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25.03.2026 | 12h30

Endometriose em adolescentes; impacto na saúde e na qualidade de vida

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Giovana Fortunato

Divulgação

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No mês de março, marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, é fundamental ampliar o olhar para um grupo muitas vezes pouco lembrado: as adolescentes. A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao do útero cresce fora dele, afetando cerca de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, e podendo começar ainda cedo.

 

Nessa fase da vida, os sintomas muitas vezes são confundidos com “cólicas normais”. Mas quando a dor é intensa, frequente ou incapacitante, é importante investigar. Entre os sinais mais comuns estão cólicas fortes, dor pélvica persistente, fadiga e, em alguns casos, dor nas relações e alterações intestinais ou urinárias.

 

Um dos grandes desafios da endometriose em adolescentes é o diagnóstico tardio. Muitas jovens passam anos sem saber o que têm, o que pode levar ao agravamento dos sintomas e também a impactos emocionais importantes, como ansiedade, tristeza e até isolamento social.

 

Embora não exista cura definitiva, há tratamento, e ele faz toda a diferença. O cuidado costuma envolver uso de medicamentos hormonais, ajustes no estilo de vida (como alimentação e prática de atividade física) e, quando necessário, acompanhamento psicológico. Mais do que tratar a doença, é essencial cuidar da qualidade de vida da paciente.

 

Outro ponto importante é que a endometriose pode estar associada a outras condições, como a adenomiose, que também causa dor e alterações menstruais. Em casos mais raros, pode haver formas mais profundas da doença, que exigem uma avaliação mais detalhada.

 

O diagnóstico hoje não depende apenas de cirurgia. A escuta atenta da história da paciente, o exame físico e exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, já permitem uma avaliação bastante precisa.

 

Na adolescência, o tratamento deve ser sempre individualizado e explicado de forma clara, respeitando as dúvidas e inseguranças dessa fase. A cirurgia, na maioria das vezes, não é necessária, e, quando indicada, deve ser feita por especialista e com técnicas minimamente invasivas.

 

Falar sobre endometriose desde cedo é fundamental. Quanto antes o diagnóstico e o acompanhamento adequado, maiores são as chances de controlar os sintomas, preservar a fertilidade e garantir uma vida mais saudável e equilibrada.

 

Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, professora do HUJM em Cuiabá-MT.

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