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Cancelada nas redes 29.10.2019 | 10h10

Fernanda Gentil dá bola fora sobre não querer 'filho gay' e racismo

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João Cotta

João Cotta

A apresentadora da Globo vem sentindo na pele, desde este domingo (27), o que é o “cancelamento” das redes sociais – quando alguém tem um comportamento considerado errado. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Fernanda acabou soltando frases que pegaram muito mal, tanto que teve até de publicar um texto no Instagram para tentar dar uma amenizada nas críticas (e não conseguiu).

 

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E, de fato, a apresentadora deu muitas bolas foras. A questão mais gritante é que ela não teve muito a manha de tomar posições e preferiu dar aquela “passada de pano” em assuntos delicados como racismo e homossexualidade. Sabe-se lá o motivo, mas Fernanda preferiu não detonar ninguém e quis sair de amiguinha de todos. Bola fora e talvez ela tenha ido por esse caminho até por conta da audiência do Se Joga, que eventualmente coloca a Globo em terceiro lugar no Ibope.

 

Há um trecho específico em que a coisa é grave. Ela diz: “Respeito quem infelizmente é racista”. Como é? Obviamente que uma frase como essa não poderia dar certo. Todo mundo sabe o quão racista é o Brasil e a dificuldade que milhões de pessoas enfrentam há séculos quando o assunto é a cor da pele. Racismo é hoje um assunto seríssimo e quem é racista não consegue o respeito de ninguém. E a gente sabe a força da discriminação racial no Brasil, ainda mais como ela quase sempre acontece, de maneira velada. E outra: racismo é crime.

 
 

 

Fernanda também falou sobre respeitar quem “acha um crime ter beijo gay”. Bem, outro dia mesmo um rapaz levou quatro tiros (e sobreviveu) por ter beijado seu namorado num bar. Como é que dá para respeitar alguém assim? Tem gente que não gosta e não quer ver? Tem, mas é um direito da outra pessoa fazê-lo e não se sentir um criminoso por isso. Cada um que lide com suas questões.

 

Fernanda também se complicou num outro tema. Na entrevista ela disse que não torce para ter um filho gay. Ela contou isso no sentido de que o Brasil é um lugar violento para homossexuais. E realmente é. Dá para entender o temor, mas ao falar isso, a apresentadora — que também é casada com uma mulher — não contribui em nada para o debate. É mais ou menos assim: se eu não tiver um filho gay, não tenho que esquentar a cabeça com esse problema. E, todos sabemos, que não dá para esconder ou enfiar debaixo do tapete certos assuntos. O melhor é sempre debatê-los e lutar por melhorias e mudanças.

 

É bem provável que a apresentadora tenha adotado palavras erradas para se expressar ou mesmo até tenha feito um esforço para escapar de alguma polêmica, mas o tiro não deu certo. Ela até tentou se explicar no Instagram, mas também não foi muito feliz. Fernanda precisa organizar o pensamento e voltar a esses temas publicamente, quem sabe a gente consiga entendê-la, né?

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