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Brasil está longe da imunidade de rebanho contra covid-19, afirma estudo de Londres

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Ravena Rosa/ABr

Ravena Rosa/ABr

Um estudo coordenado por pesquisadores do Imperial College London, no Reino Unido, concluiu que o Brasil está "muito aquém do limiar de imunidade de rebanho de 70% necessário para evitar o ressurgimento rápido do novo coronavírus se as medidas de controle forem relaxadas".

 

"Depois do coronavírus, a expressão [imunidade de rebanho] se refere a uma interrogação: que percentagem de uma população precisa ter contraído o SARS-CoV-2 (e estar presumivelmente imunizada) para que mesmo quem não teve a doença deixe de correr risco de se infectar? Não há dados para responder a essa pergunta, mas há pesquisadores que estimam o número entre 60 e 80%. Quer dizer: quando essa quantidade de pessoas já tiver contraído a doença e adquirido imunidade, o vírus não circula mais e a doença desaparece", explica o Instituto Butantan.

 

Leia também - Pessoas com sintomas do novo coronavírus não devem tomar vacina da gripe

 

Os resultados da pesquisa britânica, publicados nesta segunda-feira (18) na plataforma medRxiv, mostram a situação da pandemia da covid-19 em 16 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Amazonas, Pará, Maranhão, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Minas Gerais, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

 

Desconsiderando a subnotificação, os pesquisadores concluíram que a porcentagem de pessoas infectadas com SARS-CoV-2 varia de 0,13%, em Minas Gerais, a 10,6%, no Amazonas.

 

São Paulo, estado com maior número de casos confirmados, tem um 3,3% da população infectada, segundo o estudo.

 

Os índices nos demais estados foram

Pará: 5,05%
Ceará: 4,46%
Rio de Janeiro: 3,35%
Pernambuco: 3%
Espírito Santo: 2,24%
Maranhão: 2,07%
Alagoas: 1,12%
Paraíba: 0,64%
Rio Grande do Norte: 0,56%
Rio Grande do Sul: 0,42%;
Bahia: 0,40%
Paraná: 0,25%
Santa Catarina: 0,23%.

 

Diferentes cenários de subnotificação foram calculados para obter possíveis percentuais de infectados em cada estado.

 

Com, 67% de casos não notificados, esses índices praticamente triplicaram, ainda assim, permaneceram bem abaixo de 70%.

Por exemplo, o percentual de infectados em São Paulo seria de 9,58%; no Amazonas, 27,7%.

 

Medidas de controle

"Nenhum estado nossos resultados indicam que a imunidade do rebanho esteja próxima de ser alcançada, ressaltando o estágio inicial da epidemia no Brasil atualmente e a perspectiva da situação se agravar, a menos que outras medidas de controle sejam implementadas", alertam o autores.

 

As medidas de distanciamento social adotadas por estados e municípios conseguiram derrubar a taxa de transmissibilidade do coronavírus em 54% na média. No entanto, o número de reprodução do vírus, chamado de Rt, continua acima de 1.

 

"O número de reprodução (uma medida da intensidade da transmissão) no início da epidemia significava que um indivíduo infectado infectaria três ou quatro outros, em média. Após intervenções não farmacológicas, como fechamento de escolas e diminuição da mobilidade da população, mostramos que o número de reprodução caiu substancialmente em cada estado. No entanto, para todos os 16 estados que estudamos, estimamos com alta confiança que o número de reprodução permanece acima de 1. Um número de reprodução acima de 1 significa que a epidemia ainda não está controlada e continuará a crescer", destacam.

 

Romper as cadeias de transmissão e colocar o número de reprodução abaixo de 1 é essencial para controlar o vírus e impedir o crescimento exponencial, observam.

 

"Tais quedas [da transmissibilidade] foram associadas a reduções substanciais nos padrões de mobilidade - em países como a Itália, onde foi exigido um bloqueio rigoroso [lockdown], a mobilidade declinou em extensão muito maior do que a observada até o momento no Brasil. Por exemplo, os padrões de mobilidade em torno dos supermercados/farmácias da Lombardia, uma das regiões mais severamente afetadas da Itália, caíram quase 75% quando as medidas foram introduzidas (produzindo um Rt estimado de 0,58)."

 

O Pará é o estado com o Rt mais elevado: 1,90. Em seguida, aparecem Ceará (1,61); Amazonas (1,58); Espírito Santo (1,57); Maranhão (1,55); São Paulo (1,47); Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul (1,44); Bahia (1,37); Pernambuco (1,32); Minas Gerais (1,30); Alagoas (1,27); Paraíba (1,23); Rio Grande do Norte (1,18); Paraná (1,16) e Santa Catarina (1,14).

 

"De maneira geral, embora nosso trabalho sugira que as medidas implementadas até o momento tenham impactado a transmissão, elas também destacam sua insuficiência para controlar a transmissão e a necessidade de medidas adicionais de limitação de contatos, além do que está sendo implementado atualmente, para reduzir o número de reprodução. no Brasil para menos de 1", recomendam os pesquisadores.

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