FATOS MARCANTES 08.04.2021 | 16h12

vitoria@gazetadigital.com.br
"A história é a mestra da vida", afirma o historiador Fernando Tadeu. E é ela que nos rege e nos identifica, podendo ser encontrada nos livros, monumentos, nas pessoas e seus dizeres. Por isso, escultores descobriram, por meio da rigidez da pedra, uma maneira de para sempre registrar as histórias que narram Cuiabá, capital que completa 302 anos nesta quinta-feira (8).
Fatos marcantes e personalidades que beiram o folclore estão espalhados pelos quatro cantos de Cuiabá. A história de muitos monumentos, inclusive, continuam a representar o presente. Outros, marcam um período para que erros do passado não se repitam.
"Cuiabá é uma cidade de muito trabalho, muita ousadia, e muita virtude, principalmente porque ela se situa no centro da América do sul e no coração do Brasil", diz Tadeu.
O
listou alguns dos monumentos que contam a história da capital mato-grossense. Confira:
Monumento da lavadeira da Lixeira
Feita durante a gestão do prefeito Rodrigues Palma, que na época trabalhou em projetos de melhoria dos bairros, o monumento da lavadeira do bairro da Lixeira - um dos mais antigos e tradicionais - foi reinaugurado para os 300 anos da capital.
A lavadeira foi uma profissão emblemática para a construção da cuiabania, pois era por meio deste ofício que muitas mulheres criaram suas famílias, que antecederam a atual população cuiabana.
"Representa a força da mulher popular, a mulher que lava a roupa, a mulher que trabalha. É importante essas duas estátuas, a Maria Taquara e da Lavadeira da Lixeira, que é um bairro lindo, porque a Lixeira é uma árvore do cerrado", conta Fernando Tadeu.
No monumento, a lavadeira ainda está banhando São João, que também traz um importante significado para a cultura popular.
"São João é uma festa muito forte em Cuiabá, sempre fizemos. São João sempre foi comemorado por todas as famílias e casas", pontua. "Essa lavagem a São João tem significado muito grande para nós cuiabanos, representa a força da cultura popular", continua.
Maria Taquara
Tamanha a importância da lavadeira na época, foi a existência da Maria Taquara, uma jovem negra que lavava roupas nas margens de um córrego no centro de Cuiabá, entre as décadas de 30 e 40.
"Maria Taquara de dia, Maria meu bem a noite", diziam as pessoas, como se ela se aventurasse com os soldados do quartel. Porém, como afirma Fernando Tadeu, o próprio coronel Octayde Jorge da Silva desmitificou esses dizeres: "ela foi pouco compreendida, foi uma mulher que soube viver".
Maria Taquara - assim era chamada por ser alta e magra - teria sido a primeira mulher da capital que usou calças.
Seu monumento representa até hoje as mulheres cuiabanas e trabalhadores - não à toa, a escultura fica ao lado de um ponto de ônibus.
"O monumento da Maria Taquara é muito importante e representavo, porque mostra a força da mulher na história de Mato Grosso e na resistência de todas as dificuldades. A localização da estátua próxima a Praça do Ipiranga, representa uma proximidade da cidade com a população trabalhadora", comenta.
A escultura foi criada pelo artista plástico Haroldo Tenuta, no entanto, foi restaurada por Fred Fogaça após a estrutura cair durante um vendaval em 2009. Segundo Tadeu, o local deveria ser melhor preservado e a estátua de Maria Taquera, mais iluminada.
Monumento aos bandeirantes
Enquanto a história de alguns monumentos continuam representando o presente, outros retratam uma época diferente - trazendo à tona até mesmo a memória de genocídio. É o caso do monumento aos bandeirantes, localizado na avenida Coronel Escolástico.
Construída em comemoração aos 250 anos da fundação da capital, a estátua retrata o bandeirante Pascoal Moreira Cabral, a população indígena e os negros. No entanto, na disposição das três figuras, o homem branco aparece acima do indígena e negro, como um "pódio da civilização".
"Na época representou aquele aniversário que ficou na nossa memória, por causa da força que foi impressa a essa trajetória da cidade. Contudo, acreditava-se à época que o bandeirante fosse maior que o negro e o indígena, por isso o bandeirante se manteve mais acima, e abaixo o negro e o indígena trabalhando. Mas a força de Cuiabá, foi conquistada em igualdade, com o indígena, o negro e o bandeirante", conta.
"Quem fez a história foram os três, o indígena, bandeirante e o negro. Cuiabá se deu pelos três, a força e culinária indígena, a forma de viver; ao mesmo tempo bebeu do negro, com sua música e a sua forma de ver o mundo, e também do português, que trouxe a língua portuguesa. Somando os três, resulta Cuiabá", defende.
Obelisco do Porto
Outro monumento inaugurado para celebrar o aniversário de Cuiabá, desta vez, em seu bicentenário. O obelisco foi um presente dado por Corumbá (Mato Grosso do Sul), como forma de agradecer pelas intensas transações comerciais com a capital mato-grossense.
Além disso, o obelisco reafirma a importância do rio Cuiabá, pois foi por meio dele que a capital se comunicou com o resto do mundo.
"Esse obelisco tem uma cópia na França. Ele é muito importante, é algo na praça que precisa ser bem tratado, iluminado, e todo turista que chegar a Mato Grosso precisa conhecer, para compreender o quanto o rio foi e é importante na vida desta cidade".
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