incentivo à violência 05.05.2026 | 19h05

redacao@gazetadigital.com.br
UFMT
O Centro Acadêmico de Direito VIII de Abril (CADI), juntamente com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), emitiu uma nota de repúdio contra o envolvimento de estudantes no compartilhamento de lista de estudantes "estupráveis" na unidade da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O comunicado conjunto foi divulgado nesta terça-feira (5) após repercussão do incentivo à violência.
Além da reprovação da conduta, o comunicado informa sobre a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) onvocada para discutir a situação de misoginia contra as mulheres no curso de Direito da UFMT.
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Segundo a nota publicada, as conversas foram flagradas em um aplicativo e continham declarações explícitas sobre a intenção de molestar estudantes. “Circularam registros de conversas nas quais estudantes do curso de Direito e de outros cursos planejavam a elaboração de uma lista classificando as alunas ingressantes como estupráveis [...] além de declarações explícitas acerca da intenção de molestar colegas de sala”.
O documento alerta para a conduta gravemente reprovável: “tais manifestações não podem ser tratadas como brincadeiras, tampouco relativizadas. Ao contrário, configuram banalização da violência sexual e a objetificação de mulheres”.
Também é destacado que o curso não reconhece esses atos como compatíveis com seus ideais: “[...] cuja formação está intrinsecamente vinculada à defesa da dignidade da pessoa humana e da igualdade de direitos fundamentais”.
Além disso, a nota relembra um caso de violência ocorrido dentro da instituição, citando Solange Aparecida Sobrinho, 52, que foi estuprada e morta no ano passado.
O Centro Acadêmico afirma estar comprometido em tornar o ambiente estudantil um lugar mais seguro e que acompanhará a situação junto às autoridades competentes, a fim de garantir a adoção de medidas que assegurem a integridade dos estudantes.
Violência contra a mulher
Esse caso contribui para evidenciar a gravidade de situações impulsionadas por um movimento bastante conhecido nas redes sociais, chamado Red Pill ou “machosfera”, seguido especialmente por homens jovens.
Esse discurso teve origem a partir do filme Matrix (1999), que simboliza uma escolha entre enfrentar uma verdade desconfortável ou permanecer na ignorância. No entanto, com o passar dos anos e a popularização da internet, esse conceito foi distorcido e passou a ser utilizado para propagar misoginia e incentivar a violência contra mulheres.
Nesse contexto, um influenciador e streamer norte-americano, Branden Eric Peters, conhecido como “Clavicular”, foi preso na Flórida em março de 2026 por crimes de agressão e incitação à violência, juntamente com sua namorada, contra outra mulher. Peters teve todas as suas contas em redes sociais encerradas após o ocorrido.
No Brasil, há diversos projetos que visam criminalizar atos de misoginia e discursos de ódio contra mulheres, incluindo conteúdos associados ao movimento Red Pill. As propostas buscam alterar o Código Penal, com foco em grupos que promovem esse tipo de discurso ou organizam ações que incentivem crimes com base em gênero.
A Lei 896/2023, aprovada pelo Senado em março de 2026, torna a misoginia crime infiananciável.
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