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05.01.2026 | 11h34

Precisa não

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Roberta D'Albuquerque

Divulgação

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Acabo de ver um videozinho no instagram que me fez pensar. Era o Michael Stipe do R.E.M escutando o primeiro trecho de Losing my religion, lançada pela banda em fevereiro de 91. Só a voz sem nenhum instrumento. Ele põe a língua pra fora, franze a testa, faz que não com a cabeça, murmura como quem não gostou de se ouvir, que nem a gente quando dá play no próprio áudio de WhatsApp. A única diferença é que o dele é lindo de se ouvir. Pra mim, pelo menos.

 

Meio comovente até. Só os primeiros versos. Oh, life is bigger/ It´s bigger than you/ And you are not me/ The lengths that I will go to/ The distance in your eyes. Quando acaba ele diz o óbvio: foi difícil se ouvir. Uma voz pergunta por que, e ele responde que é “muito nu, cru, sem suporte".

 

Fiquei pensando nesse “sem suporte”. Numa pesquisa rapidinha sobre a música, soube que foi composta a partir do bandolim do Peter Buck, guitarrista da banda. Ele tinha comprado um bandolim pra tentar aprender, estava assistindo televisão enquanto tocava e se saiu com o primeiro trechinho de Losing My Religion que ficou 21 semanas no Top 100 da Billboard, ganhou Grammy de melhor performance e melhor vídeo musical e ainda 6 categorias para o clipe no MTV Music
Awards. As gravações, que começaram em setembro de 90, no Sound Scape Studio, duraram semanas, mas o vocal de Michael Stipe saiu em uma única tomada. À banda original se juntaram um segundo guitarrista e membros da Atlanta Symphony Orchestra.

 

Imagina o tanto de gente. Técnicos de som, arranjadores, produtores, o pessoal que limpou o estúdio, os eletricistas que montaram a fiação, o povo que cuidou dos instrumentos, os que organizaram as refeições dessas semanas, a galera do hotel onde eles ficaram hospedados, sei lá se moravam lá, os motoristas de táxi que levaram essa gente de um canto pro outro, os produtores, os empresários, os secretários dos produtores e empresários, a equipe do clipe, figurino, maquiagem, direção de fotografia, cinegrafistas, direção de arte, roteiro. Tudo isso pra 4 minutos e 25 segundos.

 

Eu amava R.E.M, amava essa música. Ganhei um CD deles em 94 e ouvi aos 4 minutos e tanto umas mil vezes. Esse “you are not me” eu cantava numa força. Não é à toa que Stipe se estranhe sozinho. A música sem ter quem a escute, quem a cante, quem faça junto é muito nua mesmo. Sem suporte.


Gosto de pensar que você não é como eu, nem eu como você, mas a gente sem o outro é crueza de mais. Precisa não. Boa semana, queridos.

 

Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br

 

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