IDENTIDADE EM ACORDE 26.04.2026 | 13h10

redacao@gazetadigital
Reprodução
Longe dos grandes centros de circulação artística do país, a cena de compositores da Baixada Cuiabana segue construindo uma música marcada por identidade, resistência e pertencimento. Entre o rap, o reggae, o indie, o folk, as brasilidades, o rock e a canção popular, artistas de diferentes gerações mostram que produzir em Mato Grosso é também disputar espaço, romper silêncios e criar caminhos fora do eixo Rio-São Paulo.
A produção autoral feita em Cuiabá e em seu entorno carrega desafios conhecidos: pouca estrutura, dificuldade de circulação, escassez de políticas públicas, menor visibilidade nacional e um mercado local ainda dominado por gêneros mais comerciais. Mesmo assim, compositores seguem criando repertórios próprios, gravando, ocupando palcos, formando público e mostrando que a distância geográfica não diminui a força criativa do território.
Mais do que buscar espaço em vitrines já consolidadas, esses artistas defendem uma música que nasce da própria vivência. A Baixada Cuiabana aparece, nesse movimento, não apenas como cenário, mas como fonte de linguagem, sotaque, memória e invenção. É uma cena que resiste porque insiste: em cantar o que vive, em compor o que sente e em fazer da arte uma forma de permanecer.
Karola Nunes
Natural de Rondonópolis, Karola Nunes é cantora, compositora e integrante da banda Calorosa, grupo que tem alcançado projeção no Brasil inteiro. Graduada em Música, integrou diversos projetos musicais ao longo da carreira, transitando do samba ao reggae, do baião ao maracatu. Um recorte de seu fazer musical também é retratado no documentário Contrato Musical (2015), de Perseu Azul.
A artista construiu sua relação com a música ainda na infância, quando começou a tocar violão e percebeu, nos primeiros acordes, a possibilidade de criar as próprias canções. Em 2009, mudou-se para Cuiabá, mas antes disso já acumulava experiências na cena independente, com banda autoral, apresentações em bares e gravações próprias.
“Sou de Rondonópolis, vim para Cuiabá em 2009 e sempre compus. Quando comecei a tocar violão, já foi uma parada que aconteceu concomitantemente. Tocando os primeiros acordes, eu achei muito legal a possibilidade de inventar, de poder criar músicas simples que eu conseguisse tocar. Então, com uns 12 anos, comecei a compor, obviamente canções condizentes com a idade também. Mas compus bastante”, relembra.
Em Rondonópolis, ela integrou a banda Maracadagem, que chegou a lançar um CD demo e se apresentar em Cuiabá, em espaços como o Calango. “A composição sempre foi presente na minha vida”, afirma.
Ao falar sobre os desafios da cena musical em Mato Grosso, a artista avalia que produzir fora dos gêneros mais consumidos, especialmente o sertanejo, já foi ainda mais difícil.
“Teve uma época em que era mais difícil fazer música que não fosse o que é massivamente consumido, tipo sertanejo. Então, acho que a gente brigava mais com a questão do domínio do sertanejo. Antigamente, quem trabalhava fora desse nicho, desse gênero, tinha mais dificuldade”, diz.
Com cerca de 20 anos de trajetória, Karola defende que “se lançar” na música passa por entender o próprio desejo artístico, mais do que apenas buscar fama ou mercado.
“Eu acho que tem a ver com você identificar o que você realmente quer com a música. Você quer ter sustento? Você quer ter fama? Você quer viver bem? [...] Eu acho que é esse rolê: identificar o que te faz bem, te faz feliz e focar nisso”, pontua.
A artista também destaca que a profissão exige investimento de tempo, estudo, conhecimento e recursos. Em sua trajetória, conta que houve fases em que tocou muito em bares para se manter em Cuiabá, até decidir retomar a composição com mais foco.
“Quanto mais você se dedica, mais você colhe. Chegou um momento em que eu queria gravar um CD, queria jogar no mundo as minhas músicas, minhas composições. Aí parei um pouco de fazer barzinho, fui estudar, fui compor bastante, pesquisar os produtores que poderiam somar comigo, os músicos. Foi um tempo mais focado para isso”, relata.
