram a ser mortos intencionalmente", relata.
O boto tem sido morto por pescadores para ser usado como isca na pesca da piracatinga (um peixe necrófago) e muitas vezes são considerados prejudiciais à pesca.
Claryana explica que os botos pertencem ao mesmo grupo dos golfinhos marinhos (Cetáceos), mas são de famílias diferentes. Os botos possuem vértebras cervicais não fusionadas o que lhes confere maior flexibilidade. O golfinhos marinhos têm o corpo mais rígido e atingem maiores velocidades. Existem várias outras diferenças quanto ao tipo de vocalização, características do sistema reprodutivo, comportamento padrão de superfície.
Os botos possuem uma grande variação de sua coloração corporal. Todos os recém-nascidos e jovens são de coloração cinza, os adultos mais rosados devido a despigmentação da superfície do corpo causada por abrasão e cicatrizes.
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