'É RESISTÊNCIA' 06.07.2026 | 11h11
Divulgação
As cantoras Karol Conká e Linn da Quebrada defenderam que a música e a arte de uma forma geral devem ser instrumentos de resistência pessoal e coletiva para as mulheres pretas no país. Elas participaram de uma mesa de debates na 19ª edição do Festival Latinidades, em Brasília. O tema deste ano é "Saúde mental importa". “Eu comecei a fazer minha música e a minha arte para me libertar de uma dor. Aí passou a ser uma missão para libertar outras pessoas. É como se eu tivesse descoberto o segredo para ser mais forte”, afirmou Linn da Quebrada.
A artista defendeu que a cultura tem garantido espaços fundamentais “para que o meu modo de existir e lidar com o mundo seja outro”, disse a artista, que é trans. Karol Conká e Linn da Quebrada participaram dedebates na 19ª edição do Festival Latinidades.
Em entrevista à Agência Brasil, Linn argumentou que a arte tem o papel de denunciar violações, mas também todas as inspirações que ajudem a construir posicionamentos a serem cultivados e transformados pela sociedade.
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“A sensação de que é possível se revoltar e organizar-se coletivamente para que a gente construa uma sociedade mais igualitária, por exemplo”, afirmou.
Ela acrescenta, porém, que essa não é a única missão da arte, e que deve trazer diferentes olhares sobre a vida. “É importante que a gente defenda os nossos direitos, enquanto populações minorizadas, seja a população negra ou de pessoas trans. A cultura tem de vir num lugar onde ela abarque a vida”.
A Agência Brasil, Radioagência Nacional, Rádio Nacional e TV Brasil são apoiadoras oficiais do Festival Latinidades.
Coragem
A cantora Karol Conká manifestou preocupação com o uso que as pessoas mais jovens têm utilizado e sendo alvo de ataques nas redes sociais.
A artista exemplificou que ela mesma enfrenta, desde que participou do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, com manifestações de ódio.
Para ela, é fundamental cultivar rede de apoio, conhecimento, autoestima e coragem.
“A gente tem que ter muita coragem de lutar para a arte e expor nossos lançamentos. Eu tenho o direito de viver e de rir”.
Karol destacou que o Festival Latinidade se tornou um espaço diferenciado para debater temas pouco discutidos principalmente para artistas pretas que vivem cenários dolorosos.
“Esse nosso lado mais doloroso é invisibilizado porque a gente está na indústria. Aprendemos que a gente está ali para servir sorrindo. Mas é importante dizer o que a gente passa chorando”, ressaltou para a Agência Brasil.
Ela acrescentou que o mais preocupante para ela, nesse momento, é como a vida das artistas negras passa por descredibilização em relação à própria carreira. “São muitas mulheres reclamando de não serem ouvidas. Nós vivemos como se fôssemos produtos vendáveis”.
Além do espaço cultural, a cantora tem se preocupado com a onda de violência contra mulheres.
“Eu não me sinto segura. Acredito que esse sentimento é compartilhado com muitas mulheres e eu torço e desejo que tenhamos mais paz para andar na rua”.
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