Publicidade

Cuiabá, Domingo 06/09/2026

Colunas e artigos - A | + A

01.04.2026 | 11h37

Saúde mental no radar da fiscalização trabalhista

Facebook Print google plus

Alan Dantas

Divulgação

Divulgação

O Brasil pode registrar mais de meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais em 2025, segundo estudo da Caju. O levantamento apurou e consolidou dados do INSS e do Ministério da Previdência Social, indicando aumento de 13,7% na média mensal de afastamentos em relação a 2024, quando eram 39,3 mil casos por mês. Esse é o maior número registrado em dez anos, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social e mostram que a epidemia de problemas relacionados à saúde mental no trabalho passa a ser um dos principais desafios enfrentados pelas empresas no Brasil. O cenário pode ser ainda mais desafiador, conforme evidenciam pesquisas comportamentais.

 

Levantamento realizado pela consultoria Robert Half, em parceria com a The School of Life, em 2025, mostra que 45% dos profissionais afirmam estar emocionalmente abalados no ambiente de trabalho.


A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) se torna, neste contexto, uma virada extremamente importante. Incluir formalmente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), inserindo definitivamente a saúde mental no campo do compliance em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) foi uma decisão fundamental para melhor delimitar limites importantes no ambiente de trabalho. O que antes era nuance e linha tênue passa a ter clareza. A título de exemplo, falo aqui de elementos como sobrecarga de trabalho, metas incompatíveis com os recursos disponíveis, jornadas prolongadas, falhas de comunicação, conflitos recorrentes, liderança disfuncional e situações de assédio, que agora exigem identificação, avaliação, controle e monitoramento sistemático, com método, evidências e rastreabilidade.


A partir de 26 de maio, a Inspeção do Trabalho passará a autuar empresas em desconformidade com a normativa. Mas o aspecto mais importante, muitas vezes negligenciado, é que os próximos meses devem ser usados pelas empresas para estruturar processos internos, e não apenas documentos. Não basta um programa de gestão de riscos (PGR) formal. O GRO deve ser um processo contínuo e sistemático de identificação de perigos, avaliação e controle de riscos ocupacionais. Assim, é necessário demonstrar um ciclo de gestão ativo, com identificação, avaliação, tratamento, acompanhamento e revisão periódica dos riscos.


Os riscos psicossociais decorrem da maneira como o trabalho é organizado e gerido. Quando não controlados, tendem a gerar impactos diretos no negócio, que incluem o aumento dos afastamentos e da rotatividade, queda de produtividade, perda de qualidade e crescimento do passivo trabalhista e reputacional. É justamente por esse efeito sistêmico que o tema passou a ser tratado como risco ocupacional.


É um erro comum tratar o PGR como um documento de prateleira. E esse erro custará mais caro a partir de 2026. A fiscalização deve ir além da verificação formal, avaliando se o inventário de riscos reflete a realidade e o plano de ação tem corpo fora do papel, exigindo das empresas a capacidade de evidenciar como identifica e trata fatores como pressão excessiva, conflitos e assédio.


Isso significa que, como resposta prática às novas exigências da NR-1, é preciso pensar em soluções estruturadas que permitam transformar a obrigação regulatória em vantagem estratégica. O levantamento sistemático desses riscos fornece base técnica e jurídica para os próximos passos. O plano de ação individualizado, com medidas objetivas como treinamentos de lideranças — inclusive alinhados à Convenção nº 190 da OIT —, implementação ou fortalecimento de canais de denúncia e monitoramento contínuo será o passo chave para reduzir passivos trabalhistas e riscos de autuação. Essa abordagem gera benefícios concretos, impacto positivo na reputação, maior transparência e o posicionamento da empresa como organização cidadã, comprometida com a saúde mental, o meio ambiente do trabalho e a conformidade legal.


A adequação não exige burocratização excessiva, o que é uma boa notícia. A abordagem mais eficaz é tratar os riscos psicossociais como riscos de processo, mapeando pontos críticos da organização do trabalho e adotando medidas objetivas, como ajustes de metas e capacidade operacional, treinamento de lideranças, regras claras sobre comunicação fora do expediente, protocolos de mediação de conflitos, fortalecimento de canais de denúncia e monitoramento por indicadores como absenteísmo, turnover e afastamentos.


O tempo urge e passou da hora de as empresas colocarem a transparência e a rastreabilidade no cerne da gestão do risco psicossocial. Esperar a fiscalização bater à porta, a partir de maio, é assumir um grande risco jurídico e operacional, cujo reflexo se dá no aumento dos custos e na redução da capacidade de comprovação.


Alan Dantas é advogado especialista em Direito Trabalhista, no Marcos Martins Advogados.

 

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Você sabe as atribuições de cada cargo em disputa este ano?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Domingo, 06/09/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.