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Deu em A Gazeta 16.12.2021 | 07h59

Com geladeira vazia, esperança é garantir alimentação dos filhos

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Dantielle Venturini

redacao@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

Não tem nada na geladeira, está até desligada porque não há nada para colocar dentro, mostra Fabiana Gomes, 35, relatando a rotina diária vivida pela família. Mãe de 8 crianças, ela cuida de 6 delas. A mais velha, uma adolescente de 17 anos é especial e precisa dos cuidados diários da mãe. Sem poder trabalhar fora há anos por causa da condição de sua filha, Fabiana conta muito com a solidariedade das pessoas para garantir a sobrevivência dos filhos.

 

As necessidades vão das mais básicas como comida, roupa e sapato, até ao maior sonho da família, que é conseguir uma casa.

 

Fabiana mora com os filhos em uma das casas invadidas no Residencial Jonas Pinheiro 3, em Cuiabá, e conta que o sonho deste Natal é a garantia de uma moradia para ela e as crianças, além de fartura em sua mesa.

 

João Vieira

 Fabiana Gomes e família

 

 

A mãe lembra o quanto é difícil não poder atender aos pedidos dos filhos, em especial quando é comida. Tem dias que eles acordam já pedindo comida e não tem nada para dar.

 

Segundo ela, nessas horas sempre são socorridos pelos vizinhos, que também têm pouco, mas sempre dão um jeito de dividir.

 

A filha mais velha, Tamiris Regina, é surda, muda e tem problemas mentais. Segundo Fabiana, desde 2017 ela tenta tratamento e acompanhamento para a filha pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas ainda não conseguiu.

 

A jovem precisar tomar, todos os meses, uma medicação que custa R$ 350 e não é oferecida pelo SUS. Como o remédio é de receita especial, controlada, a mãe precisa se desdobrar para conseguir as receitas e, na maioria das vezes, ela precisa pagar por uma consulta para consegui-las. Algumas vezes vou na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e consigo, mas na maioria das vezes eu tenho que pagar pois ela não pode ficar sem, se descontrola, fica agressiva.

 

A renda da família vem apenas de um salário mínimo que é direito de Tamiris e de um auxílio do Governo Federal.

Mais um Natal se aproxima e a família de Fabiana não tem planos ou perspectivas para a data. Todo o dinheiro que recebe precisa ser dividido entre a medicação, a consulta e alimentação e ainda não é suficiente. Quase que diariamente a família enfrenta dificuldades para a alimentação, já que para 7 pessoas, mesmo o básico ainda sai muito caro.

 

Não tem como pensar em ter um almoço ou uma ceia, a dificuldade aqui é grande e eu não consigo nem mesmo trabalhar pois tenho que cuidar da Tamiris.

 

Ela conta que a menina até conseguiu frequentar a escola durante um tempo da vida, mas com o agravamento da sua situação mental, as unidades não estavam preparadas e a menina não conseguiu prosseguir com os estudos e acabou ficando 24 horas por dia sob seus cuidados. As escolas não queriam, não davam conta e aí tive que me dedicar a ela.

 

Brilho no olhar

Mesmo com tanta dificuldade na vida, o brilho no olhar das crianças, que não deixam de sonhar, se torna ainda mais forte quando escutam a palavra Natal. É visível a alegria nos olhos e o sorriso no rosto de cada uma delas. Quando questionadas sobre o presente que gostariam de receber, todas têm na ponta da língua a resposta.

 

João de 5 anos conta que tem o sonho de ser policial e o seu pedido para este Natal é uma arminha de brinquedo.

 

Pablo e Pedro são gêmeos de 6 anos. Os dois e o João são filhos de pai haitiano. Segundo Fabiana, o pai, que mora no Haiti, não consegue ajudar com muito, isso quando consegue, já que a situação lá é pior que a daqui. Os gêmeos, até mesmo no pedido feito ao Papai Noel, se complementam. Os dois desejam bicicletas. Pablo uma azul e Pedro uma vermelha. Maria Eduarda já tem 12 anos e é vaidosa. Para ela, o presente ideal seria maquiagem.

 

Kauã Júnior, de 15 anos, não estava em casa no momento que a reportagem encontrou a família, mas, segundo Fabiana, o adolescente já vem há anos pedindo por uma bicicleta.

 

Para Tamiris o pedido se resume a roupas e sapatos, o que segundo a mãe é uma necessidade de todos.

 

No mais a família sonha em poder ter uma refeição farta neste Natal e que para o próximo todas as dificuldades tenham sido superadas. Toda mãe quer o melhor para os filhos, queria poder dar uma refeição especial, presentes, roupas, sapatos, mas não é possível.

 

Porém, independente disso, a família é agradecida a Deus pela vida e por todas as providências vividas nos últimos anos. Graças a Deus, Ele sempre nos ampara.

 

Serviço

Quem quiser ajudar a família de Fabiana com doações de alimentos, roupas, sapatos e até mesmo os presentes sonhados pelas crianças, podem entrar em contato pelo telefone (65) 98477-0572.

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