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24.12.2006 | 03h00

Nem todo Natal é igual

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Todo ano é sempre a mesma coisa, o mais do mesmo anunciado: árvore enfeitada, presentes embrulhados, missa na véspera, o presépio, a farta ceia e os votos de felicidades. Esse quadro natalino-cristão, porém, não é seguido por todos - ainda mais no Brasil, que abriga várias etnias, culturas e, claro, religiões. O Natal nem sempre tem as mesmas cores na pluralidade religiosa do país.

Cronologicamente o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente por marcar o ano 1 da nossa História. No Brasil, um país predominantemente católico - cerca de 92% da população religiosa -, esse é um dos dias mais esperados do ano - se não pelas pessoas, pelo menos para o comércio.

O nascimento de Jesus cai como uma luva aos interesses do capitalismo, arrastando pessoas e mais pessoas aos shoppings e supermercados. É a data máxima do marketing e do comércio a partir do século 20.

Tanto é verdade que o símbolo mor do Natal, o Papai Noel como conhecemos hoje, teve sua imagem criada em 1931 por um sueco chamado Haddon Sundblon. O motivo: uma campanha da Coca-Cola feita para conquistar o público infantil - por isso o vermelho e o branco como cores características. Pelo jeito, deu certo.

Antes das ilustrações de Sundblon, o Bom Velhinho já foi vestido de azul, amarelo, verde ou vermelho. Na arte européia ele era em geral alto e magro. Contudo, independente do consumismo desse período, uma coisa é certa: esta é a maior festa do cristianismo, com uma mística e uma magia muito forte.

Com tradição - Numa família tradicional e católica como a de Daniela Farias, 19, a data é especial. "Todo mundo gosta porque reúne a família. É uma data muito importante para a gente", diz a estudante de medicina veterinária na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Ela e os demais familiares comemoram o nascimento de Jesus como manda o figurino: missa na véspera, ceia a meia-noite com todos reunidos e troca de presentes quando é feito um amigo oculto. "A intenção é reunir a família. O presente é consequência", explica Daniela. Na casa dela sempre tiveram o costume de montar árvore e presépio, pois segundo ela, há uma paz muito grande, um espírito diferente no dia.

Tais elementos, contudo, não são unânimes, e tampouco são usados como decoração de final de ano de algumas famílias.

Budismo - Os budistas, por exemplo, não comemoram o Natal. Árvore, pisca-pisca e presépio não fazem parte da decoração de final de ano. Para eles é só um feriado comum. Não há um vínculo religioso entre o Budismo e Jesus Cristo, por isso não há comemoração.

Jesus é visto como um bodhisattva, termo que designa pessoas de sabedoria elevada que seguem uma prática espiritual visando a remoção de obstáculos e o benefício de todos os demais seres.

Porém, nada impede de os budistas participarem, por exemplo, de uma ceia. "Não somos radicais-fundamentalistas. A nossa organização prega o diálogo", explica Naoto Otani, da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional (BSGI). Eles participariam por uma questão de respeito e de socialização - afinal, não negam a existência do Natal. As famílias budistas, mais pelos costumes brasileiros, costumam dar presentes de Natal, ainda mais se têm crianças em casa. Mas como já foi dito, não é uma tradição.

Uma curiosidade é que no Japão não se comemora o Natal como aqui: lá nem é feriado, é mais uma data comercial. Mas com certeza há cristãos no país e eles devem comemorar a data como aqui.

Espiritismo - O Brasil é considerado o maior país espírita do mundo, mas para os seguidores dessa religião o Natal também é um dia normal. A estudante de Rádio e TV da UFMT Luana Carolina Alves, 22, informa: não há uma celebração, um ritual especial.

Na prática espírita não são feitas cerimônias ou festividades religiosas, mas respeita-se a celebração do Natal, que "é uma representação simbólica do que deveria ser aplicado todos os dias, uma reflexão do que foi feito durante o ano", define Luana.

A estudante diz que as casas espíritas que têm crianças organizam uma apresentação teatral, um coral, mas nada é feito como uma tradição indissociável do Natal. É comum a arrecadação de brinquedos, roupas e alimentos para posterior entrega em um bairro carente - o que aproxima a celebração espírita à postura cristã, no comportamento fraterno e na prática solidária.

Luana diz que monta árvore de Natal e que só costumam dar presentes quando realizado um amigo oculto. "Há o livre arbítrio. Todo mundo respeita o que o outro faz e crê", finaliza a estudante.

Evangélico - "Para mim é uma data festiva criada pelo homem. A Bíblia não faz referência alguma ao Natal, nem à possível data do nascimento de Cristo", opina Rafael Cavalcante Martins, 24. Ele é da Assembléia de Deus Santa Cruz Nova Aliança - ou como diz em sotaque cuiabano, "assembreano".

Ele afirma isso por saber que há em torno do Natal uma série de questões controversas, como a própria data de 25 de dezembro. Não se sabe ao certo em que dia Cristo nasceu - os cristãos ortodoxos, por exemplo, comemoram o nascimento de Cristo no dia sete de janeiro. "Por costumes mundanos a gente faz uma cantata, que seria uma representação em forma de música do nascimento de Cristo", explica Rafael.

Não há um culto especial como na Igreja Católica, que realiza uma missa na véspera. A religião que Rafael segue não especifica ou institui esse tipo de comemoração. Até o Papai Noel não escapa: às crianças nada é comentado, mas se elas perguntam sobre essa figura, os pais dizem logo que ele não existe.

Da data eles só têm em comum o espírito de solidariedade - mas que, como Luana, ele acredita que deva ser feito diariamente e não só um dia por ano. "Tem gente que faz (ações beneficentes) só por se tratar do Natal, mas é claro que há também quem vista a camisa de verdade", diz ele, que é o segundo líder de ação social da igreja que frequenta.

Muçulmano - Os seguidores do Islamismo também não comemoram o Natal. Para essa religião, a data não tem significado. O vínculo com o Cristianismo se dá pelo fato de eles acreditarem em Jesus, mas não como filho de Deus, e sim como um profeta.

Eles inclusive não comemoram a passagem do ano novo agora no dia 31 de dezembro. Segundo Walid Khaled Omais, membro da comunidade islâmica de Cuiabá, eles estão no ano de 1427. "Não é fixa (a passagem do ano). Festejamos o ano novo em várias épocas do calendário gregoriano", diz. Explica-se: o calendário islâmico é baseado no calendário lunar, o que faz com que o ano seja cerca de 10 dias mais curto que o do calendário cristão.

Walid explica que até há troca de presentes, mas de forma diferente: dá-se a quem não pode dar. "Hoje houve uma dissociação. O presente não é o mais importante para nós", diz ele se referindo ao cunho consumista que permeia a data hoje em dia.

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