DEU NA GAZETA 29.08.2021 | 07h31

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João Vieira
A pandemia do novo coronavírus trouxe impacto também à vida dos animais e os casos de abandono e maus-tratos a cães e gatos cresceram, nesse período, mais de 50%, de acordo com defensores da causa. Dados da Diretoria de Bem-Estar Animal
(DBEA) em Cuiabá também apontam esse aumento. Neste ano, até agosto, uma média de 4 denúncias foi realizada por
dia em Cuiabá.
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Números da DBEA mostram que desde o ano passado, comparando apenas os registros feitos de janeiro até agosto, houve aumento de 53% nas denúncias de abandono e maus-tratos a animais. Em 2020, foram 497 denúncias no período e,
neste ano, já são 764. Em 2018, primeiro ano de funcionamento do órgão, foram contabilizadas 513 denúncias,
uma média de 42 por mês e 117 animais resgatados.
Em 2019, as denúncias aumentaram para 559 durante todo o ano, uma média de 50 por mês, e 283 animais foram resgatados.
Em 2020, as 497 denúncias em apenas 8 meses já são 88% de todas feitas em 2019. Neste ano, 274 animais foram resgatados. Já em 2021, os números continuam crescendo. Nos primeiros três meses foram contabilizadas 294 denúncias, o que dá uma média de 98 por mês, enquanto 80 animais foram resgatados no primeiro trimestre.
Diretora da Bem-estar Animal, Daniele Saad, explica que a pandemia aumentou a vulnerabilidade social na cidade e percebeu-se isso atendendo às denúncias, porque os casos de abandono aumentaram, assim como casos de desnutrição, porque o tutor não tem dinheiro para alimentar o animal.
“Sempre fazemos uma avaliação sensível da situação por conta disso, porque sabemos que passamos por um momento difícil. Então, é preciso avaliar cada denúncia dentro do seu contexto”, acrescenta.
Ela afirma que os números crescem ano após ano e que a população tem um papel importante ao denunciar, mas também
pode contribuir para o cuidado. “Denunciem sim, mas cuidem também de seus animais, façam a castração do seu animal, adotem, ajudem outras pessoas e promovam a conscientização sobre o respeito aos animais”.
A diretora destaca ainda que existem muitos casos de crueldade, mas há casos de vulnerabilidade social do tutor. “Já resgatamos animais presos com coleira curta no sol e longe de água, de comida, animais doentes que necessitaram de amputação de membros, com os olhos queimados, casos devastadores. Realizamos o acompanhamento da situação para
conversar com o responsável, verificar a história, ver como o animal está.
A Dema (Delegacia de Meio Ambiente) conduz a investigação e nós tratamos do animal quando necessário”. Saad diz que
caso sejam constatados maus-tratos, o animal fica sob a guarda da diretoriaapós o tratamento e, em seguida, disponível para adoção responsável.
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