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18.08.2026 | 10h11

Sol, feriado ou um grande show; a IA já ajuda restaurantes a prever o próximo pico de demanda

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Carlos R. Drechme

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Aplicativos de delivery, cardápios digitais, programas de fidelidade, pedidos online e redes sociais passaram a fazer parte da operação de praticamente todo negócio do setor de food service. Essa foi a primeira grande onda da digitalização, responsável por aproximar restaurantes dos consumidores, ampliar canais de venda e transformar a forma como o setor se relaciona com seus clientes.


Mas uma nova fase dessa evolução começa a ganhar força ao redor do mundo com o uso da inteligência artificial.
Trata-se de uma segunda onda de transformação, que chega em um momento particularmente oportuno. De um lado, o consumo de alimentação fora do lar segue em expansão. De outro, o consumidor se tornou mais complexo, exigente e diverso em seus hábitos. Diferentes gerações passaram a conviver no mesmo mercado, com expectativas distintas sobre conveniência, experiência, velocidade, atendimento e relacionamento, criando novos desafios para a gestão dos estabelecimentos.


Uma pesquisa apresentada recentemente na ACOMXperience, evento em que reunimos clientes e parceiros da ACOM, mostrou que 64% dos brasileiros consomem alimentos fora do lar ou fazem pedidos entre uma e três vezes por semana. Ao mesmo tempo, apresentam perfis bastante distintos como consumidores. Enquanto parte do público prioriza rapidez, conveniência, aplicativos e autonomia na jornada de compra, outra parcela continua valorizando a experiência, relacionamento, conforto e atendimento presencial.


Para os restaurantes, isso significa lidar com um cenário mais desafiador do que nunca. Não basta apenas atender bem. É preciso compreender o momento, conhecer os diferentes perfis de consumo, responder rapidamente às mudanças de comportamento e operar com eficiência.


É justamente nesse contexto que a inteligência artificial começa a assumir um papel estratégico.


Durante décadas, muitas decisões dentro de restaurantes dependeram da experiência do gestor. Compras, planejamento de produção, reposição de estoque, formação de preços e previsão de demanda eram atividades baseadas principalmente em histórico, percepção e conhecimento acumulado ao longo dos anos.


Agora, a inteligência artificial consegue analisar simultaneamente informações que seriam impossíveis de ser processadas manualmente em tempo hábil. Histórico de vendas, sazonalidade, clima, feriados, datas comemorativas, comportamento de consumo e até eventos programados nas proximidades do estabelecimento passam a fazer parte da tomada de decisão. Na prática, o restaurante deixa de reagir aos acontecimentos para começar a antecipá-los.


Por exemplo, se a previsão meteorológica indica uma sequência de dias quentes, a plataforma consegue identificar padrões históricos e sugerir ajustes de compra e produção. Se um grande show, feira ou evento esportivo está programado para ocorrer nas proximidades, o sistema passa a considerar esse fator na projeção de demanda.


O resultado se traduz em comprar melhor, reduzir desperdícios, evitar rupturas de estoque, ajustar equipes e aumentar a previsibilidade financeira.


Outra grande mudança que a inteligência artificial traz é na forma como os empresários acessam informações. Durante muito tempo, sistemas de gestão exigiam conhecimento técnico para gerar relatórios, interpretar indicadores e transformar dados em decisões. Mas agora essa barreira está sendo reduzida.


Estamos caminhando para um cenário em que o gestor simplesmente conversa com o sistema.


Perguntas como "qual foi meu prato mais vendido?", "qual unidade apresentou melhor desempenho?", "quanto preciso comprar para a próxima semana?" ou "quais produtos apresentam maior margem?" passam a ser respondidas instantaneamente.


Pela primeira vez, não é o gestor que precisa aprender a linguagem da tecnologia. É a tecnologia que começa a falar a linguagem do gestor. E essa talvez seja a principal transformação em curso. A inteligência artificial está democratizando o acesso à gestão, à inteligência de negócios e a decisões mais estratégicas.


Enquanto isso, empresários podem se dedicar mais ao que continua sendo o verdadeiro diferencial do setor: a experiência oferecida ao cliente. Porque o atendimento e o relacionamento continuarão humanos, mas a inteligência que sustenta essa operação será cada vez mais artificial.

Carlos R. Drechmer é CEO da ACOM Sistemas

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