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Cuiabá, Sábado 16/05/2026

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depressão, pânico e burnout 16.05.2026 | 07h15

31% dos afastamentos de servidores são decorrentes da saúde mental; entenda

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Reprodução

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Os transtornos mentais e de comportamento são os principais responsáveis pelo afastamento de servidores públicos estaduais em Mato Grosso. Um levantamento feito pelo Sindicato dos Servidores da Área Meio do Poder Executivo (Sinpaig-MT), com base em dados oficiais do próprio governo, revela que 31,43% das licenças médicas emitidas em 2024 foram motivadas por problemas como depressão, burnout e síndrome do pânico.

 

O diagnóstico alarmante foi apresentado durante o 1º Seminário Sobre Saúde Mental do Estado de Mato Grosso, realizado no auditório da Controladoria Geral do Estado (CGE). O ranking das causas de afastamento mostra que, logo após os distúrbios psíquicos, aparecem as doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo (problemas nas articulações e ossos), que representam 21,77% dos casos.

 

Para o presidente do Sinpaig, Antônio Wagner, o cenário exige uma mudança imediata na gestão de pessoas do Palácio Paiaguás.

 

"Os números revelam que a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e o governo, como um todo, precisam se preocupar em reduzir esse adoecimento. Isso só pode ser feito com políticas públicas eficientes, como o combate ao assédio moral, criação de mecanismos de denúncia e ferramentas para humanizar o local de trabalho", cobrou o sindicalista.

 

Colapso na Educação
O cenário é ainda mais crítico na rede pública de ensino. De acordo com o professor e doutor Helvécio Pereira Lopes, que realizou uma pesquisa com 3.600 profissionais da área, 80% dos afastamentos na Educação foram causados por sofrimento mental.

 

Lopes explica que a sobrecarga de funções tem esgotado a categoria. "Os professores hoje atuam muito além do seu concurso. Eles são psicólogos, técnicos em segurança, conselheiros. Essa sobrecarga acaba acarretando no adoecimento mental", pontuou o especialista.

 

Alerta na Segurança Pública
A pressão psicológica também atinge fortemente a área de segurança. O sindicato aponta um índice preocupante de tentativas de autoextermínio entre policiais e militares de Mato Grosso, muitas vezes motivadas por crises que misturam pressão profissional e saúde financeira.

 

Antônio Wagner criticou, ainda, o atual modelo de bonificação do Estado, que acaba estimulando o servidor a trabalhar sem condições médicas.

 

"Nas áreas policiais há um cenário extremamente preocupante. Criaram-se gratificações nas quais o servidor, se faltar, perde o dinheiro. Com isso, muitas vezes o policial vai trabalhar doente", finalizou o presidente do Sinpaig.

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