Para ela, o segredo está em reconhecer o que move cada artista e sustentar a dedicação.
“O segredo é a dedicação mesmo, identificar o que te move, o que te faz bem, o que te satisfaz dentro desse mercado que é gigantesco da música, e se dedicar para acontecer”, conclui.
Dica de música: Já Fui Floresta, de Paulo Monarco.
Cris Chaves
Natural de Hortolândia, no interior de Mato Grosso, a cerca de 280 quilômetros de Cuiabá, Cris Chaves construiu sua trajetória musical entre festivais, bandas, rádio, parcerias e a busca constante por uma sonoridade autoral. Aos 35 anos, ele relembra que a relação com a música começou ainda na infância, quando participava de apresentações escolares e festivais ao lado da prima.
“Eu comecei em Hortolândia, aos 11 anos de idade, fazendo abertura de festival. Tinha uma dupla com a minha prima e a gente cantava nas aberturas. Depois dessa fase, fui cantar só, com 14 anos, e ganhei meu primeiro festival”, contou.
Aos 18 anos, Cris se mudou para Cuiabá. Antes de se dedicar exclusivamente à música, chegou a trabalhar com rádio, mas foi aos 19 que passou a viver de forma mais direta a carreira artística. Desde então, participou de diversos festivais em Mato Grosso, integrou bandas como Maria Isabel e grupos como Feijão Brasil e Samba Rock, além de construir parcerias com músicos da cena cuiabana.
Hoje, o artista também faz parte da curadoria da Academia Prêmio Multishow, da Globo, participando anualmente da etapa final da premiação. A vivência ampliou sua relação com a música nacional, mas sem afastá-lo daquilo que considera central em sua obra: a identidade de Mato Grosso.
Compositor desde os 14 anos, Cris afirma que o autoral se tornou uma das bases mais importantes de sua caminhada.
“Comecei a compor com 14 anos. Um amigo meu escrevia música da igreja e eu fiquei querendo escrever também. Queria saber como era para fazer, e fiz minha primeira música, que resultou em várias outras”, lembrou.
Apesar da força da composição, ele reconhece que o espaço para shows autorais ainda é limitado em Cuiabá. Mesmo assim, segue investindo em interpretações próprias, novas misturas e releituras de músicas antigas, incluindo canções criadas ainda no início da adolescência.
Ao falar sobre o estilo musical, Cris prefere não se prender a rótulos fechados. Para ele, a nova geração tem criado formas mais livres de encaixar ritmos, influências e sonoridades.
“A gente fala brasilidades hoje em dia porque é uma forma de se conectar sem criar um rótulo pré-existente que não enquadra. A gente está criando novas formas de encaixar o ritmo, com novas misturas. Não existe um nome específico”, explicou.
Essa busca por uma linguagem ampla, que dialogue com o Brasil e com referências latinas, também aparece como uma defesa da cultura produzida fora dos grandes centros. Para Cris, fazer música em Mato Grosso é também afirmar uma forma própria de existir.
“Hoje em dia é importante a gente trazer identidade para o nosso estado através da música, porque essa é uma forma de conseguir espaço nesse fluxo artístico comercial. É uma forma de expandir a nossa identidade, para que o Brasil e o mundo conheçam a nossa singularidade, a nossa cultura, a nossa subjetividade e a nossa forma única de existir e entender as nossas heranças culturais”, afirmou.
Para o artista, a missão é fazer com que a produção local não tente apenas se igualar a movimentos já consolidados, mas que parta de sua própria origem para alcançar novos territórios.
“A gente tem essa obrigação, essa missão de expandir a nossa identidade e beneficiar o nosso povo”, completou.
Dica de música: música autoral de Cris Chaves, Tropical do Mato.
