23.04.2006 | 03h00
Há 23 comunidades em Cuiabá que podem ser consideradas favelas, de acordo com indicadores sociais levantados pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano (IPDU). A mais pobre delas é o bairro Santa Laura, na região do Coxipó, onde os pais ou arrimos de família ganham até três salários mínimos, para manter lares que têm, em média, cinco integrantes. Sendo assim, vivem como favelados na Capital cerca de 100 mil pessoas.
"As favelas daqui são horizontais e não verticais como as famosas do Rio de Janeiro, apesar de lá ter a Cidade de Deus (CDD), que também não sobe morro acima, mas entende-se por favela qualquer lugar desestruturado", conceitua o DJ "Linha-Dura", um dos integrantes da Central Única das Favelas (Cufa), que existe em Cuiabá há 2 anos. Paulo Fagner da Silva Ávila, 25, é negro, de família de baixa renda, crescido em localidades pobres e deixou estudos acadêmicos para trabalhar. Ele e mais 30 jovens com este mesmo perfil é que estão agitando em Cuiabá este movimento que já se alastrou em 10 capitais do país, diretamente ligado ao hip-hop e cujo ícone é MV Bill, autor do documentário que chocou o país: "Falcão -Meninos do Tráfico". Boa parte dos integrantes da Cufa chegou bem perto das drogas, oferecidas a eles diversas vezes; alguns usaram por um tempo. Há os que têm passagem policial, que já cumpriram medida socieducativa. Todos já assistiram fortes cenas de violência urbana ainda na infância.
A idéia deste movimento é trilhar o caminho contrário do histórico, em que autoridades públicas implementaram projetos sociais para reverter a situação caótica nas comunidades pobres, mas jamais perguntaram a elas o que querem, do que precisam e o que podem fazer para sair do atoleiro. Para "Linha-Dura", não adianta enfiar goela abaixo das moças de hoje cursos de corte e costura ou de bordado. Isso não tem a ver com a vida delas. O que tem então a ver com a vida delas? Elas é que vão dizer. "Já sabemos buscar apoio financeiro para projetos, o que inicialmente não sabíamos fazer, estamos bem organizados, mas queremos que as pessoas nos digam o que querem".
O Alvorada é o primeiro bairro da Capital a ser ouvido pela Cufa. É o plano-piloto, apesar de já não aparecer mais, como há 10 anos, entre os bairros mais pobres da cidade. É que o Alvorada é o berço da Cufa aqui e é uma localidade mista, ou seja, em alguns pontos ainda se enquadra no perfil de favela.
A Cufa já tem dois projetos em andamento que custam R$ 11 mil por mês. "Consciência Hip-hop" e "Escolinha de Basquete de Rua". O primeiro dá acesso a 150 garotos e garotas ex-infratores, de 14 a 18 anos, a oficinas de DJ, Break, Grafite e MC. O outro ensina a 60 meninos, de 7 a 12 anos, a arte de jogar basquete.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.