DEU EM A GAZETA 23.07.2026 | 06h59

pablo@gazetadigital.com.br
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A 12 dias da convenção estadual do MDB, o projeto da deputada estadual Janaina Riva de conquistar uma vaga no Senado Federal encontra-se encurralado politicamente e sem sustentação de palanque. Diante do isolamento e das portas fechadas pelo PL, a parlamentar já admite que a saída mais viável não será a candidatura solo, mas sim um recuo estratégico. Neste caso, para compor como vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos).
A articulação, que até pouco tempo parecia improvável, ganhou tração nos bastidores e passa diretamente pelas mãos do empresário Eraí Maggi (PP) e pelas cúpulas nacionais de ambas as legendas em Brasília. O veto decisivo ao plano original da emedebista veio do PL. Janaina construiu os últimos dois anos de mandato buscando aproximar o MDB do bolsonarismo para viabilizar uma dobradinha com seu sogro, o senador Wellington Fagundes (PL).
A estratégia ruiu quando a sigla liberal fechou as portas para a aliança e homologou Fagundes como seu candidato próprio ao governo do Estado, e o deputado federal José Medeiros (PL) como candidato ao Senado, e vetando uma aliança com Janaina, deixando a deputada sem espaço e sem o apoio do grupo familiar na disputa majoritária. Paralelamente, a hipótese de sustentar uma candidatura avulsa ao Senado, sem segundo voto na chapa e sem palanque para o governo, revelouse um tiro no escuro.
A avaliação de membros do MDB é que o isolamento comprometeria o desempenho da legenda na eleição proporcional de deputados estaduais federais, que é prioridade absoluta do comando nacional da sigla. Outro possibilidade remota é a torcida por uma vitória do senador Jayme Campos na convenção do União Brasil, para que ele dispute o governo e ela seja candidata ao Senado.
Porém, nos bastidores, o grupo do ex-governador Mauro Mendes (União) vem intensificando as articulações para vencer a convenção e oficializar o apoio à reeleição de Pivetta . Além disso, a movimentação solitária de Janaina para viabilizar o seu projeto provocou forte indigestão interna dos pré-candidatos e dirigentes emedebistas que passaram a criticar Janaina, acusando-a de centralizar as negociações do partido para priorizar projetos pessoais em detrimento da bancada.
A virada de chave rumo a uma composição com Pivetta carrega um componente de forte ironia política. Nos últimos dois anos, o Palácio Paiaguás tratou Janaina como ferrenha opositora, descarregando munição pesada para desgastá-la eleitoralmente, incluindo na interferência da Mesa Diretora, quando o governo conseguiu impedi-la de se eleger secretária-geral da Assembleia Legislativa (ALMT).
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