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10.10.2016 | 18h40

Até que ponto pais devem ceder aos desejos do filho?

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Beatriz Rocha de Carvalho tem apenas 8 anos, mas já se planeja melhor que muito adulto. Há 4 meses ela já estava pensando em qual presente de Dia das Crianças ela pediria para seus pais. Ela entrou em um site de loja de brinquedos, escolheu qual queria, falou para o pai “comprar logo, porque ficaria mais caro” e aguardou ansiosamente a chegada do presente em casa.

Arquivo pessoal

Jacira e Beatriz Rocha, mãe e filha, procuram entrar em acordo quando o assunto é presente.

“A ansiedade é grande. Ela fez um calendário e foi acompanhando a entrega do brinquedo em casa. Quando chegou, abriu, checou se era o que ela pediu, guardou de volta e pediu para eu esconder porque no dia 12 de outubro ela vai procurar ‘a surpresa’”, conta a mãe de Beatriz, Jacira Rocha, em meio a risos.

Os responsáveis pela Beatriz compraram com antecedência, mas, no geral, os pais esperam chegar mais próximo à data para adquirir o presente. E, neste momento, os preços sobem consideravelmente. É o momento em que muitos dos pais colocam na balança: até que ponto devem ceder aos desejos do filho?

A psicóloga Daniela Piloni explica que a decisão de comprar ou não comprar um brinquedo é muito mais complexa do que simplesmente estar disposto ou não a pagar o preço do objeto.

“A ausência de tempo, convivência, pode gerar um sentimento de culpa e compensação, de ‘vou atender os desejos para compensar, vou fazer as vontades’. Tudo está muito caro, mas às vezes não comprar pode fazer a família pagar um preço emocional caro também”, diz a profissional.

Por outro lado, ela confessa que quando se fala em ‘limite’, existem algumas falhas. “Há casas em que a criança senta no ombro de um adulto. Escolhe o que quer comer, fazer, brincar. Mas, ela não tem esse poder, é um adulto quem concede esse poder a ela”, explica.

Jacira relata que sempre buscou conversar com a filha sobre questões financeiras e dificuldades em pagar muito caro em determinados produtos.

“Eu tento impor limites, sim. A gente, mãe, sabe até onde pode gastar. Então, eu sempre combino, busco entrar em um acordo com ela. Negociamos mesmo. Quando eu falo que está muito caro, ela já fala ‘e se você me der isso agora, e no Natal me der outra coisa?’. Ela compreende”, afirma.

Arquivo A Gazeta

Psicóloga Daniela Piloni explica que não se deve culpar pais que presenteiam para compensar ausências.

Refletir sobre as finanças, e determinar se é possível ou não comprar determinado presente é necessário. No entanto, essa compreensão por parte da criança, deve ser trabalhada em cada família, de acordo com a psicóloga.

“É importante não culpar os pais que presentearem para suprir alguma falta. É muito fácil atribuir a responsabilidade. Além disso, quantas vezes a gente não gosta do que não tem? Nossa sociedade é do consumismo. O consumismo deixou de ser saudável há muitos anos. Como eu vou julgar o que é ou não importante para a criança, se o pai e a mãe podem ou não pagar? A linha do ‘saudável’ é muito tênue”.

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