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14.04.2007 | 03h00

Lábio leporino pode levar recém-nascidos à morte

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A cada 2,5 minutos nasce uma criança com fissura no mundo, o que significa que, em 650 nascimentos, pelo menos um bebê tem má formação congênita por fissura ou lábio leporino. É o problema mais frequente no ser humano, inclusive entre a comunidade indígena. Se não tratada a tempo, pode acarretar diversos problemas de saúde e até a morte nos bebês recém-nascidos, por asfixia (a partir de alimentos) ou desnutrição.

As sequelas na vida adulta levam à exclusão social, pois envolvem pessoas que têm dificuldade para falar e apresentam deformação estética no rosto. Segundo a coordenadora do Serviço de Fissuras e Lábio Palatais da Universidade de Cuiabá (Unic) e professora do curso de Odontologia, Kátia Tavares Serafim, por algum motivo, até a 10ª semana (ou 3º mês) de vida intra-uterina, os processos palatinos não fecham para formar a boca. "A partir do 5º mês a situação se manifesta, e se diagnosticado, é possível começar o acompanhamento psicológico e ginecológico da mãe, para minimizar o impacto no nascimento da criança".

Kátia explica que, para obter sucesso, o tratamento geralmente precisa ter início logo após o nascimento. A partir dos dois meses de vida já é possível fazer a primeira cirurgia de correção da fissura labial. Até lá a mãe precisa aprender a amamentar e higienizar a boca da criança. A segunda cirurgia acontece aos 12 meses de vida, para fechar o palato (ou céu da boca). Nesse mesmo tempo, inicia-se tratamento com uma fonoaudióloga, senão a criança pode ficar fanhosa. Ainda na infância, a terceira cirurgia consiste num enxerto ósseo onde nascem os dentes, porque muitas vezes o osso ficou exposto e sem condições de calcificação adequada.

Kátia explica que geralmente são necessários utilização de aparelhos ortodônticos, para trazer os dentes para o local correto e até fazer implantes de dentes.

Na sua última etapa, entre 15 e 16 anos, os pacientes são submetidos a cirurgias plásticas e estético nasal (ortognáticas), para correção de alterações ósseas do maxilar e mandíbulas. Caso os procedimentos sejam sequenciais, a pessoa que nasceu com o problema levará uma vida social praticamente normal. Mas se isso não acontece é frequente a alteração de personalidade, que varia entre agressividade e timidez acentuada. "Geralmente são pessoas tristes, que se escondem e demonstram muita revolta", acrescenta a coordenadora.

Ciência não explica - Pelo menos 25% dos casos são hereditários, por acontecerem casamentos consanguíneos na família, desnutrição, uso de medicamentos sem receita médica ou drogas, tabagismo, diabetes e/ou estresse. Se unir fatores ambientais e as chances genéticas é mais provável que a má formação se manifeste, ainda assim, é possível tentar uma prevenção ao levar uma vida saudável, com alimentação balanceada, exercícios físicos regulares e tranquilidade.

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