29.05.2006 | 03h00
O plantio direto é utilizado em pelo menos 70% da área plantada em Mato Grosso. O coordenador da Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), John Landers, garante que com a utilização desta tecnologia o custo de produção fica até 20% mais barato. Ele aposta na mudança da legislação e tem a expectativa de que nos próximos 10 anos o plantio direto ocupe 100% da área de cultivo em todo o Brasil.
Em Mato Grosso, especialmente, os produtores de algodão ainda precisam remover a terra e destruir os restos da cultura da safra anterior para evitar a disseminação de pragas e doenças. Esse procedimento é lei no Estado. Por isso é que Landers aposta na conscientização do legislativo e na obrigatoriedade de se utilizar o sistema de plantio direto.
Landers conta que nos últimos 20 anos já houve uma grande evolução. Em 1982, o plantio direto era utilizado em um milhão de hectares e o custo de produção, nestas áreas, empatava com o convencional. Atualmente, o plantio direto é praticado em 23 milhões de hectares e o custo de produção é, pelo menos, 20% mais barato que convencional. "Esse percentual varia de acordo com a cultura. Para a soja é de 10% e para o milho é de 5%, mas o plantio direto torna mais barata a produção de todas culturas", garante Landers.
Segundo o coordenador, com a intensificação do uso da terra é possível produzir nos próximos 20 anos sem abrir novas áreas e sem derrubar nenhuma árvore. "O Cerrado tem atualmente 60 milhões de hectares de pastagens e pelo menos 80% deste total têm algum tipo de degradação. Se recuperássemos estas áreas e utilizássemos a integração da lavoura com a pecuária não precisaríamos fazer desmatamentos", explica.
A integração lavoura e pecuária pode ampliar a capacidade das pastagens em até três vezes. O coordenador explica que a preparação da terra para a agricultura torna o solo mais fértil e fortalecido. "E, especialmente, propício para o desenvolvimento das pastagens. A integração, assim como o plantio direto é uma tendência muito forte na agricultura".
Landers conta que uma das regiões mais beneficiadas com o plantio direto foi o Oeste da Bahia. Os solos desta região são arenosos e, em função disso, a erosão é muito comum. "A implantação do sistema de plantio direto reduziu o assoreamento do rio São Francisco e promoveu o interesse pela adoção do sistema", salienta. "Para o produtor utilizar um novo método é uma quebra de paradigma e por isso é preciso paciência", completa.
O coordenador da APDC reclama da falta de reconhecimento e da valorização da sociedade com relação aos produtores que utilizam o plantio direto. Na opinião de Landers, a população precisar pagar aos produtores que investem na conservação do meio ambiente. "A sociedade quer preservar, mas não se dispõe a pagar. É lamentável", reclama.
Por outro lado, o próprio mercado obrigará aqueles que ainda não se deram conta da importância da preservação a implantar técnicas direcionadas para a conservação. "O valor negociado no mercado será valido somente para os produtos certificados, os outros serão vendidos por preços menores. Essa é uma tendência e a partir disso, o produtor se incluirá no processo de conservação do meio ambiente", garante.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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