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Raízes 10.08.2019 | 11h18

Em disco, Negra Li discute racismo e empoderamento das 'minas'

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Divulgação

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Quando deixou o grupo de rap RZO, em 2004, Negra Li deu um passo arriscado e trocou a segurança do trabalho coletivo e consagrado do trio paulista para ser protagonista e explorar um gênero com pouco espaço para mulheres negras: o pop nacional.

 

Apesar da insegurança de mudar de ritmo e desbravar um cenário predominantemente "branco" naquele momento, ela conquistou aos poucos o próprio espaço. Mais do que isso: 15 anos depois, Negra Li avalia que rompeu uma fronteira para que outras mulheres negras ganhassem visibilidade. "Fui acusada de oportunista naquela época. Uma parcela da galera do rap acreditava que eu não estava fazendo aquilo por convicção e, sim, por grana. Mas, na verdade, a mudança de cenário foi mais arriscada do que muitos pensam. Hoje, entendem que houve coragem da minha parte e muita ralação. Uma coragem que ajudou a chegarmos nesse cenário, em que gente como Iza virou ícone cultural do país", comenta.

 

No entanto, foi só com o novo disco, Raízes (produzido pelo coletivo integrado por Pedro Lotto, Caio Paiva, DJ Gustah e Duani), que ela assegura ter conseguido fazer tudo que gostaria na carreira e não havia tido a oportunidade até então.

Com uma mistura de ritmos como pop, rap, r'n'b, trap e ragga, ela diz que finalmente ficou à vontade para lançar um trabalho que reunisse várias influências que formaram a identidade artística dela, que já foi cantora de coral e de igreja presbiteriana. "É um disco que não foi pensado só para tocar na rádio, mas para que o ouvinte comece a refletir e conheça melhor o que eu gosto. Estou à vontade para ir além", resume.

 

Outra intenção do CD é promover o orgulho negro e feminino. As letras refletem essa altivez da pauta identitária e o caminho que Negra Li aparenta querer seguir de agora em diante, sem abrir concessões para pressões mercadológicas. Por conta disso, ela se cercou de nomes condizentes com a ideia. Cynthia Luz aparece em Wakanda, que homenageia Marielle Franco (1979 – 2018).

 

Rael dividie os vocais rap-título Raízes, que resgata Olhos Coloridos (Macau, 1981). Já Mina é sobre a autoestima das mulheres negras. E Uma Dança, dividida pela cantora com Gaab, filho do pagodeiro Rodriguinho, é a faixa mais romântica do projeto. "Quando eu comecei, achava que não combinava ser negra, periférica e poderosa. Mas à medida que virei referência, percebi que era minha obrigação ser um exemplo, já que quase não existem negras na TV e também são poucas na música. Cresci pensando que meu destino era ser perdedora e que só seria aceita se passasse por processo de embranquecimento. Hoje, quase nenhum negro pensa assim", conta.

 

Negra Li acredita que as cantoras, de uma forma geral, foram revolucionárias na última década para empoderar minorias. E, além disso, a cantora cita que existe um processo revolucionário na música pop que refletiu diretamente na sociedade. "Hoje, estamos mais unidas. Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna são responsáveis por uma cena de mulheres que não se calam e nem se submetem. Às vezes, as pessoas acham que cantoras podem fazer pouco pelo mundo, pela política. Mas foi de tanto nos manifestarmos, que hoje as coisas estão diferentes", determina.

 

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