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Resgate Histórico 10.03.2019 | 09h53

Fatos do cotidiano davam nomes às ruas do centro de Cuiabá

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Marcus Vaillant/A Gazeta

Marcus Vaillant/A Gazeta

Calçadão Ricardo Franco, centro de Cuiabá

Adjetivos tão comuns nos elogios voltados ao gênero feminino por muito tempo foram usados para denominação de logradouros da antiga Cuiabá. Linda, bela e formosa, referência às atuais ruas Barão de Melgaço, 13 de Junho e Joaquim Murtinho, respectivamente.

 

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Os antigos nomes são parte de poesias que contam a história dos 300 anos da Capital. De forma poética e lúdica, o historiador Aníbal Alencastro retrata trechos da Cuiabá que já não existe mais, porém, povoa o imaginário de quem ouve seus relatos. Hoje, a escolha do nome de uma rua segue os padrões do regimento interno da Câmara Municipal e é feita a partir de estudos para regulamentar as identificações, que, na maioria das vezes, homenageia alguém que teve grandes feitos por alguma comunidade. 

 

Mas nem sempre foi assim, a denominação das ruas passou a ser feita pela Casa de Leis no século 19 (1871). Antes disso, elas simplesmente ganhavam nomes aleatórios, apelidos, a partir de determinados acontecimentos do lugar, tornando o logradouro popular a partir de histórias marcantes dos seus moradores e suas residências. A rua 13 de Junho, que começa na Praça da República e segue até às margens do rio Cuiabá, no Porto, já foi a ‘Bela do Juiz’, numa época em que Cuiabá recebia juízes de outros estados para julgamentos de pessoas ditas ‘malfeitoras’, conforme especifica Aníbal. 

 

Destaca que, um certo juiz, que ia e voltava para Cuiabá, hospedava-se num casarão, o mais imponente da rua e, certa feita apaixonou-se por uma moradora do lugar. Porém, pelo fato da moça ser comprometida, o caso ganhou repercussão, causando escândalo na cidade. Ele teve que deixar Cuiabá às pressas e, desta forma, a rua foi nominada ‘Bela do Juiz’. 

 

Após a realização dos tais julgamentos, quando alguém era condenado à forca, era levado para o ‘sacrifício’ no ‘Largo Cruz das Almas’, hoje Praça Ipiranga, na região central. Por muito tempo a cuiabania dizia que o local era mal assombrado. Num enredo repleto de detalhes, Aníbal conta que a atual rua Antônio João, na antiguidade, não tinha nome. Era uma ruela onde os escravos entravam pelos fundos das casas, trazendo água que pegavam na ‘bica’. O local, que ainda tinha muitos chiqueiros, foi apelidada posteriormente de rua dos Porcos, passando ao nome atual, após a Guerra do Paraguai, com a decisão de homenagear os ‘heróis da guerra’. 

 

Outrora ‘Linda do Campo’, hoje, Barão de Melgaço, o trecho era enaltecido por abrigar o ‘Campo D’Ourique, onde hoje se localiza a Câmara Municipal de Cuiabá. O lugar foi palco de muitas touradas e ainda abrigou saudosos jogos de futebol, que entretinham a população. É também nesta rua que foi construída a bela casa do Barão de Melgaço, homenageado com a denominação da rua. A antiga residência hoje sedia a Academia Matogrossense de Letras (AML). 

 

Abrigando um belo jardim, ladeado de paralelepípedos, a atual Praça Alencastro é onde começa a antiga rua Formosa, hoje Joaquim Murtinho. Para Aníbal, um dos trechos muito significativos para a cultura local. É nos fundos da atual igreja Matriz que se localizava o primeiro cinema de Cuiabá, o ‘Cine Parisiense, que funcionou entre 1911 a 1912, palco de grandes histórias dos apreciadores do cinema mudo. 

 

Intervenção 

 

No período em que Júlio Müller foi nomeado interventor, no Estado Novo, época em que foi cogitada a possibilidade de transferir a Capital de Mato Grosso para Campo Grande, o casario de Cuiabá era considerado ultrapassado. Para evitar a transferência, Aníbal destaca que o interventor solicitou recursos ao Governo Getúlio Vargas, com o intuito de ‘renovar’ a cidade.

 

Para tal, lançou uma espécie de ‘pacotão de obras públicas’, que incluiu a construção da Casa dos Governadores; Grande Hotel (o primeiro de Cuiabá); Palácio da Justiça; Secretaria Geral e a abertura da primeira avenida da cidade, a Getúlio Vargas. Com a chegada da empresa construtora, a Coimbra Bueno, o engenheiro responsável, Cássio Veiga de Sá, sugeriu demolir o Cine Parisiense para a construção do Grande Hotel, o que causou revolta na população. 

 

A partir disso, formou-se um movimento dos moradores que realizaram abaixo-assinado, requerendo um outro local para abrigar o cinema. Então, foi incluído no pacote de obras o Cine Teatro, inaugurado em 1942. 

 

Tombamento 

 

Dos trechos que abrigam ruas da antiga Cuiabá, a maioria se encontra no quadrante de tombamento histórico. A atual 27 de Dezembro para a maioria dos moradores continua ‘Beco do Candeeiro’, Outubro, que continua Lavapés.

 

Para Aníbal, a história prevalece viva em cada cantinho da cidade e os moradores se acostumam com o enredo. A atual Isaac Póvoas já foi rua do Coxim, antigo caminho dos tropeiros que vinham do Distrito da Guia para comercializar e comprar produtos no Mercado Público, na esquina com a Joaquim Murtinho. 

 

Arraial 

 

Apesar da poesia que cerca os antigos logradouros, num tempo ainda mais remoto, o historiador destaca que no minúsculo arraial, quando Cuiabá era explorada pela riqueza do ouro, as denominações se limitavam a ruas de Cima (atual Pedro Celestino), de Baixo (Galdino Pimentel), e do Meio (Ricardo Franco). A rua do Meio foi posteriormente também chamada de rua das Pretas por ser uma passarela de escravos que transita.

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