08.09.2026 | 11h56
Chico Ferreira
Poucas vezes na História do Brasil o país enfrentou uma eleição num país tão desarrumado como em 2026.
Toda a institucionalidade do país foi destruída nos últimos anos. A Constituição tornou-se vaga referência que garante a existência de uma suposta democracia concentrada dentro dos propósitos dos chamados poderes. Afastou-se completamente da cidadania a quem deveria servir. Vivemos um jogo de poder. Nada mais!
Logo, seria de esperar que a eleição tratasse de temas na direção da recuperação da cidadania e da democracia. Além de garantir a reinstitucionalização do país para parâmetros de legalidade.
Os discursos dos candidatos a parlamentares nesta campanha eleitoral deveriam estar noutro patamar. Na direção do reordenamento do país. Mas o que se vê são as mesmas generalidades de sempre: educação, saúde, segurança, meio ambiente, geração de emprego e renda. São temas muito abrangentes e extremamente complexos que só fazem sentido se forem tratados como programas avançados de Estado. Não discursinhos de programa eleitoral.
Sem contar o fato de que, em Mato Grosso, a grande discussão é em torno do futuro. O presente está bem arrumado. A economia vai bem, não existem crises políticas. Em Mato Grosso, o olhar precisa necessariamente ser para a geopolítica e para a organização do Estado com olhos nos caminhos que o mundo indica. O mundo moderno valoriza e precisa de alimentos, energia sustentável e recursos naturais. Mato Grosso domina esses campos. Além do mais, é um dos quatro estados da federação que não recebem recursos federais do orçamento. Ao contrário. Envia dinheiro para o Tesouro Nacional distribuir a 23 estados que não arrecadam o suficiente para pagar suas contas gerais.
Não se fala na propaganda desta campanha em educação específica voltada às tecnologias que o Estado utilizará nos próximos anos para continuar a sua crescente produção. E também para a agroindustrialização que está em processo de rápido e inevitável crescimento. O que se vê, além dos discursos genéricos sem conteúdo, é a maldita emenda parlamentar. Trata-se de uma moeda de compra do poder.
Nenhuma das 27 bancadas estaduais no Congresso Nacional teve destaque porque todas estão afundadas na garimpagem de emendas parlamentares. É dinheiro que dá filhotes e gera fortunas pessoas muito além do imaginado. É preciso recordar que nunca uma eleição encontrou a política e os partidos em tão baixa decadência. Logo, seria de se esperar uma campanha eleitoral madura, com propósitos e não propostas genéricas.
Está bem claro na campanha eleitoral que os discursos dos candidatos são mera conversa pra boi dormir e cumprir a tabela da candidatura. A verdade se resume nas “entregas”, que nada mais são do que as emendas parlamentares que garantem a continuidade do poder político. Saudade do tempo em que parlamentares propunham obras, mesmo que não as cumprissem durante o mandato. Agora, nem isso! Só o poder das emendas parlamentares em conluio com o poder executivo.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro1944@gmail.com
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