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Meu Bicho e Eu - A | + A

26.09.2026 | 06h00

Em livro, escritora conscientiza população sobre cativeiros de animais

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Meu Bicho e Eu

Divulgação / Editora Telha

Divulgação / Editora Telha

Se a liberdade é um direito de todos os seres, por que algumas espécies se tornam atração em parques temáticos, tendo – muitas vezes, por toda a vida – sua autonomia ceifada, privadas de poder decidir o que fazer com seu próprio tempo? Com o livro Por que prendemos os animais? A jornalista e uma das madrinhas do Santuário de Elefantes Brasil, Carol Zerbato, busca conscientizar os leitores sobre os impactos ambientais dessa privação da liberdade e a diminuição da qualidade de vida dos não humanos em cárcere.


Fundamentada em nomes como Ailton Krenak, Donna Haraway, André Trigueiro, Richard O’Barry e David Neiwert, a obra apresenta a perspectiva de que todos os seres vivos são igualmente importantes para o planeta e, por isso, os humanos não estão em uma posição superior aos outros animais. Através dessa relação com o mundo, a autora propõe um diálogo sobre o que as pessoas estão fazendo com a própria vida e com seus semelhantes.


Todavia, bem como aprendi com Rocky Balboa, lutar é também lidar com não vencer. Com a saúde mental dilacerada e fisicamente exausto, Tilikum chegava a passar três horas sem se mexer dentro do tanque. Morreu em 6 de janeiro de 2017 - pelo menos 15 antes de sua expectativa de vida na natureza - letárgico e sozinho. Nesse mesmo dia, fiz a ele promessa de contar incansavelmente a sua história. Escrevo sobre ele. Falo sobre ele. Dediquei meu primeiro livro a ele. E este ensaio é parte do compromisso que tenho com ele. (Por que prendemos os animais, p. 47)


Especialista em Ciências Humanas e pós-graduanda em Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS, Carol Zerbato narra as histórias de diferentes seres que não puderam ser libertos. Um exemplo emblemático é o de Moby Doll, uma baleia capturada em uma província no Canadá que foi colocada em um aquário para atrair visitantes. A orca sobreviveu apenas por três meses, até que inalou água ao invés de ar, submergiu para o fundo do tanque e se afogou.


Há também histórias que aconteceram no Brasil, como é o caso de Tião, que vivia no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. O chimpanzé, que chegou a ser candidato a prefeito da cidade, tornou-se agressivo e morreu aos 33 anos, de diabetes. Já Carla era um elefante que esperava transferência ao santuário. Enquanto isso, foi rotulada de agressiva ao arrebentar a cerca elétrica do zoológico e fugir para um rio próximo.


Além dessas trajetórias, a autora apresenta acontecimentos inéditos que desafiam as maneiras de entender as relações multiespécies. Sandra, um orangotango nascido na Alemanha e vendido a um zoológico de Buenos Aires aos nove anos, foi o centro de uma extensa discussão jurídica na Argentina. Em uma decisão sem precedentes na Justiça, ela foi reconhecida como uma “pessoa não humana”, para que conseguisse diversos direitos relacionados à sua saúde e à sua liberdade.


“Acredito que a realidade miserável à qual os animais selvagens em cativeiro são submetidos só pode mudar com informação, educação e conscientização. O fato de ser uma indústria multimilionária somado às leis de proteção animal de cada país (alguns nem têm, inclusive) tornam a extinção desse modelo quase impossível, a não ser que as pessoas parem de consumir e, consequentemente, financiar esse tipo de sofrimento", defende a escritora.

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