Publicidade

Cuiabá, Sexta-feira 03/04/2026

Cidades - A | + A

21.01.2007 | 03h00

"Flanelinha" consegue R$ 900 por mês nas ruas de Cuiabá

Facebook Print google plus

Um "flanelinha" ganha cerca de R$ 900 por mês para cuidar de carros nas ruas de Cuiabá. A atividade movimenta, entre os 68 "cuidadores de carro" que atuam no centro da cidade, pelo menos R$ 60 mil mensal. Sem chefe para prestar contas, horário para cumprir e impostos a pagar, esse tipo de trabalho alimenta a "indústria da esmola" em Cuiabá. A situação desagrada à maioria dos motoristas, que se vêem obrigados a pagar a quantia exigida por um serviço que não oferece nenhum tipo de garantia.

Um cadastro feito pela Secretaria Municipal de Assistência Social aponta que nas principais ruas e avenidas da Capital existem 68 pessoas que atuam como "flanelinha". O número não contabiliza os trabalhadores noturno, que atuam próximo a bares, casas de festa e shows da cidade. As crianças que ficam pedindo nos sinaleiros também não fazem parte do cadastro.

O sociólogo Naldson Ramos explica que o cenário é reflexo da sociedade brasileira, que é injusta e desigual. "A maioria dessas pessoas tem baixo nível de escolaridade e não possue nenhuma qualificação. A rua acaba sendo um local para buscar a sobrevivência. Existem duas alternativas: a esmola ou a criminalidade".

Ramos destaca que o tipo de atividade cresceu muito porque uma parcela da população percebeu que é mais fácil pedir ao invés de buscar outros meios de trabalho para manter a sobrevivência.

O secretário de Assistência , Edivá Alves, afirma que foi realizada uma seleção entre os 68 flanelinhas cadastrados e oferecido um trabalho com carteira assinada (ver matéria abaixo), mas apenas 8 pessoas aceitaram a proposta. O salário oferecido pelo programa proposto pela prefeitura é de R$ 400, não sendo atrativo o bastante para esses trabalhadores informais que conseguem tirar até R$ 1 mil.

Usando um estacionamento público na avenida do CPA, Paulo César Rodrigues Moraes, 35, consegue juntar cerca de R$ 30 por dia. Ele afirma que o dinheiro é o suficiente para sustentar os 3 filhos. Rodrigues conta que há 20 anos faz o mesmo trabalho que é basicamente auxiliar o motorista no momento de estacionar e na hora de sair, além de colocar um papelão no parabrisa para fugir do calor do sol.

"Trabalho o dia todo aqui e a noite junto latinha. Consigo juntar um pouco mais que um salário. As vezes consigo ganhar até R$ 1 mil por mês e guardo uns R$ 400. Não exijo um valor fixo do cliente, ele dá o quanto ele pode".

Embora afirme não querer um emprego fixo, Rodrigues alega a falta de documentos para entrar no mercado formal de trabalho. Além do salário, ele destaca como vantagem de ser guardador de carros a falta de patrão.

Desde os 13 anos Joilson Almeida de Assis, 28, atua como "flanelinha". Além de cuidar dos carros, ele também lava e encera os veículos. Pelo serviço cobra R$ 5. "Às vezes o carro está muito sujo e a gente lava. Tem algumas pessoas que já são conhecidas e elas gostam que limpe o carro. Se não tiver dinheiro para pagar, não tem problema. Outro dia a pessoa volta e paga. A vantagem aqui é que o dinheiro é imediato. Todo dia tem, não precisa ficar esperando chegar o fim do mês".

Com o salário atrasado e a Carteira de Trabalho sem assinar pela empresa da qual era funcionário, Edemil Campos Francis, 22, largou o emprego e foi auxiliar Assis. Os dois atuam no mesmo ponto e prestam o mesmo tipo de serviço. Cada um consegue tirar aproximadamente R$ 30 por dia.

São vários os motivos de Edson Elias Paes Arrais para deixar o trabalho de adesivagem em uma empresa e ir para as ruas cuidar de carros. "Aqui não tem horário para cumprir, nem patrão para perturbar. Além disso, perdi meus documentos há 3 anos, mas eu gostaria de ter um emprego fixo". Pai de três crianças, Arrais conta que a rua garante o sustento da família.

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

O que você acha da obrigatoriedade de comprovar idade ao acessar redes sociais?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Sexta-feira, 03/04/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.