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12.02.2026 | 11h57

Hanseníase na gestação

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Giovana Fortunato

Divulgação

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A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria (Mycobacterium leprae) que apresenta características peculiares. Uma delas é que todos os brasileiros, por morarem em um país endêmico, têm contato com ela ao longo da vida. Ela tem alto poder de infectar, mas, por outro lado, a maioria das pessoas é muito resistente à doença. Então, um pequeno percentual das pessoas é que pode realmente ficar doente com a hanseníase.

A doença segue como desafio relevante para a saúde pública no Brasil, que apresenta uma das maiores cargas da doença no mundo. A doença afeta, de forma desproporcional, populações em estado de vulnerabilidade e expostas a fatores socioeconômicos que perpetuam o ciclo de pobreza e exclusão. Com um território de dimensões continentais, o Brasil possui distintos cenários de endemicidade, o que exige intervenções epidemiológicas específicas e coordenadas.

 

Em 2023, foram registrados 182.815 casos novos da doença, aumento de 5,0% em relação a 2022. A Índia, o Brasil e a Indonésia concentraram 79,3% dos casos novos detectados. A detecção de casos novos em menores de 15 anos, que indica transmissão ativa da doença, totalizou 10.322 casos.

 

Entre os principais países prioritários, o Brasil destacou-se com o segundo lugar em número de casos novos da doença (n=22.773), aumento de 16,0% em relação a 2022. No mundo, houve aumento de 1,8% de grau 2 de incapacidade física. No Brasil, o aumento foi de 16,0% em 2023 em relação a 2022.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no dia 12 de setembro de 2025, os dados mais recentes sobre a hanseníase no mundo, referentes ao ano de 2024.

 

O Brasil segue como um dos três países que concentram casos novos da doença, ao lado da Índia e da Indonésia, responsáveis juntos por quase 80% das notificações globais. Mato Grosso é o Estado com maior índice de hanseníase no Centro-Oeste. Balanço da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que em dez anos (1999-2018), o Estado registrou 63.779 ocorrências da doença.

 

O alto índice da doença já vem sendo apontado pelo Ministério da Saúde desde 2014. Na época, Mato Grosso estava dentre os Estados no Brasil com registros mais frequentes. A incidência era de 7,9 casos para 100 mil habitantes.

 

Os vizinhos no Centro-Oeste estavam bem abaixo: Mato Grosso do Sul (3,58), Distrito Federal (0,91) as unidades federativas que apareceram na lista.

 

A hanseníase é uma doença dermatoneurológica, que tem manifestação na pele, como a presença de manchas com alteração de sensibilidade. A parte neurológica vem do comprometimento dos nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade e motricidade. Por isso, a hanseníase é a única doença dermatológica que tem alteração de sensibilidade na pele.

 

A doença pode atingir homens e mulheres em qualquer idade, sendo mais grave quando ataca pessoas com menos de 15 anos. Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige avaliação mais criteriosa, diante da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. Casos em criança, podem sinalizar transmissão ativa da doença, especialmente entre os familiares, o que deve, portanto, intensificar a investigação dos contatos pelos profissionais de saúde. A forma de prevenção é diagnosticar os casos precocemente. Não é uma doença que tem vacina para evitar.

 

A prevenção consiste no diagnóstico de todas as pessoas o mais rápido possível, e tratar para que as pessoas evitem a transmissão, bem como examinar todos os contatos, especialmente os domiciliares. A transmissão da doença deixa de ocorrer no início do tratamento.

 

Já entre as mulheres, durante o período gestacional, a imunidade diminui, deixando a mãe mais predisposta a apresentar os sintomas da doença. Uma mulher que tem hanseníase, mesmo que em tratamento, pode enfrentar problemas na gestação, com o agravamento da doença. Além disso, o bebê corre o risco de nascer prematuro e com baixo peso, além de poder apresentar sequelas. A mãe também pode sofrer algumas ocorrências indesejadas, como a pré-eclâmpsia e a anemia.

 

O recomendado é que a mulher evite engravidar no período em que está fazendo o tratamento e planeje o bebê para depois que estiver definitivamente curada. Mas, caso a mulher engravide estando infectada, ela deve procurar o serviço médico para que o tratamento seja iniciado.

 

Tratamento

Caso a mãe já esteja fazendo o tratamento, ele não deve ser interrompido. No período da gestação, a mulher infectada, além de ter o acompanhamento de um obstetra, deve ter o apoio de um dermatologista. O acompanhamento de uma gestante com hanseníase deve ser muito maior que o realizado em uma mulher que não apresente a enfermidade.

 

Amamentação

As mulheres que estiverem amamentando seus filhos não devem parar de tomar a medicação. Nem a gravidez e nem o aleitamento contraindicam o tratamento padrão para a doença. Os remédios podem estar presentes no leite materno, mas não causam nenhum problema para a criança.

 

Em 2025, as diretrizes de saúde reforçam que a hanseníase na gestação tem cura, e o tratamento com a Poliquimioterapia (PQT) deve ser mantido, pois é seguro para a mãe e para o bebê. A interrupção do tratamento por medo pode causar danos permanentes, como a exacerbação da doença e lesões nervosas. O combate à doença requer estratégias integradas, ampliação do acesso à saúde e enfrentamento do estigma associado à hanseníase.

 

Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.

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