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Cuiabá, Segunda-feira 09/02/2026

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CINEMA 09.02.2026 | 11h28

Cine Teatro Cuiabá será palco da 8ª Mostra Quariterê de Cinema dias 13 e 15 de março

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Reprodução

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Entre 13 e 15 de março, a 8ª Mostra Quariterê de Cinema vai circular pelo Centro Histórico de Cuiabá, levando ao público exibições de filmes no Cine Teatro, além de oficinas, apresentações musicais e atividades formativas que ocupam diferentes espaços como o Museu de Imagem e Som de Cuiabá (MISC) e Praça da Mandioca.


Com o tema “A Memória como Tecnologia de Resistência”, o evento propõe refletir sobre o papel da memória como instrumento de sobrevivência e criação entre povos negros, indígenas e comunidades tradicionais.

 

A 8ª Mostra Quariterê de Cinema tem caráter competitivo e contará com três dias de programação, incluindo exibições de filmes, master class, oficina e apresentações musicais com a Banda Calorosa, Sasminina e DJ Muluc. Serão premiados os filmes selecionados por um júri formado por integrantes do Instituto Quariterê e também premiação advinda do Júri Popular através de votação.

 

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A formação é um dos eixos centrais da Mostra Quariterê de Cinema. Por meio do Aquilombamento Audiovisual Quariterê, o evento realizará oficinas no Museu de Imagem e Som de Cuiabá (Misc), atrações musicais na praça da mandioca, integrando a ocupação do Centro Histórico na semana anterior à programação oficial.


A proposta é oferecer atividades voltadas tanto a estudantes de cinema quanto a entusiastas da área, ampliando os processos de aprendizagem para além do ambiente universitário. Edição e Assistência de Direção, com os cineastas Karkara Tunga (Assistência de Direção) Takumã Kuikuro (Montagem/Edição), estão entre os temas confirmados para as oficinas. A programação da mostra contará também com uma “Sessão Escola”, voltada para alunos no ensino público cuiabano, reforçando a perspectiva formativa da 8ª Mostra Quariterê de Cinema. Como convidada de honra o evento contará com Juliana Almeida, premiada cineasta brasileira, que ministrará uma masterclass destinada a entusiastas do cinema, estudantes de cinema, profissionais do cenário e público em geral.


De acordo com uma das membras fundadoras e atuantes do Aquilombamento Audiovisual Quariterê, Juliana Segóvia, o tema da mostra parte da compreensão de que a memória é, por si só, uma tecnologia ancestral de resistência. “Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais sustentam, há milênios, modos de viver e transmitir saberes que atravessam o tempo, nas histórias orais, nas ruínas e nas paredes antigas das cidades, nas práticas de trabalho e nas criações coletivas. É relevante compreender quem são as pessoas que ergueram as construções das cidades brasileiras (através das mãos, braços e saberes das populações racializadas) na vivência dos espaços urbanos enquanto experiência”.


A partir disso, a mostra propõe um olhar para essa herança: “compreender o ontem como forma de seguir lutando hoje”.
O cinema, nesse contexto, é instrumento de memória. “Assim como o premiado longa brasileiro Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar 2025, trouxe à tona o debate sobre a ditadura militar, o cinema mato-grossense também revisita e reescreve histórias, desde o início do século XX até a contemporaneidade”, explica.


Cine Teatro Cuiabá como território da memória

A escolha do Cine Teatro Cuiabá como palco da oitava edição reforça essa relação entre memória, arquitetura e identidade. O edifício, construído no século XX e revitalizado em 2016, está localizado no coração da capital, cercado por marcos do patrimônio histórico como o Palácio da Instrução, o Museu de Imagem e Som de Cuiabá (MISC) e a Praça da Mandioca. O local representa o centro vivo da sociabilidade cuiabana, sendo um espaço onde o passado e o presente coexistem.

 

“Quem são as pessoas que hoje atravessam o centro da cidade de Cuiabá? Em maioria são trabalhadores pretos e pardos que utilizam do espaço central como modo de trânsito para a continuidade de uma lógica sócio-econômica mato-grossense e que reflete a dinâmica de capitais brasileiras em sua totalidade. Por que não falarmos não só da descentralização de atividades artístico-culturais, mas também da ocupação do centro enquanto espaço de reflexão acerca da história de uma população? Saber que a Praça da Mandioca, por exemplo, foi pelourinho, é reconhecer que Cuiabá foi, assim como outras capitais, uma cidade que possui as marcas históricas de um sistema social escravagista, que até hoje se refletem nas desigualdades sociais, e que precisam ser revisitadas para que justifiquemos (ainda) a necessidade da ampliação de políticas públicas de dimensões afirmativas e também direcionadas a populações socialmente e economicamente vulnerabilizadas (maioria negra em número percentual)”, comenta Juliana Segóvia.

 

A identidade visual da mostra é assinada pela artista baiana Aju Paraguassu, diretora de arte e fundadora da Moringa Estúdio, que desde 2024 colabora com o projeto. A criação parte das cores e texturas do centro histórico de Cuiabá, como os tijolos de adobe, as fachadas coloniais, os becos estreitos e as ruas de pedra que guardam as marcas do trabalho de povos negros e indígenas que ajudaram a erguer a cidade. A identidade visual da Mostra também é inspirada em elementos que compõem o viver cotidiano da cidade, pertencentes a populações racializadas, e elementos que trazem à tona parte da história do centro histórico cuiabano, como a entrada do beco do candeeiro, a rede, a praça da mandioca e etc.

 

Sobre o Instituto Quariterê

Criado em 2017, o Instituto Quariterê é formado por pessoas pretas, pardas e indígenas atuantes no audiovisual de Mato Grosso. Nasceu da necessidade de discutir e propor ações em torno das questões raciais e suas intersecções, gênero, sexualidade, geração e classe, dentro do cinema. Desde então, vem se consolidando como um espaço de formação, articulação e enfrentamento das desigualdades no setor.

 

Com sete mostras já realizadas, o Instituto exibiu mais de 300 obras audiovisuais de todo o país e reuniu mais de 5 mil espectadores. A partir de 2022, com a formalização como associação, o grupo passou a incluir também realizadores indígenas, ampliando seu escopo de atuação. Em 2024, a 7ª edição foi realizada com incentivo da Secretaria de Estado de Cultura (Secel-MT), por meio do edital Viver Cultura.


A 8ª edição, até o momento, conta com emenda parlamentar destinada do gabinete do deputado estadual Lúdio Cabral e prevê a contratação de mais de 50 pessoas de modo direto e indireto. A expectativa é que mais de 600 pessoas compareçam nos dois dias de exibições e atividades.


O Instituto busca fomentar políticas públicas que garantam a presença de pessoas negras, indígenas e outras populações racializadas em todas as etapas da cadeia produtiva do audiovisual. Ao fortalecer o cinema como ferramenta política e estética, o Quariterê propõe uma resistência que é, antes de tudo, uma tecnologia de memória.

 

Serviço

8ª Mostra Quariterê de Cinema
Local: Cine Teatro Cuiabá
Data: 13 e 15 de março de 2026
Mais informações: site e Instagram

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