P-Brother
Paulo César da Silva, conhecido artisticamente como P-Brother, construiu sua trajetória entre travessias, rimas e resistência. Nascido em Paraibuna, no interior de São Paulo, ele chegou a Cuiabá ainda criança, por volta dos oito ou nove anos, e cresceu entre idas e vindas entre Mato Grosso e São Paulo. Filho de uma família com raízes cearenses, encontrou na cultura nordestina, no cordel, no samba, no rap e nas vivências periféricas a base de sua formação artística.
O primeiro contato com a poesia veio ainda na infância, por influência do padrasto, que tinha forte ligação com a cultura nordestina e costumava ler literatura de cordel para ele. Mais do que leitura, aquele momento também era musicalidade.
“Ele ficava ensinando a ler cantando. E aí eu ia lendo e cantando, ia aprendendo a musicar aquilo”, recorda.
Nos anos 1990, já em Cuiabá, P-Brother começou a se apresentar como MC e, em 1995, montou um grupo de rap. Desde então, passou por festivais, shows e batalhas em diferentes estados, como Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiás e Rio Grande do Sul.
“Fui MC de batalha, já participei de várias batalhas tanto aqui em Cuiabá, quanto em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília, em Goiânia. Inclusive já batalhei com o Rincon Sapiência. Perdi para os dois, mas estava entre os finalistas. Acho que fiquei em quarto. Isso foi no Fórum Social Mundial, em 2005, em Porto Alegre”, relembra.
Entre os projetos de sua carreira estão o grupo Adeptos, a banda Linha Dura, a banda Salomanos e a carreira solo. A partir de 2005 e 2006, o artista passou a se aproximar mais do violão, do canto e do reggae, estilo que hoje aparece como uma das bases principais de seu trabalho, sem apagar a influência do rap e da música de mensagem.
“Hoje eu trabalho muito mais com reggae. Meus shows têm reggae. Sempre estou por aí levando a música das minorias, a música de mensagem para cima e para baixo, onde eu for”, afirma.
Mesmo sem atuar mais diretamente no formato das batalhas, P-Brother diz que mantém a improvisação e a interação com o público como parte de suas apresentações.
“Inclusive eu faço show até hoje, sempre fiz e sempre faço, mas não com cunho de batalha mais. Faço com as coisas que estão acontecendo no momento, é uma parte do show, uma interação”, explica.
A defesa da música autoral é um dos pontos centrais da fala do artista. Para ele, compor é criar identidade, deixar uma assinatura própria e construir uma referência que não se confunde com a de outros intérpretes.
“Eu acho muito importante o lance do autoral. A única forma de você criar uma identidade musical, uma personalidade, uma referência, é você produzindo aquilo que alguém vai lembrar que é seu, que tem sua textura, tem sua linguagem, tem sua identidade”, diz.
Atualmente, P-Brother mantém trabalhos solo, em banda e também materiais disponíveis nas plataformas digitais. Ele cita a Salomanos, com repertório totalmente autoral, discos e clipes no YouTube, além de músicas em plataformas de streaming. Entre as canções mais lembradas pelo público, destaca “Lugar Distante”, da Salomanos, e “Tchapa e Cruz”, de sua carreira solo.
“Vou ser um pouco narcisista, já que a gente está falando também de mim. Vou indicar ‘Tchapa e Cruz’, que é a música mais tocada, que a galera mais curte. Tem no Spotify e no YouTube também, tem o clipe dela”, conta.
Com passagens por palcos de outros estados, o músico avalia que circular fora de Mato Grosso alimenta a trajetória artística, mas também expõe uma contradição: muitas vezes, o reconhecimento vem mais de fora do que da própria cidade.
“Acho bem interessante isso, porque é o que alimenta o artista: conseguir sair do seu lugar e mostrar as suas coisas para fora. Às vezes, por ironia, é muito mais valorizado nos ambientes de fora do que na própria cidade”, afirma.
Para P-Brother, Mato Grosso tem artistas com identidade, qualidade técnica, clipes, repertórios e produções consistentes, mas ainda enfrenta a barreira da distância em relação aos grandes centros culturais.
“O nosso CEP é o nosso maior inimigo. É o que nos prejudica, porque a gente está muito longe dos centros, muito longe da visão das pessoas”, avalia.
