09.04.2006 | 03h00
Ruas pavimentadas, água encanada, creche, comércio abundante. Essas são algumas conquistas enumeradas pelos moradores nos 23 anos de fundação do bairro Tijucal. Como os primeiros habitantes chegaram ao local no final de março de 1983, mas a inauguração oficial do bairro ocorreu em abril, não existe um dia específico de aniversário que é comemorado no primeiro domingo deste mês. Com cerca de 25 mil habitantes, o principal problema do bairro, que mais parece uma cidade, é a escasses de saneamento básico e esgoto a céu aberto, afirma o presidente de bairro, José Carlos de Barros, conhecido popularmente por "Paulinho".
Há 3 anos na presidência, Barros diz que já reclamou várias vezes sobre a questão e sempre obtém a mesma resposta: "Eles falam que vêm, mas nunca aparecem. Como existem muitos bairros sem nenhum saneamento básico, acabam deixam nós que temos um pouquinho para depois".
Junto com a falta de rede de esgoto surge o problema de escoamento das águas das chuvas que não tem para onde ir e invadem as casas. "Nas ruas 315 e 403 tem pelo menos 15 famílias que perderam tudo na última chuva".
Para resolver a questão do saneamento básico, a Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) se compromete em visitar o bairro para ver quais são as necessidades da população e atender da forma mais rápida possível.
Mesmo apresentando alguns problemas, atualmente o Tijucal possui um amplo trabalho na área da educação. As mães con
e em breve mais uma será inaugurada pela prefeitura. Além disso, a cabo da Polícia Militar, Leonice, explica que o projeto Jovens Unidos Para um Brasil Melhor - PM Júnior - vem sendo desenvolvido no bairro para evitar que as crianças fiquem ociosas.
No período em que não estão na escola, cerca de 130 jovens, tanto meninas quanto meninos, participam de atividades esportivas como karatê e capoeira. Barros destaca ainda que por meio de uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade de Cuiabá (Unic) conseguiu professores de português e matemática para ensinar as crianças, em uma espécie de aula de reforço.
Para que o PM Júnior atenda mais participantes, Barros busca ajuda junto ao poder público e empresariado. "Precisamos de estrutura. De uma área coberta e cimentada para as crianças ficarem mais a vontade". Ele aguarda a resposta da Secretária Municipal de Bem Estar Social, onde solicita uma colaboração para a merenda dos jovens. "Eles passam muito tempo aqui e precisam se alimentar".
A secretaria está disposta a ajudar e pede a apresentação detalhada do projeto com a quantidade de participante, horários de funcionamento, atividades desenvolvidas. Com o documento em mãos, o órgão poderá entender as necessidades e ver como poderá resolver as questões.
Outra conquista do bairro é a instalação do posto de saúde e da clínica dentária. O que falta melhorar é a quantidade de vagas, uma vez que a oferta é pouca em relação ao número de habitantes. "Atendemos também moradores de outros 11 bairros. É importante ampliar a quantidade de vagas tanto no posto de saúde quanto na clínica dentária".
Além de mais vagas, segundo Barros, o posto precisa de médicos pediatra, ginecologista e clínico geral. "Já reclamei na saúde e eles disseram que não tem profissional disponível".
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirma a afirmação de Barros, e ressalta que há vagas para contratação de médicos, mas não há profissionais que queiram atender pelo Sistema Único de Saúde. A SMS afirma ainda que trabalha para melhorar o setor e busca soluções para o problema, que segundo a assessoria, ocorre em todo o país.
Em relação a violência, a opinião dos moradores se divergem. O aposentado Walter Emílio Nalon, 47, morador do bairro há 12 anos, conta que teve a casa invadida por 5 pessoas armadas. No assalto, os ladrões levaram R$ 5 mil e fizeram refém toda a família. "Desde que tiraram os postos de policiamento a violência aumentou por aqui, essa gangue que me assaltou já fez várias vítimas".
Em defesa ao bairro, Gilberto de Fátima Brandão, 52, diz que os comandantes de polícia se esforçam bastante para manter a segurança no bairro. Ele ressalta que em outras épocas, a polícia não tinha nem gasolina para atender as ocorrências. "Hoje temos policiamento de moto. De cada 10 assaltos, bandidos de pelo menos 8 são presos".
Primeiro farmacêutico do Tijucal, Brandão relembra como era o bairro há 23 anos, época em que saiu de São Paulo para montar farmácia aqui. "Antes não existia água encanada, buscávamos de balde. Vim de São Paulo direto para o Tijucal. Se eu sair do bairro vai ser para voltar a minha terra. O clima aqui é bom, temos uma brisa deliciosa".
Brandão fala com carinho do lugar, onde criou os 2 filhos. "Todos os bairros têm problemas. Por aqui houve muita evolução e aguardamos melhoras do atual prefeito, que promete ter o mandato da virada do século. Esperamos que esses políticos tenham ética e saibam lidar com a população".
Para comemorar tantas conquistas o projeto Viva Seu Bairro, do Grupo Gazeta de Comunicação, fará a festa hoje no Centro Comunitário do bairro, a partir das 17h. Para embalar a multidão, a banda Toque de Prazer, Anselmo e Rafael e Grupo Capuraginga marcarão presença. O quadro Caça Talentos também fará parte do evento.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.