14.02.2026 | 08h34
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O Carnaval é uma das festas mais aguardadas do ano no Brasil. É um período marcado por alegria, encontros e celebrações que atravessam dias e noites. No entanto, para quem convive com diabetes, esse momento exige atenção redobrada, pois os exageros típicos da folia podem impactar diretamente o controle da glicemia e trazer riscos importantes à saúde.
Pessoas com diabetes enfrentam diariamente o desafio de manter os níveis de glicose no sangue dentro das metas adequadas. Esse controle depende do equilíbrio entre alimentação, uso correto de medicações ou insulina, prática de atividade física, sono e controle do estresse. Durante o Carnaval, porém, essa rotina costuma ser quebrada: há maior consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ricos em açúcar e gordura, longos períodos sem alimentação adequada, noites mal dormidas e maior risco de desidratação.
Essa combinação favorece tanto episódios de hiperglicemia (aumento da glicose no sangue) quanto de hipoglicemia (queda acentuada da glicose), especialmente em pessoas que utilizam insulina ou medicamentos que estimulam a produção de insulina pelo pâncreas.
O consumo de bebidas alcoólicas merece destaque. O álcool interfere no funcionamento do fígado, órgão responsável por liberar glicose na corrente sanguínea entre as refeições. Quando a pessoa ingere álcool, principalmente em jejum, o fígado prioriza a metabolização dessa substância e pode deixar de liberar glicose de forma adequada, aumentando o risco de hipoglicemia horas depois. Além disso, muitas bebidas consumidas no Carnaval contêm grande quantidade de açúcar, o que contribui para picos glicêmicos seguidos de quedas bruscas, criando um efeito de descompensação que pode ser perigoso.
Outro ponto importante é a alimentação irregular. Passar muitas horas sem comer e, depois, realizar refeições volumosas ricas em carboidratos simples e frituras provoca elevação rápida da glicose e dificulta o controle metabólico. Para quem já tem resistência à insulina ou diagnóstico de diabetes tipo 2, isso pode significar dias de glicemias persistentemente elevadas, favorecendo sintomas como sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço e visão turva. Em situações mais graves, pode ocorrer desidratação intensa e até descompensações agudas, como a cetoacidose diabética, especialmente em pessoas com diabetes tipo 1.
O calor e o aumento da atividade física também influenciam o controle glicêmico. Ficar horas exposto ao sol, dançando e caminhando, aumenta a perda de líquidos e pode alterar a absorção da insulina aplicada sob a pele, tornando o controle menos previsível. A desidratação, por si só, já tende a elevar a glicose no sangue, pois reduz o volume circulante e concentra a glicose. Por isso, manter uma boa hidratação com água ao longo do dia é fundamental.
Isso não significa que a pessoa com diabetes precise abrir mão da festa, mas sim que deve se planejar. É importante manter intervalos regulares de alimentação, priorizar refeições equilibradas com fibras, proteínas e gorduras boas, evitar o consumo excessivo de álcool e nunca beber em jejum. Também é recomendado monitorar a glicemia com maior frequência, especialmente se houver mudança na rotina, além de carregar sempre uma fonte de carboidrato de ação rápida, como sachês de açúcar, balas ou suco, para eventual correção de hipoglicemia.
Quem faz uso de insulina deve conversar previamente com seu médico para avaliar possíveis ajustes temporários nas doses, caso haja aumento significativo de atividade física.
O Carnaval pode, e deve, ser vivido com alegria também por quem tem diabetes. No entanto, o cuidado é a chave para que a diversão não se transforme em risco. Informação, planejamento e autoconsciência permitem aproveitar cada momento com mais segurança, preservando a saúde no curto e no longo prazo.
Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT
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