15.04.2007 | 03h00
Onicofagia. Este é o nome científico destinado a quem tem o péssimo hábito de roer as unhas. Elas têm como função proteger as pontas dos dedos e aumentar a capacidade das mãos para pegar pequenos objetos. O hábito de roer as unhas começa desde a infância, quando a criança começa a chupar os dedos e é incentivado pela família que acha "bonitinho" a atitude do bebê. Já na adolescência, o ato de chupar os dedos se torna algo infantilizado e então é mudado por roer as unhas.
Nessa fase é conhecida pelos pais como a fase turbulenta em que há mudança no comportamento e temperamento desse indivíduo. O jovem deixa de ser criança mas ainda não é um adulto e com tanta ansiedade ele começa a roer as unhas e por fim, adquire o vício.
Os motivos para os adolescentes roerem as unhas são vários: problemas com os paqueras, cobrança para tirar notas boas nas provas, pressão por causa do vestibular e até mesmo quando ele assiste a um filme. Por tudo isso e muito mais o jovem fica ansioso e acaba descontando nas unhas. Essa é uma forma inconsciente de alivio da tensão.
"A maioria dos nossos clientes que tem as unhas roídas é adolescente. Acredito que seja porque eles ficam nervosos com mais facilidade" afirma a manicure Rute de Oliveira.
O limite entre a normalidade e a doença não é fácil de ser delimitado. O primeiro sintoma está nas próprias unhas. Para que o fato de roer unha possa ser considerado uma doença a pessoa precisa necessariamente roer todas as unhas, sem diferenciação. Há pessoas que roem a unha até sangrar.
Para o estudante Glauber Lorroyed, 20, o hábito de roer as unhas começou cedo, quando ele tinha apenas 14 anos. "Eu comecei a roer as unhas cedo porque eu senti muito nervosismo e fiquei muito ansioso. Hoje em dia eu só tenho esse problema quando estou jogando o videogame ou quando estou assistindo a algum filme".
"No momento em que estou roendo as unhas eu sinto um alívio e ao mesmo tempo fico com raiva. Eu tentei parar mas quando vem a ansiedade estou roendo as unhas", contou a estudante Jéssica Lima, de 15 anos.
"Roer as unhas deve fazer algum mal mas, não sei o que isso pode gerar" afirma a estudante Aline Rocha (13).
Problemas - Então, para quem não sabe, roer unha pode trazer problemas além de dedos feios e esquisitos. Um deles é transportar germes que vivem nas unhas para a boca o que causa micoses e infecção. Além disso, uma pessoa que rói as unhas por um longo período de tempo pode ocasionar desgastes do esmalte dos dentes e com isso fica mais propenso a ter cáries.
"O hábito em si é um indício de que o adolescente não está sabendo lidar com a frustração e assim ele tem esse comportamento. O ato de roer unha se não for tratado cedo pode evoluir para algo mais grave como o Transtorno Obsessivo Compulsivo" alerta a Psicóloga Zelita Ribeiro.
Como tratar - Calma, você pode se livrar deste vício, desde usando métodos caseiros - usar óleo de oliva ou óleo secante sobre as unhas. O óleo amolece e dificulta o impulso de roê-las; passar pimenta nas unhas e usar um esmalte que vem com cheiro ruim, vendido em farmácia de manipulação. Se a origem for emocional, aí há o tratamento com psicólogo.
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