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Artes híbridas 03.04.2020 | 11h12

Coletivo lança revista independente de experimentalismo em meio à quarentena

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Luiz Fernando Vieira

luferna@gazetadigital.com.br

André Gorayeb

 André Gorayeb

O coletivo de Cuiabá Coma a Fronteira, que já havia ganho destaque com seu zine Ser Dentro do Ser, lançou nesta quinta-feira (2) uma nova publicação. É a revista experimental, digital e independente Matapacos, feita por Caio Ribeiro, Marcella Gaioto e Lucas Lemos, que explora as inúmeras possibilidades proporcionadas pelo elemento-chave do grupo: as artes híbridas.

 

A quarentena para evitar a propagação do novo coronavírus tem oferecido novas possibilidades de criação, tem feito muita coisa ser repensada e promovido a busca por inovação e com o grupo não é diferente. “Estamos construindo sessões desviantes - que tentam fugir à curva do que já é cristalizado numa revista. Queremos aproveitar o tempo para experimentar e expandir”, dizem os organizadores da Matapacos em sua apresentação.

 

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“O normal de antes nos trouxe até aqui. Assim, como uma das ações do grupo, foi decidido criar um selo de publicações experimentais que possam circular digitalmente (por enquanto)”, argumentam na apresentação.

 

Com Caio Ribeiro na edição, Marcella Gaioto e Lucas Lemos na revisão e colaboração, a Matapacos já em sua primeira edição traz importantes nomes da cena artística mato-grossense em manifestações que têm como fio condutor a liberdade para se expressar. A lista tem Aclyse de Mattos, Juliana Capilé, Luiz Marchetti, Luz Marina, Livia Bertges, Marília Beatriz Figueiredo, Maurício Mota, Perseu Azul, Sol, além de artes visuais de GORA e Marcus Vaz.

 

A ideia, segundo Caio, é experimentar a poética, colocar as ideias para circular em uma revista independente de experimentalismos. “Assim nasce, por exemplo, Entre Vistas, uma sessão atípica de perguntas e respostas, onde o leitor entra no jogo de tentar descobrir qual é a pergunta e quem a respondeu, sem saber ao certo essa autoria”, cita.

 

“Fico feliz de estar fazendo algo durante esse tempo, de contribuir para um conteúdo de qualidade para aquelas pessoas que não terão muito o que fazer nesse tempo estranho em que estamos. Fico mais feliz ainda por fazer isso ao lado de dois artistas que eu admiro demais, é um honra estar com eles. Acho que vai ser um sucesso nessa quarentena cuiabana!”, projeta Marcella.

 

Todo o design da revista foi criado por Caio, Lucas e Marcella, o que valoriza a maneira conjunta da produção. Além de poesias e ensaios filosóficos, o periódico estreante ainda conta com um caderno de dramaturgia, com colaboração do Theatro Fúria, um do grupos de atuação dos mais tradicionais de Cuiabá, e um local destinado à fotografia, com imagens de Henrique Santian.

 

“É um lugar de questionar, de contemplar, mas também de deslimite, a gente é ser controverso, plural, cheio de dúvidas, a arte, a literatura são traduções disso: uma viagem aos nossos conflitos e, mesmo que muitos deles não tenham respostas, a gente segue experimentando essa coisa que nomeamos de vida”, sugere Lucas.

 

O que é Matapacos?

 

O espírito da revista se revela já no nome, cuja inspiração vem de um cão revolucionário chileno. “Negro Matapacos”, como era chamado, foi batizado com este nome pela cor de seus pelos e por suas atitudes nos protestos populares iniciados no Chile em 2010, que pediam melhorias na educação e eram contra os cortes de orçamento do governo no país.

 

“Mata pacos” significa “mata policiais”. Tudo isso porque, durante as manifestações, ele latia e atacava policiais que tentavam reprimir a população e avançava contra as viaturas, enquanto defendia manifestantes de jatos d’água lançados pela polícia. Apesar de ter uma dona, o cão vivia zanzando pelas ruas, sempre acompanhado de seus amigos do movimento estudantil - que colocaram o lenço vermelho em seu pescoço.

 

Ele militou até 2017, quando no dia 26 de agosto morreu de velhice. Em terras chilenas, foi homenageado com uma estátua na praça onde sempre era visto. Também há um documentário sobre a história do herói canino.

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