26.09.2013 | 14h02
Cerca de 58% da produção diária de água tratada, em Várzea Grande, não chega às torneiras. O dado faz parte de um diagnóstico preliminar que foi entregue pelo engenheiro Albeci Davi dos Reis, diretor de Operações do Departamento de Água e Esgoto da cidade (DAE) ao coordenador geral do Plano Municipal de Saneamento Básico de Várzea Grande (PMSB/VG) e secretário Especial de Gabinete, Roldão Lima Júnior.
Além do “desperdício assustador”, como classificou o secretário, existem outras perdas financeiras que impactam diretamente na gestão do DAE, como a alta dependência de poços artesianos - que consomem 60% do total de energia demandada pela autarquia – e a evasão de receita, resultado da falta de ligações domiciliares hidrometradas. “Para elaboração do PMSB/VG precisamos conhecer a realidade dos serviços de captação, produção, distribuição de água e da coleta e tratamento de esgoto. Isso é ponto de partida para se pensar num planejamento de longo prazo".
A perda de 58% entre o volume de água captada e tratada a que chega às residências reflete a falta de planejamento e de investimentos no DAE ao longo dos anos.
Como explica, a média mundial de consumo ao dia por habitante é de 153 metros cúbicos (m³), mas em Várzea Grande chega a 254 m³. “Hoje produzimos cerca de 25.477 milhões m³ de água mês, dos quais, 14.776 milhões m³ são perdidos. Se tivéssemos média diária de consumo em 153 m³, estaríamos com superávit de produção, mas além de estarmos acima da média de consumo, temos um desperdício gigantesco. Em doze meses, o volume vai a 177.312 milhões m³. Inclusive já pedimos à diretoria financeira do DAE para mensurar essa perda em cifras para efetivamente saber quanto isso custa financeiramente em prejuízos ao ano”.
Perdas Financeiras – Outro dado apresentado pelo DAE se refere às ligações domiciliares. Várzea Grande tem 77 mil ligações, mas apenas 22 mil são hidrometradas, ou seja, 55 mil - 70% - não geram receita ao Departamento.
De janeiro a agosto, como mostra o relatório, foram faturados R$ 16 milhões, mas apenas R$ 1,3 milhão entraram em caixa mês. “O valor faturado equivale à emissão de R$ 2 milhões/mês, considerando os oito primeiros meses deste ano”.
Além do desperdício do produto água e da evasão de receita, o DAE tem outro agravante financeiro, o elevado dispêndio com energia elétrica. Como explica o secretário Roldão Lima Júnior há um grande desperdício de energia. Oitenta poços ajudam no abastecimento da cidade, mas eles respondem por 60% do consumo elétrico. “A fatura do DAE é de cerca de R$ 600 mil/mês, dos quais R$ 360 mil são referentes ao consumo dos poços artesianos. No ano, essa média vai para mais de R$ 4,32 milhões, um gasto inadequado”.
Em relação ao esgoto, somente 14% da cidade têm esses resíduos coletados. “A gente diz esgoto tratado, mas na verdade, é apenas jogado em uma rede de esgoto e é tudo isso que precisa ser revisto e totalmente modificado. Por isso o PMSB/VG será um divisor de águas para Várzea Grande”.
PMSB/VG - Conforme resoluções do Conselho das Cidades (ConCidades), os municípios somente terão acesso aos recursos federais para investimentos em projetos e obras de saneamento básico e distribuição de água após terem seus Planos Municipais aprovados. O município que não tiver com o seu plano elaborado e aprovado ficará impedido de receber recursos federais para investimentos nesta área. Para Várzea Grande, num cenário de curto e médio prazo, ele passa a ser vital para que o PAC 2 seja empreendido, por exemplo.
O Plano, que vai trazer as demandas da sociedade no decorrer da sua elaboração, está sob a coordenação geral de Roldão Lima Junior, coordenação técnica de Olindo Pasinato Neto e sob supervisão do assessor técnico da Unidade Executora Municipal (UEM), Paulo Roberto Bomfim De Jesus. O PMSB/VG, que tem como ponto de partida o Plano Diretor elaborado em 2007, deve estar pronto até abril de 2014 para ser apreciado e votado pela Câmara Municipal. (Ascom VG)
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