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13.10.2026 | 09h04

Turismo 60+; um mercado que Mato Grosso precisa enxergar

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Amanda Maciel

Reprodução

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O Brasil está envelhecendo, e essa transformação demográfica também precisa mudar a forma como pensamos o turismo. Segundo o Censo 2022 do IBGE, mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, representando 15,8% da população. É um público crescente, ativo e que chega à maturidade com novos desejos, entre eles viajar, conhecer lugares, conviver, experimentar e aproveitar melhor o tempo.

 

Para muitas pessoas, a aposentadoria representa justamente a possibilidade de fazer aquilo que durante décadas foi adiado pelo trabalho, pela criação dos filhos e pelas responsabilidades do cotidiano. Viajar passa a fazer parte dessa nova fase. E não estamos falando de um público que quer apenas descansar. Ele quer se divertir, dançar, conhecer novos sabores, contemplar a natureza, participar de atividades culturais, encontrar amigos e viver novas experiências.

 

Essa mudança abre uma importante oportunidade para o turismo. O público 60+ possui uma característica especialmente interessante para o setor: maior flexibilidade para escolher quando viajar. Muitos aposentados não dependem das férias escolares ou dos períodos tradicionais de férias e podem viajar durante a semana e na baixa temporada. Isso contribui diretamente para reduzir a sazonalidade, aumentar a ocupação de hotéis, movimentar restaurantes, atrativos, transportadoras, guias, agências e outros negócios turísticos ao longo do ano.

 

Em Mato Grosso, essa oportunidade é ainda maior. Temos natureza, águas termais, parques e balneários, cultura, religiosidade, gastronomia regional, artesanato, espaços de lazer, propriedades rurais e uma grande diversidade de experiências que podem ser organizadas em roteiros para esse mercado. Pantanal, Chapada dos Guimarães e Cuiabá são referências conhecidas, mas existe um enorme potencial também no interior do Estado, inclusive para viagens regionais de curta duração.

 

Experiências já realizadas em municípios como Sinop, Sorriso e Nova Mutum mostram que é possível combinar parques aquáticos, gastronomia, arte sacra, cultura, lazer e convivência em roteiros especialmente pensados para pessoas acima dos 60 anos. Da mesma forma, regiões de águas termais, como Juscimeira e São Lourenço de Fátima, possuem grande afinidade com esse mercado.

 

Mato Grosso já deu também um passo importante ao instituir, por meio da Lei Estadual nº 11.942/2022, o Selo do Amigo da Melhor Idade no Turismo. A legislação está em vigor e estabelece diretrizes para estimular a adequação de empreendimentos e serviços turísticos às necessidades desse público, além de reconhecer a importância do segmento para a redução da sazonalidade. No entanto, a iniciativa ainda aguarda a abertura do processo para que os empreendimentos possam participar e ser divulgados dentro da proposta do selo. Sua efetiva implementação poderá representar um importante estímulo para que mais empresas se preparem para receber o turista 60+ com qualidade, conforto e acessibilidade.

 

Em Mato Grosso, já existem agências especializadas no atendimento ao público 60+, com excursões e pacotes regionais desenvolvidos especialmente para esse perfil de viajante. Essas experiências comprovam que existe demanda e que o mercado já começou a se organizar para atendê-la. O próximo passo é ampliar a oferta de roteiros, experiências e serviços preparados para esse público em diferentes regiões do Estado.

 

E desenvolver turismo para pessoas com mais de 60 anos não significa criar viagens limitadas ou sem atividades. Significa oferecer conforto, segurança e escolhas. O público é diverso: há pessoas extremamente ativas e outras que precisam de maior atenção à mobilidade. Por isso, roteiros bem planejados devem considerar ritmo adequado, períodos de descanso, transporte confortável, acessibilidade, alimentação, acompanhamento, informações claras e profissionais preparados para atender esse viajante.

 

Talvez o maior desafio seja justamente deixar de enxergar esse público a partir dos estereótipos do envelhecimento. Estamos falando de consumidores que desejam continuar vivendo experiências e que têm cada vez mais participação na sociedade e no mercado.

 

Nosso estado já possui muitos dos atrativos necessários. Agora precisamos transformar esse potencial em produtos turísticos estruturados, acessíveis e comercializáveis, estimulando municípios e empresários a olhar com mais atenção para essa nova realidade. O turismo 60+ não é apenas uma tendência.

 

É um mercado que cresce junto com a população brasileira. Investir nele significa promover inclusão, qualidade de vida, desenvolvimento econômico e movimentação turística durante todo o ano. Criar oportunidades de viagem para quem chegou à aposentadoria é reconhecer uma geração que tem tempo, disposição, curiosidade e muita vida pela frente.    

 

*Amanda Maciel Turismóloga, especialista em Cultura da Inovação e consultora em turismo.

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