PRECÁRIAS 29.09.2019 | 09h24
Apesar dos 40,8 km de ciclovias, a Prefeitura de Cuiabá não proporciona as condições adequadas para locomoção. Por isso, os ciclistas colocam em risco a sua segurança ao andar de bicicleta pela cidade, mesmo que sejam nos lugares adequados. O entendimento é do engenheiro de transportes Eldemir Pereira de Oliveira.
"Proporcionalmente é preciso reconhecer que já tem uma ação interessante com relação às ciclovias e ciclofaixas de Cuiabá. Agora, um outro aspecto que a gente considera é que não baste ter as ciclovias, mas é preciso dar condições para você se locomover", explicou o especialista.
De acordo com dados repassados pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), os 40,8 km são espalhados em lugares distintos da cidade. São 24,8 km na avenida das Torres, 6,8 km na avenida Arquimedes Pereira Lima, outros 2,1 km na Eneas Cardoso, no bairro CPA, e mais 1 km na extensão da Orla do Porto.
Aos domingos, ainda, cerca de 6,1 km da avenida Miguel Sutil, das 7h às 17h, são liberados para o uso. O trajeto liga a Arena Pantanal ao Parque Mãe Bonifácia. Contudo, o que se vê de maneira recorrente são motoristas que desrespeitam a sinalização e colocam em risco a vida dos ciclistas que passam pelo local.
"É um veículo que propicia um certo risco de transporte, locomoção. Então eu vejo assim, não adianta dizer que tem quilômetro, tem que ver se os quilômetros estão conservados, devidamente preparados para que a pessoa se sinta atraída ao andar por esse caminho. Porque no fluxo da cidade você andar de bicicleta é se expor a um risco muito grande. A exemplo da Arquimedes Pereira Lima, em que é um caminho péssimo para se andar de bicicleta".
A Lei da Mobilidade Urbana, de número 12.587/12, prevê que todos os municípios com mais de 20 mil habitantes apresentem um plano de mobilidade urbana, a fim de planejar o crescimento da cidade de forma ordenada, considerando diversos fatores, como os pedestres, os ciclistas e o transporte coletivo.
Até 2019, a Prefeitura de Cuiabá não apresentou o documento. Para Oliveira, seria possível, a partir de um plano, elaborar alternativas conscientes para melhoria da mobilidade da cidade como um todo. Por meio da análise das peculiaridades da cidade, seria possível, por exemplo, integrar as bicicletas ao transporte coletivo, analisar vias de menor fluxo e descongestionar vias que ficam intransitáveis em horários de pico.
"Não adianta você imaginar uma cidade com soluções pontuais tapa-buraco, o que é muito comum. O plano de mobilidade nada mais é do que uma carta de intenções e a partir daí ações seriam encaminhadas. Seria uma chancela do poder público para discutir com a população e elaborar alternativas viáveis", disse.
Números
Para se ter uma ideia, a cidade de São Paulo com seus 2,1 milhões de habitantes possui 503,6 km de vias entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas. Goiânia, em Goiás, tem 80 km e 1,3 milhões de habitantes.
Por isso, na opinião do engenheiro, Cuiabá com seus quase 41 km e 607 mil habitantes acompanha de maneira proporcional, de certa maneira, as outras cidades. Ele reconhece, no entanto, que muito ainda precisa ser feito para melhorias.
"Cuiabá é uma cidade ondulada, não é plana. A bicicleta não tem energia que move, é a energia do corpo mesmo. Então tem que saber os locais adequados para que possibilite essa alternativa de transporte. Isso seria possível por meio do plano", explicou.
"Como é possível estimular a população a usar a ciclovia se você não dá o meio? Por um olhar mais crítico, mais objetivo, escutando o que também pensa o cidadão para não encher de ciclovia e ninguém usar", concluiu.
Esta reportagem é a 1ª de uma série sobre ciclistas, ciclovias e os benefícios e riscos do uso da bicicleta como meio de transporte. Acompanhe o
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