adeus aos orelhões 25.01.2026 | 17h00

redacao@gazetadigital
Na última semana, um anúncio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocou fim a um dos mais tradicionais meios de comunicação do país. Até 2028 os telefones públicos conhecidos como "orelhão" serão removidos das cidades brasileiras. Da ficha, os cartões colecionáveis e terminais temáticos restará a memória da espera pela ligação e "truques" para prolongar a chamada.
Dos cerca de 30 mil telefones públicos ainda existentes no Brasil, 356 deles estão em Mato Grosso, de acordo com dados da Anatel. Destes, 72 orelhões ainda estão em funcionamento, com a maior
parte instalada em comunidades rurais ou terras indígenas, onde não há sinal de telefonia móvel. Esses ainda permanecerão em funcionamento até que a comunicação seja estabelecida de outra forma nos locais.
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Os últimos dados sobre os orelhões em Cuiabá são de fevereiro de 2025, quando havia 11 unidades em funcionamento.
Décadas de história
O primeiro telefone público brasileiro foi inaugurado no dia 20 de janeiro de 1972, em uma rua do Rio de Janeiro. Antes disso, eles ficavam dentro de casas ou estabelecimentos. Com sua popularização, a aparência mudou e diferentes temas foram adotados em regiões do Brasil. Em Mato Grosso, por exemplo, existiam aqueles que celebravam a fauna e eram estilizados em formato de araras, tucanos, onças ou tuiuiús. Fotografias desses modelos estampavam coleção de cartões telefônicos, os sucessores das famosas fichas..
Os cartões além do uso para ligações
Os cartões telefônicos surgiram nos primeiros anos da década de 1990, como uma substituição às fichas de chamadas locais e interurbanas. Eles eram comprados com um número pré-determinado de créditos, que definiam o tempo de ligação disponível. Quem não tinha fichas ou cartões, realizava as chamadas utilizando o 9090 para “ligações a cobrar”, onde quem recebe a ligação paga por ela. Durante esse tipo de chamada, era comum ouvir um toque musical assim que o outro atendia.
Os cartões telefônicos, entretanto, passaram a ser estilizados, com imagens e coleções lançadas pelas empresas de telefonia e isso despertou o interesse por colecionar e acumular o maior número de cartões possível, com acervos imensos e variados. Os cartões colecionáveis eram trocados e até vendidos por um preço maior.
Um dos colecionadores apaixonados por cartões é Francisco Janderson, que preserva suas 20,5 mil unidades ainda hoje. Ele conta que começou as coleções quando ainda era criança e morava em São Paulo, em 2000, após receber os primeiros de uma tia.
Janderson se mudou para Mato Grosso em 2005. Nos 26 anos como colecionador ele ampliou o acervo por meio da compra, troca e também ganhando os exemplares de amigos que sabiam do hobbie.
Um de seus cartões favoritos se assemelha a uma carta de baralho, de uma tiragem rara e foi encontrado na rua, perdido.
Em Cuiabá, um espaço onde trocas eram realizadas é a Praça da República, antigamente conhecida como “Praça dos Correios”, em frente a matriz Basílica Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Ao lado, a Praça Alencastro era importe ponto de comunicação para os cuiabanos, onde estavam instalados dezenas de orelhões.
Entre os milhares de cartões colecionados por Janderson, existem tiragens de coleções completas, comemorativas e lançadas antes mesmo de seu nascimento. Entre as mais especiais, estão a coleção do Beja-Flor, da Telebras de 1996, e a coleção com imagens de dinossauros, que tiveram poucas impressões e ele considera como um dos maiores tesouros do acervo.
“A gente trocava muito cartão. Na época do cartão telefônico tinha encontro de colecionadores e eu cheguei a participar de um lá em Brasília. Com o tempo foi parando e são poucas pessoas que colecionam hoje. Tem inclusive alguns grupos nacionais que mantêm viva a paixão pelo cartão telefônico até hoje e organizam encontros", conta o colecionador.
Hoje, com a diminuição dos orelhões espalhados pela cidade e avanço dos aplicativos de mensagens, os orelhões caíram em desuso e as coleções de cartões desapareceram.
“Eu tenho uma coleção que eu quero completar, ainda não completei. Da semana do aviador de 2001 da Telemat de Minas Gerais. São 16 cartões e monta uma foto de um avião e só falta um cartão. Tem também uma coleção que é das Olimpíadas de 2000, são 50 cartões de todas as modalidades. Eu tenho 42 cartões, faltam 8 para completar essa coleção, mas também é difícil de encontrar”, relata.
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