cenário exige adaptação 06.09.2026 | 10h00

redacao@gazetadigital
GD
O Centro de Cuiabá, que durante décadas foi um dos principais pontos de compras da cidade, enfrenta um cenário de transformação e desafios. Lojas fechadas e a redução no movimento de consumidores refletem mudanças do modo de consumo e também do ambiente físico da região.
Para quem empreende nas ruas centrais, o esvaziamento não pode ser explicado por apenas um motivo. A insegurança, o crescimento das compras online, a expansão dos shoppings e de estabelecimentos nos bairros, o estacionamento rotativo e as condições para circulação dos pedestres estão entre os fatores apontados.
A empreendedora Elizabeth Cassimiro conhece de perto as dificuldades. Depois de anos construindo o próprio negócio, ela conta que precisou fechar a empresa diante de sucessivos assaltos.
“Muito frustrante, porque a gente dedica anos da nossa vida para construir uma história de empreendedorismo e, de repente, tudo acaba. No meu caso, foi devido a muitos assaltos e, todas as vezes que a loja era assaltada, eu ficava totalmente descapitalizada. E era muito difícil conseguir me reerguer novamente”, relembra.
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Segundo ela, os prejuízos provocados pelos crimes dificultavam a recuperação financeira.
Para a pequena empresária, o Centro precisa de novos atrativos para voltar a despertar o interesse dos consumidores.
“Levar para o Centro atrações funcionais para despertar a vontade dos clientes de voltarem a frequentar o local”, sugere.
Comércio precisa se adaptar
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Cuiabá), Júnior Macagnam, a adaptação dos comerciantes ao novo perfil do consumidor ainda está em andamento.
De acordo com o empresário, atualmente a experiência de compra é fundamental, desde o atendimento até a estrutura da loja e do espaço público. A entidade defende melhorias no Centro Histórico, como revitalização de calçadas, pontos de ônibus e projetos estruturantes, entre eles o novo Mercado Municipal.
A presença digital também passou a fazer parte da estratégia dos pequenos negócios. A CDL afirma que vem capacitando lojistas para utilizarem as redes sociais como canais de venda e relacionamento. Apesar da concorrência com grandes marketplaces, Macagnam avalia que os pequenos podem se diferenciar pelo atendimento próximo, pela experiência presencial e pela combinação entre loja física e presença digital.
Em Cuiabá, as altas temperaturas são outro obstáculo para quem precisa caminhar pelo Centro. Para o professor de Climatologia da UFMT, Rodrigo Marques, o desconforto térmico inibe a circulação de pessoas.
“Com certeza, se tivéssemos um Centro mais sombreado, seria mais fácil o deslocamento pelas ruas e calçadões”, garante.
O professor defende mais áreas verdes, arborização e até telhados verdes nos calçadões. Para ele, a revitalização também precisa considerar a mobilidade urbana e a melhoria do transporte coletivo.
Comércio de bairros
Serviços e lojas que antes estavam concentrados no Centro agora estão mais próximos das casas dos consumidores, reduzindo a necessidade de deslocamento. Nas redes sociais, moradores também citaram as compras online, o estacionamento, o calor, a falta de banheiros e pontos de descanso, a insegurança e a redução do poder de compra como possíveis causas para o esvaziamento.
Diante desse cenário, comerciantes e especialistas defendem que a recuperação do Centro depende de uma combinação de fatores: segurança, infraestrutura, conforto térmico, mobilidade, novos atrativos e adaptação ao comportamento do consumidor.
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