SOBREVIVENTE DE BOMBA NUCLEAR 21.02.2026 | 14h13

yuri@gazetadigital.com.br
Alair Ribeiro/MídiaNews
‘Sorriso sereno, postura elegante e uma disciplina admirável’, assim é lembrado o artista plástico japonês Masanobu Kazurayama, que morreu nessa terça-feira (17), na Capital. Ele ficou conhecido no Estado de Mato Grosso por construir uma trajetória de sucesso na arte que foi consolidada em Cuiabá, além de ser um dos sobreviventes da bomba atômica de Nagasaki em 1945.
Em entrevista ao
, o técnico em Artes Gráficas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maurício Mota, relembrou um pouco a convivência com o mestre, destacando a bondade, carinho e paciência que ele tinha pelos alunos.
“Kazurayama sempre chegava com um sorriso, bem alinhado, saúde de ferro. Tinha muito carinho pelos seus alunos e adorava o Ateliê Livre do MACP. Sempre que podia, ele dava seu curso na UFMT. Eu mesmo já havia feito o curso dele quando tinha meus 20 e poucos anos. Atencioso, e com sua técnica milenar, era paciente e cuidadoso. Sabia deixar você livre para errar, e também sabia ajudar a consertar”, contou.
Maurício também contou que era em momentos simples que Masanobu demonstrava mais comprometimento e humildade. “Uma vez, ele mesmo reformou vários cavaletes do ateliê e pediu minha ajuda. Passamos a manhã batendo prego. Se tinha um problema, ele resolvia”, pontuou.
Além de ser um excelente profissional, ele era um dos sobreviventes da bomba atômica lançada sobre Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.
Na época, ele morava na província de Kumamoto com a família, a cerca de 30 quilômetros de Nagasaki. Apesar de ser perto, a cidade onde ele vivia ficou fora do raio de destruição e da contaminação mais intensa da explosão, que matou cerca de 80 mil pessoas que também morreram em decorrência dos efeitos da radiação.
Anos depois, ao visitar Nagasaki, ele se deparou com as marcas deixadas pela guerra, imagens que o impactaram profundamente e que influenciaram sua sensibilidade artística.
Carreira no Brasil
Em 1961, Kazurayama veio para o Brasil, mais precisamente em Cuiabá. Aqui ele se consolidou como artista plástico e educador, tornando-se presença constante no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha e mestre no curso de pintura do Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Com todo seu conhecimento, ele formou gerações de artistas e difundiu técnicas da arte oriental, sempre incentivando a liberdade criativa e o aperfeiçoamento técnico.
Morte
Masanobu Kazurayama morreu nessa terça-feira (17), em Cuiabá, aos 86 anos. Deixa esposa, 5 filhos e netos. Sua partida foi lamentada pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, a primeira-dama e vereadora Samantha Iris, e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fernando Medeiros, manifestam profundo pesar pelo falecimento do artista plástico Masanobu Kazurayama, aos 86 anos.
Neste momento de dor, a gestão municipal se solidariza com familiares, amigos, alunos e admiradores, reconhecendo a importância de sua trajetória para a história cultural de Cuiabá. Seu talento, sensibilidade e compromisso com a arte permanecerão vivos na memória da cidade e nas obras que eternizou.
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