11.04.2004 | 03h00
O período do desenvolvimento humano denominado adolescência é utilizado para designar a etapa de transição entre a vida infantil e a adulta. Até o final do século 19 a adolescência não era reconhecida socialmente pelos adultos como uma etapa do ciclo vital. Antes desta época, entendia-se que o indivíduo passava diretamente da infância à idade adulta. Somente no século 20 a adolescência passa a ser considerada uma etapa da vida.
É nesta fase que a pessoa é marcada por mudanças que farão parte de sua nova personalidade, diferente da personalidade da infância. Este período não limita-se somente à determinação biológica, mas recebe também influências das condições econômicas, sociais e culturais.
O jovem proveniente de um segmento populacional de baixa renda desenvolve atividades remuneradas desde cedo para compor o orçamento da família. Devido às responsabilidades que assume, apesar da pouca idade, ele desempenha muito cedo o papel social de adulto. A experiência de responsabilidades e obrigações cotidianas pode provocar um certo amadurecimento precoce.
A jovem Fabíula Aparecida Bento, 24, começou a trabalhar com 19 anos para pagar seu curso de processamento de dados em uma faculdade particular. Algum tempo depois seus pais se separaram e sua mãe passou a sustentar a casa sozinha com a lanchonete que tinham.
"Meu pai nunca ajudou em nada", conta ela. Devido ao estudo e ao trabalho, Fabíula chegava em casa à noite e não podia ajudar na lanchonete. Por ser muito perigoso para sua mãe, ter que trabalhar até tarde da noite, eles resolveram fechar o comércio que tinham. A partir de então Fabíula começou a sustentar a mãe e o irmão mais novo. Em 2001 ela foi aprovada em jornalismo na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e hoje sua rotina é bem apertada. Ela já mudou de emprego três vezes, sempre por causa de um salário melhor.
"Eu pedia para sair do emprego, porque eu não posso ganhar pouco. Eu banco a casa", diz. "Minha rotina é bem corrida", afirma. Somente de segunda a quarta é que ela tem um tempinho para estudar, pois entra no serviço às 16 horas. De quinta à sexta ela começa às 14 horas e no sábado às 13. Todos os dias ela trabalha até às 22 horas, sendo que estuda de manhã. "É um sufoco, às vezes não dá nem para comer", reclama.
Para conseguir estudar a garota fica acordada geralmente até às 2 horas da manhã, e às 6 horas levanta para ir à faculdade. "Meu lazer vai para o espaço", conta. No futuro ela tem vontade de fazer um concurso público e se estabilizar, mas não sabe como vai conseguir fazer isso. "Eu preciso fazer estágio na minha área também, mas não posso ganhar um salário baixo como o dos estágios", lamenta. Fabíula admite que amadureceu antes do tempo. "Eu abri mão de muita coisa pela minha família. Enquanto via as minhas amigas saindo e se divertindo, eu já sabia que não podia fazer isso. O dinheiro que ganho é destinado a eles. Isso me fez uma pessoa mais controlada. Um real já faz diferença para mim", conclui.
Eder Galdino, 21, é o contrário de Fabíula. Ele diz que apesar do amadurecimento dos jovens estar acontecendo mais cedo, esse não foi o seu caso. "Eu amadureci bem depois das outras pessoas. Sempre tive tudo na mão, sem necessidade de me preocupar."
Alguns jovens conseguem exercer plenamente a sua adolescência até alcançar a vida adulta. Para outros porém, a condição social de vida não permite que usufruam de todas as etapas desta fase, porque a luta pela sobrevivência os torna "velhos" antes do tempo.
É importante lembrar que este amadurecimento precoce não se dá necessariamente pelo fato dos jovens estarem inseridos em camadas menos favorecidas economicamente. Mas também por causa das experiências diferentes de vida.
Como no caso de Ana Paula Rockenbarch Pereira, 19. Ela se casou em setembro do ano passado, depois de seis meses de namoro e está super feliz. Ana Paula engravidou quatro meses depois do casamento, hoje está com três meses de gravidez. Ela já se sente responsável para ter um filho, vai até esperar mais um ano para prestar vestibular. "Quero cuidar do meu filhinho. Só tenho 19 anos ainda", diz sorrindo.
Ela e o marido Juliano Pereira Rockenbarch, 21, têm um comércio próprio, uma locadora de vídeo em Várzea Grande. E além disso, eles moram em uma casinha só deles. Fizeram tudo com algumas economias e com a venda do carro de Juliano. Ana Paula é uma pessoa confiante, não tem medo de fazer as coisas. "O único problema de casar cedo é que todo mundo começa a criticar", reclama. Quando fala sobre amadurecimento, ela admite que não é completamente adulta. "Ainda sou criançona. Não deu para amadurecer muito, só deu para criar mais responsabilidade", conta, sempre sorrindo.
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