Publicidade

Cuiabá, Domingo 20/10/2019

Cidades - A | + A

O crime compensa? 10.10.2019 | 07h41

Após 10 anos, Uemura tem os crimes prescritos

Facebook Print google plus
O Crime Compensa?

 

Dez anos após a operação “Gafanhoto”, a Justiça reconhece a prescrição da pretensão punitiva estatal contra o empresário Kazuyoshi Uemura, o Júlio Uemura. Ou seja, o acusado de liderar e financiar uma quadrilha que aplicava golpes de estelionato em vários estados a partir da criação de empresas fantasmas ou uso de “laranjas”, não será condenado à prisão.

 

Ele ficou apenas 23 dias atrás das grades. A ação do grupo resultou na falência de vários fornecedores de hortifrutigranjeiros. O reconhecimento da prescrição dos crimes foi feito pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues. Esta é mais uma matéria da série “O crime compensa?”.

 

O empresário foi beneficiado pelo fato de ter completado 70 anos no dia 5 de maio. Desta forma, os prazos de prescrição dos crimes foram reduzidos pela metade, conforme determina o artigo 115 do Código Penal.

 

Uemura respondia por corrupção ativa, extorsão, estelionato e associação criminosa. No caso dos dois primeiros crimes, a prescrição da pena, que seria em 16 anos cada, caiu para 8 anos. No estelionato a prescrição caiu para 6 anos e na associação criminosa para 4 anos. “Deste modo, temos que ocorreu a prescrição da pretensão punitiva estatal, ante o decurso de tempo superior a 10 anos, contados da data do recebimento da denúncia (4 de março de 2009) até os dias atuais, ante a ausência de novo marco interruptivo da prescrição”, destacou o magistrado.

 

Em janeiro de 2011 o Ministério Público chegou a pedir a condenação do empresário a 35 anos de prisão. Ao todo, 23 pessoas denunciadas respondem processo na 7ª vara criminal de Cuiabá, entre parentes de Uemura, laranjas e outros.

 

Para o Ministério Público do Estado, que denunciou a quadrilha, a prescrição da pretensão punitiva em relação a Uemura é vista com tristeza, pois tudo que estava ao encargo do MPE foi feito. O órgão ministerial ressalta que a prescrição é como se Uemura não tivesse praticado crime nenhum. Mas enfatiza que embora na esfera criminal tenha tido este desfecho, o empresário não está isento de ressarcir os danos aos fornecedores que foram alvos do golpe, já que estes processos não prescrevem. “Esse processo criminal permaneceu muito tempo parado. A morosidade do judiciário fez com que tivesse este desfecho prejudicial à sociedade”, reforça o MPE.

 

Denúncia do Ministério Público relata que na época a operação foi deflagrada tendo como alvos principais Uemura, considerado o líder da organização e René dos Santos Oliveira, apontado como articulador da quadrilha. Eles criavam empresas fantasmas e, por meio delas, adquiriam produtos hortifruti de todo o Brasil. Pagavam pelas primeiras cargas e, depois, passavam cheques sem fundo. Os golpes, que variavam entre R$ 100 mil a R$ 200 mil, só eram descobertos a partir do momento que os cheques emitidos pelas empresas fantasmas voltavam.

 

Otmar de Oliveira

Julio Uemura

 

A distribuição dos produtos era feita no Estado por preços menores até daqueles que os fornecedores ofereciam. Os valores praticados tornavam os negócios inviáveis aos concorrentes. Para o Ministério Público, apesar de trazer uma aparente “vantagem ao consumidor”, os concorrentes eram lesados e não tinham chance de entrar no mercado. Com a consolidação do grupo Uemura, as empresas, sem qualquer outra concorrente, ficavam “livres” para depois praticarem os preços que quisessem.

 

Além de Uemura, foram presos na operação “Gafanhoto” dois policiais civis, entre eles o investigador Francisco Dias de Lourenço, o “Chicão”. Os contadores Ronaldo Luiz Mateus e Lupércio Augusto de Campos, assim como René Santos Oliveira, apontado como o grande articulador da quadrilha. Também respondem pelos crimes Mário Márcio Uemura Meira (sobrinho de Uemura), sócio-proprietário da MX-Comercial de Alimentos, que tinha como endereço o mesmo local onde funcionava a “Transgordinhos”, empresa laranja da organização. Gisselma Benedita Brito Uemura (filha de Uemura), sociaproprietária da Transportadora Brito, utilizada como laranja no esquema criminoso. E Benedito Carlos Brito Uemura (filho de Uemura), que participava ativamente dos negócios e era proprietário do imóvel onde funcionava a sede da empresa laranja Sewal.

 

Histórico

A operação foi desencadeada no dia 4 de março de 2009, ocasião que Uemura foi preso. Ficou 5 dias atrás das grades, pois no dia 9 do mesmo mês conseguiu o benefício da prisão domiciliar. No dia 13 de abril de 2009 voltou a ser preso e, após 18 dias, voltou para prisão domiciliar. A prisão foi revogada definitivamente dia 5 de junho de 2009.

 

Denúncia do MPE destaca que ao menos 26 empresas ou pessoas foram afetadas com a atuação do grupo de Uemura, muitas delas faliram ou causaram falências de diversas famílias de pequenos agricultores que forneciam produtos. Um dos alvos do grupo criminoso foi a Tamanini Importação e Exportação Ltda, com sede em Corupá (SC), que faliu em 2008 com o golpe. A empresa familiar de mais de 30 anos foi lesada em aproximadamente R$ 300 mil.

 

O esquema foi confirmado pelo braço direito de Uemura, René, durante depoimentos. Ele entregou todos os envolvidos no esquema após se “sentir abandonado por Uemura”. René destacou que o empresário sabia e financiava toda compra e venda de produtos no ramo de hortifrutigranjeiros, que aplicou golpes milionários em empresas de todo o país. Destacou que o lucro de Uemura era de 70% e que os prejuízos causados às vítimas superavam os R$ 9 milhões.

 

Um dos últimos andamentos do processo, antes da prescrição da punibilidade de Uemura, foi uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em agosto de 2013, que anulou as gravações telefônicas que traziam até mesmo conversas de Uemura sobre o esquema. A decisão acolheu pedido da defesa que apontou que as mesmas deveriam seguir determinações legais. “Isso prejudicou demais o julgamento”, avalia o MPE que em janeiro de 2011, nas alegações finais, pediu a condenação de Uemura a 35 anos de prisão.

 

Outro lado
Procurado pela reportagem, o advogado de Júlio Uemura, Ricardo Monteiro, não foi localizado.

 

Leia mais notícias sobre Cidades na edição do Jornal A Gazeta

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Jornal do Meio Dia - JM

Jornal do Meio Dia - JM

GD

GD

Enquete

Qual será o resultado das discussões sobre fake news no Congresso Nacional?

Parcial

Edição digital

Domingo, 20/10/2019

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem

Publicidade

btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 20,55 0,00%

Algodão R$ 90,55 -0,65%

Boi a Vista R$ 133,67 0,63%

Soja Disponível R$ 75,50 -1,31%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

Publicidade

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2019 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.