16.05.2003 | 03h00
O mau cheiro do caminhão de lixo, para muitas pessoas, pode parecer insuportável, ao ponto de se indagarem como pode alguém trabalhar durante oito horas em contato com tal odor. No entanto, os garis asseguram que não acham nem um pouco ruim e garantem que se acostumam.
"Já me adaptei ao trabalho e nem sinto mais o cheiro. Tem gente que acha que é um serviço nojento, mas eu não acho", defende o gari Raimundo Gonçalves da Silva, 51 anos.
Ele trabalha há 12 anos coletando lixo e diz que não sente vontade de mudar de profissão. "Imagine se não tivesse ninguém para fazer este serviço, que não é para qualquer um. Tem pessoas que correm, quando vêem o caminhão para não sentir o mau-cheiro", revela.
Pai de quatro filhos, Raimundo trabalha das 15 às 22 horas da noite e mesmo assim não se queixa. "É uma coisa boa. Deus me deu este serviço". Porém, ele se queixa do preconceito das pessoas. "Tem gente que até nega água para beber".
Já o gari Geraldo Teixeira Duarte, 44 anos, não reclama só da falta de reconhecimento da população. Ele acha que pelo tipo de trabalho o salário deveria ser um pouco mais alto e, se pudesse, escolheria outro ofício.
"Como tenho pouca leitura, não pude escolher. Mas se eu pudesse serviria ao quartel. Não foi com essa a profissão que eu sonhava", lamenta. Ele também diz que não deseja que seus filhos se tornem garis como ele. "Desejo algo de mais futuro para eles", frisa Geraldo.
Ao contrário, Carlos Batista Resende, 37 anos, que está trabalhando há um ano e oito meses na Cidade Ambiental, não se queixa nem um pouco do tipo de trabalho e muito menos do salário. "O salário é bom e o tipo de serviço não é cansativo", avalia.
A única reclamação de Carlos é com os cacos de vidro e garrafas que não são bem condicionadas nas sacolas. "Tenho receio de me ferir, por isso sempre pego o lixo pela boca, onde está o nó", explica o gari.
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