'brincadeira sem graça' 28.07.2026 | 11h19
Reprodução/Instagram/@zefelipe
Um novo vídeo do cantor Zé Felipe com o filho mais novo - que parece uma brincadeira boba - esconde muita camadas preocupantes da normalização da sexualização infantil.
Definitivamente, não é mimimi. É preocupante.
Nas imagens, o cantor na presença dos pais, Poliana e Leonardo, brincam com o menino de apenas 1 e 10 meses perguntando: “O que você vai dar para as meninas?” E a criança responde “dar pau” - apontando para as partes íntimas.
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Todo mundo ri e o menino continua porque sente que agradou sem nem entender o significado daquilo.
Dar pau... uma expressão de duplo sentido para sexo e para violência. Sinceramente, não sei qual é a pior.
Mas o que mais assusta é que, além de fazer a brincadeira e não ver nenhum problema nela, ela foi filmada e postada para milhares de seguidores.
Crianças são nossos espelhos
Durante muitas décadas houve uma normalização das brincadeiras sexualizadas e machistas com crianças. As pessoas realmente achavam fofo ver as crianças reproduzindo falas adultas e viviam em um contexto social e cultural que, felizmente, não existe mais.
No entanto, algumas famílias insistem em ficar presas nos anos 80 e parecem não entender a realidade de violência no nosso país e como ela começa.
Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Liberta, 1 em cada 3 brasileiros sofreu violência sexual na infância. Desses casos, 60% das vítimas eram meninas com menos de 13 anos e 95,4% dos autores são homens que cresceram achando que é normal dar “pau nas meninas”.
Parece meio exagerado, mas não é. O grande parte do nosso caráter e dos nossos valores se formam na infância.
Se crescemos em um ambiente que normaliza a sexualização das crianças e a violência contra à mulher, não conseguimos nem enxergar que existe um problema sério e real em vídeos como esse - problema que pode não atingir a sua família diretamente, mas atinge muitos lares no Brasil.
Como nos proteger?
Muitas vezes a violência sexual vem disfarçada de brincadeira e de carinho. Por isso, precisamos orientar as crianças a se protegerem:
Ensine que o corpo pertence à criança: ensine desde cedo que o corpo é dela e que ninguém pode tocá-la além das pessoas de confiança;
Fale sobre consentimento: Desde a primeira infância precisamos ensinar sobre consentimento e a importância de dizer não;
Diferenciar toques seguros e inseguros: Fale de forma clara a diferença de toques de cuidado e toques que causam medo e desconforto;
Construa uma rede de adultos de confiança: Toda criança precisa saber identificar pessoas com quem pode conversar caso algo aconteça;
Oriente sobre segurança no ambiente digital: Converse sobre privacidade e exposição, explique que fotos e vídeos íntimas nunca devem ser compartilhados;
Mantenha diálogo constante: O tema deve fazer parte da educação cotidiana, de maneira adequada à idade, criando um ambiente em que a criança se sinta segura para falar sobre dúvidas, medos e situações desconfortáveis.
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