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04.10.2009 | 03h00

Canudos, a guerra

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Foi em 5 de outubro de 1897 que terminou a Guerra de Canudos. Há 112 anos o confronto entre o Exército da República e um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Vicente Mendes Maciel (1855-1897), conhecido como Antônio Conselheiro, na então vila de Canudos, no sertão da Bahia chegava ao fim, com um cenário revoltante.

Figura carismática, Antônio Conselheiro adquiriu uma dimensão messiânica, atraindo para o vilarejo milhares de sertanejos, entre escravos e camponeses unidos na crença de uma salvação que pouparia os habitantes do sertão dos flagelos, do clima e da exclusão econômica e social. A nova "cidade", então independente e sua constante migração incomodou o clero e os latifundiários.

A Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos foi fruto entre outros fatores políticos, de uma grave crise econômica e social pela qual passava a região à época, caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico.

O conflito mobilizou aproximadamente doze mil soldados, de 17 Estados brasileiros, distribuídos em quatro expedições militares. Eles incendiaram o arraial, mataram grande parte da população e degolaram centenas de prisioneiros. A história dá conta que morreram nada menos que 25 mil pessoas, praticamente toda população do vilarejo.

Antônio Conselheiro morreu em 22 de setembro daquele ano, de ferimentos causados por uma granada, segundo contam. Poucos dias depois, são mortos os últimos defensores de Canudos e o vilarejo é totalmente destruído. O corpo do líder religioso é encontrado enterrado no Santuário de Canudos e sua cabeça é cortada e levada até a Faculdade de Medicina de Salvador para ser examinada pelo médico Nina Rodrigues, pois para a ciência da época, "a loucura, a demência e o fanatismo" deveriam estar estampados nos traços de seu rosto e crânio.

Literatura- Os Sertões, 1902, de Euclides da Cunha é uma das obras mais importantes da literatura brasileira envolvendo a temática do conflito na Bahia. O autor passou três semanas no local como correspondente do jornal O Estado de São Paulo. No livro o escritor procurou vingar os mortos no massacre: "Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo", escreveu.

Os Sertões se tornou um marco para a nossa literatura e inspirou uma série de obras baseadas no conflito de Canudos, escritas no mundo todo. Os mais conhecidos são A Brazilian Mystic (Um Místico Brasileiro), 1919, do britânico R. B. Cunninghame Graham; Le Mage du Sertão (O Mago do Sertão), 1952, do sociólogo belga Lucien Marchal; Veredicto em Canudos, 1970, do húngaro Sándor Márai; A Primeira Veste, 1975, do escritor geórgio Guram Dochanashvili; e A Guerra do Fim do Mundo, 1980, do escritor peruano Mário Vargas Llosa.

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