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07.07.2017 | 00h00

Tradição Chiquitana

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Os índios Chiquitano, vivem na fronteira do Brasil com a Bolívia, na terra indígena denominada de Portal do Encantado, localizada na parte sudoeste do estado de Mato Grosso, abrangendo áreas dos municípios de Porto Esperidião, Pontes e Lacerda, Cáceres e Vila Bela da Santíssima Trindade.

O povo indígena Chiquitano que se estabeleceu nesta região de fronteira do Brasil com a Bolívia, passou ao longo de décadas por diferentes formas de violência física e simbólica, que forçou o deslocamento de uma grande parte da população indígena para a periferia das cidades de Porto Espiridião e Cáceres. Mesmo com uma trajetória histórica marcada por dispersões entre os Chiquitano, passando a viver fora das aldeias e comunidades da fronteira, resistiram ao longo de décadas ao processo avassalador do cotidiano das cidades modernas, que impõe a forma de viver dos não indígenas.

Um exemplo de resistência consiste na prática cultural da dança do curusé, realizada uma vez ao ano, na semana de carnaval, onde podemos observar os signos e símbolos que reforçam os laços de solidariedade e congraçamento entre o grupo tendo, portanto, significados que possibilitam compreender a organização social, cultural e política do povo Chiquitano.

O curusé, na aldeia dos índios Chiquitano, começa a ser preparado algumas semanas antes dos dias do carnaval, por meio de reuniões onde são distribuídas tarefas para pessoas ou famílias como pesca, caça, preparação de bebidas e comidas. A animação da festa fica por conta dos tocadores de fifano, flauta e caixa, que durante os quatro dias de carnaval visitam todas as casas da comunidade, que recebem os animados festeiros com muita bebida de chicha de milho ou de mandioca e alimentos como a patasca, picadinho de mandioca, bolo de arroz e carne assada.

A tradicional brincadeira de jogar lama e tinta uns nos outros não pode faltar, apesar da aparência estranha desta maneira de diversão, tudo transcorre com muita alegria e tranquilidade.

No terceiro dia acontece o ponto alto das comemorações dos Chiquitano no período do carnaval, que consiste num antigo ritual chamado de purificação, ou seja, no final da tarde todos reúnem no pátio da aldeia para começar a tradicional "surra", onde os avós e os pais, com uma corda de couro torcida, podem dar chicotadas nos filhos, no máximo três, para purificar o corpo, tirando o mal cometido o ano todo, bem como toda mágoa que tiver entre as pessoas.

No dia seguinte a festa continua, encerrando na noite do quarto dia, com todos exaustos, mas felizes de ainda continuarem mantendo viva uma das tradições do povo Chiquitano.

Elias Januário é educador, antropólogo e historiador, escreve às sextas-feiras em A Gazeta. e-mail: eliasjanuario@terra.com.br

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