QUARITERÊ 10.04.2022 | 13h10

khayo@gazetadigital.com.br
Coletivo Quariterê
Idealizado para ser o mais relevante prêmio do Brasil para as artes visuais, o Prêmio Pipa mira, em franca expansão, zonas de produção cultural fora do eixo Rio-São Paulo. Para a edição deste ano, a disputa retornou os olhares para Mato Grosso e tem entre a lista de indicados o Coletivo Audiovisual Negro Quariterê.
Com 5 mostras de cinema negro realizadas e produções audiovisuais próprias, o coletivo cuiabano tem chamado atenção nacional. Enquanto atrai olhares do cânone cultural fora de casa, o grupo se equilibra para superar barreiras no seu "quintal" tendo metas declaradas: vencer a falta de representatividade no mercado e produzir de forma autônoma.
Neste sentido, enquanto a indicação ao prêmio é recebida como recompensa também assegura ao coletivo a certeza de que é possível fazer arte negra inspiradora em Cuiabá. Sobre os muitos esforços e as suadas conquistas, a realizadora do audiovisual Juliana Segóvia - uma das fundadoras do grupo - afirmou que estar no raio de alcance nacional dá fôlego à iniciativa.
"Nós vemos como um reconhecimento, porque acho que aqui na nossa região a gente tem muita dificuldade de olhar para nossas próprias produções e reconhecê-las. Produções que podem ser valorizadas a nível nacional de qualidade ou dessa força política que a gente traz", disparou.
"Isso dá a certeza de que a gente está caminhando para se fortalecer em grupo. Para que outras pessoas negras jovens, tanto mulheres quanto homens, possam ver na gente inspiração. Isso ao ponto de ou se juntarem a gente ou acreditarem também nas suas próprias produções", emendou.
Com a promessa de olhar os "outros Brasis" possíveis, o prêmio já havia furado a bolha sudestina e chegado a Mato Grosso, ganhando destaque em 2021 com a indicação da artista do estado Ruth Albernaz. Neste ano, o coletivo que leva o nome do quilombo de Tereza de Benguela é a aposta mato-grossense para ganhar os R$ 20 mil da premiação.
Com o nome na lista, o grupo que hoje é composto por cerca de 13 pessoas que operam de forma mais atuante planeja o formato de campanha para arrecadar votos. A melhor estratégia para ser um dos 4 finalistas e levar o montante ainda não está decidida. Porém, Segóvia garante que a decisão vai ser tomada no mesmo passo que todos os posicionamentos adotados desde a fundação do coletivo, em 2016, na base do "vamos sentar e conversar".
Apesar de o meio de chegada até o prêmio ainda estar em discussão, o destino final do dinheiro - caso o coletivo seja um dos finalistas - parece ser certo: constituir caixa para montar uma produtora própria. Mesmo com as primeiras recompensas da visibilidade, o grupo ainda enfrenta um mercado nichado, no qual as figuras principais detêm os meios e cobram caro para quem produz de forma contra hegemônica.
"A gente vislumbra a criação da nossa produtora, porque aqui em Cuiabá só tem produtoras de pessoas brancas em sua maioria homens. Então, a gente quer montar a nossa, mas é muito caro adquirir equipamentos", aponta Segóvia. Com o dinheiro da premiação, segundo ela, o sonho da autonomia ficará mais próximo da realidade.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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