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06.09.2007 | 03h00

Câncer infantil causa mais sofrimento

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O câncer pode atingir desde idosos até adultos e crianças recém-nascidas. Porém, quanto menos idade se tem mais comoção essa doença gera na sociedade. O câncer infantil, por exemplo, causa 160 mil mortes, por ano, no mundo todo, segundo a União Internacional Contra o Câncer (UICC). Essa é a segunda causa de morte natural de crianças mais comum no mundo todo. Os acidentes ocupam o primeiro lugar no topo do ranking de mortalidade infantil. No Brasil, o câncer infantil é a terceira causa mais comum de morte de crianças com até 14 anos.

Mas, para se ter uma idéia da gravidade da situação, nos países desenvolvidos a mortalidade de crianças que têm câncer é de 25%. Em nações em desenvolvimento esse percentual pode chegar a 80%. O Brasil não tem motivo para se orgulhar do seu percentual, mas ele está abaixo dos países em desenvolvimento. No Brasil, morrem cerca de 40% das crianças que têm câncer. A maioria consegue ser curada: 60%. Isso dentro de um quadro em que 12 mil crianças desenvolvem algum tipo de câncer, anualmente.

O câncer infantil tem algumas diferenças do câncer de adultos. Em crianças, a doença geralmente começa em tecidos que dão sustentação para o corpo como músculos, ossos e sangue. No adulto, a doença começa normalmente nos tecidos de revestimento ou epitélio de várias partes do corpo. Se comparados os dois casos, o câncer infantil é bem mais sensível. E mais: se for diagnosticado em fase inicial, geralmente, responde bem ao tratamento.

Entretanto, algumas peculiaridades nada agradáveis chamam a atenção para o câncer infantil. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, de fevereiro de 2000, mostrou que as crianças com câncer sofrem muito no último mês de vida. Isso acontece porque o tratamento da doença é muito agressivo. Além disso, há muitos efeitos colaterais.

No estudo, os autores entrevistaram 103 pais que perderam filhos com câncer. Eles enfatizaram como havia sido o último mês de vida da criança. A entrevista aconteceu três anos após a morte dos filhos. Eles usaram também dados adicionais dos prontuários. Os autores do trabalho notaram que, na fase final da doença, o tratamento era muito agressivo. Por isso, as crianças com câncer sofriam mais neste estágio.

O câncer infantil somente pode ter um índice menor de mortalidade, se descoberto em fase inicial. Assim, como outros tipos de câncer. Atualmente, estima-se que menos da metade das crianças com câncer chegam aos centros de tratamentos multidisciplinares para tratar desta doença. Os motivos são os mais variados: falta de informação, falta de investimento do governo em centros de tratamento da doença, falta de investimento de empresas em projetos que beneficiem seus funcionários com esses centros e falta de campanhas que abordem mais a questão tanto na esfera pública como privada.

Se o percentual de diagnósticos da doença em fase inicial fosse maior, muito mais crianças poderiam ser curadas. E ainda: seria evitado desta forma o sofrimento de pais, familiares e amigos dessa criança. Além disso, os gastos com a saúde pública seriam menores. Os países pobres, já sem recursos financeiros em diversas áreas, acabam gastando mais quando as crianças ficam internadas por um longo tempo. O tratamento sai mais caro para o bolso do governo. O sofrimento e os gastos podem ser reduzidos, mas depende do preço da boa vontade tanto do poder público quanto do privado. Resta saber se eles estão dispostos a pagar este preço.

Arlindo Aburad é dentista, doutor em Patologia Bucal pela USP e presidente da Comissão de Ensino e Pesquisa do Hospital do Câncer de Mato Grosso.

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