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29.01.2026 | 11h39

O papel do ortopedista na prevenção de deformidades e incapacidades causadas pela hanseníase

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Mara Gonçalves

Divulgação

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A hanseníase permanece como um relevante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em estados endêmicos como Mato Grosso. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento medicamentoso, ela ainda é responsável por elevado número de incapacidades físicas, muitas delas permanentes e evitáveis. Nesse contexto, o mês de janeiro, marcado pela campanha Janeiro Roxo, reforça a importância da conscientização e do diagnóstico precoce, destacando também o papel fundamental da ortopedia na prevenção e no tratamento das sequelas musculoesqueléticas associadas à doença.


Embora tradicionalmente associada à infectologia e à dermatologia, a hanseníase apresenta impacto direto sobre o sistema neuromusculoesquelético, fazendo com que o ortopedista tenha atuação decisiva tanto na identificação precoce da doença quanto na abordagem das deformidades e limitações funcionais decorrentes.


Causada pelo Mycobacterium leprae, a doença infecciosa é caracterizada principalmente pelo acometimento da pele e dos nervos periféricos, de evolução lenta e, muitas vezes, silenciosa, favorecendo o diagnóstico tardio e aumentando o risco de incapacidades físicas.


O comprometimento neural progressivo leva à perda de sensibilidade, fraqueza muscular e alterações autonômicas, fatores diretamente relacionados ao surgimento de deformidades ortopédicas. Para o ortopedista, compreender essa fisiopatologia é essencial, uma vez que muitas manifestações iniciais da hanseníase se apresentam como queixas musculoesqueléticas aparentemente inespecíficas.


As manifestações ortopédicas da hanseníase são variadas e podem acometer diferentes segmentos do aparelho locomotor, atingindo principalmente os membros superiores e inferiores. A perda de sensibilidade plantar favorece o surgimento de úlceras crônicas, frequentemente associadas a infecções profundas, osteomielite e, em casos avançados, amputações. A artropatia neuropática, conhecida como articulação de Charcot, também pode ocorrer, levando a deformidades graves e instabilidade articular.


Muitos pacientes com hanseníase procuram inicialmente o atendimento ortopédico devido a queixas como dormência, fraqueza muscular, deformidades progressivas ou dor de característica neuropática. E ao identificar sinais de alerta, o profissional deve despertar a suspeita clínica da condição.


O manejo adequado da hanseníase exige atuação integrada entre ortopedistas, infectologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e outros profissionais da saúde. A abordagem multidisciplinar é essencial para o acompanhamento longitudinal, a reabilitação funcional e a reinserção social dos pacientes.


Mato Grosso permanece entre os estados brasileiros com alta endemicidade para hanseníase, o que reforça a responsabilidade dos profissionais de saúde, especialmente dos ortopedistas, na identificação precoce e no manejo das sequelas.


Nesse cenário, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), regional Mato Grosso, desempenha papel essencial na disseminação de conhecimento e na valorização da atuação ortopédica como ferramenta de prevenção de incapacidades.


O ortopedista tem papel decisivo no diagnóstico precoce, na prevenção de deformidades e no tratamento das incapacidades físicas associadas à doença. O Janeiro Roxo representa uma oportunidade estratégica para reforçar a conscientização, promover educação médica continuada e fortalecer o compromisso da ortopedia com a saúde funcional e a dignidade dos pacientes acometidos pela hanseníase.


Mara Gonçalves é médica ortopedista, especialista em Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia da Mão, atual Presidente da SBOT-MT 

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