O artista cita nomes como Paulo Monarco, Karola Nunes e Pátia Ana como exemplos de produções locais que merecem mais atenção. Para ele, o problema não está apenas na divulgação, já que a internet ampliou o alcance das obras, mas também na falta de políticas públicas e de uma cultura de consumo da arte feita no próprio território.
P-Brother compara Mato Grosso a estados onde a produção regional é absorvida pelo público local, como o carimbó no Pará, o axé na Bahia e ritmos nordestinos como forró, xote e baião.
“Eles consomem o que o próprio estado produz. Não precisam exportar a cultura, eles consomem o que eles mesmos produzem. Aqui a gente tem dificuldade”, observa.
O músico também cita o cinema regional como exemplo de uma produção que ainda enfrenta resistência para mobilizar o público, mesmo quando envolve artistas e histórias locais. Para ele, falta interesse coletivo em buscar e reconhecer o que nasce perto.
“Tem a atriz principal Bella Campos daqui, vários amigos meus estão no filme, e eu não vejo alvoroço. Eu vejo um nicho bem pequeno de pessoas falando sobre isso. Acho que tem que partir o interesse das pessoas mesmo, cultural, de procurar essas coisas”, afirma.
Entre o rap, o reggae, o cordel, o samba e a vivência periférica, P-Brother segue defendendo uma arte com raiz, mensagem e identidade. Uma produção que nasce de Cuiabá, dialoga com o Brasil e insiste em romper o silêncio imposto pela distância dos grandes centros.
Dica de música: Tchapa e Cruz, de P-Brother.
Nicolas Shiroma
Aos 27 anos, o cuiabano Nicolas Shiroma carrega mais de uma década de vivência na música autoral, e em vez das letras seu trabalho vem dos sons e das partituras. Ele começou a tocar em banda ainda aos 12 anos, movido pelo desejo de criar músicas próprias, mesmo quando os covers eram necessários para abrir portas e conquistar visibilidade.
Ainda adolescente, Nicolas alcançou o fim de um período importante para a cena independente de Cuiabá, marcado por espaços e eventos como a Casa Fora do Eixo e o Grito Rock. Ao longo dos anos, passou por diversas bandas, mas foi entre 2014 e 2022 que se dedicou com mais intensidade ao trabalho autoral, especialmente com os grupos La Barca e Ponto Seis.
Embora hoje não esteja tão frequente nesse circuito, ele destaca que a música autoral lhe proporcionou experiências que antes pareciam distantes, como tocar fora de Mato Grosso. Em 2017, com a antiga banda La Barca, Nicolas se apresentou em São Paulo.
“Com o autoral, jamais imaginei conseguir tocar em outros estados, como em São Paulo, em 2017, com a minha antiga banda La Barca. É uma tarefa muito difícil de executar no autoral quando se fala em tocar fora da própria cidade”, relata.
Para o músico, a cena autoral em Mato Grosso vive um momento de crescimento e retomada. Ele lembra que, em um período anterior, entre 2009 e 2012, o estado perdeu eventos públicos com incentivo governamental voltados para bandas locais, o que impactou diretamente a circulação de artistas independentes.
Apesar disso, Nicolas enxerga uma nova geração disposta a reconstruir caminhos.
“A galera que está vindo agora está com sangue nos olhos para conseguir fazer funcionar. E está fazendo”, afirma.
Ele também defende que o público cuiabano amplie o olhar para além dos mesmos nomes e estilos já consolidados. Para Nicolas, a cidade precisa sair da zona de conforto e se permitir ouvir os artistas que nascem dentro do próprio território.
“Cuiabá precisa tirar um pouco o olho do mesmo e sair da zona de conforto. Quem sabe ali o ouvinte não se encontra ou se reconhece no som de uma banda da própria cidade”, pontua.
Na avaliação do músico, esse reconhecimento já começou, mas ainda precisa alcançar mais força fora do estado.
“Falta muito pouco para mais pessoas de fora pensarem: ‘é, realmente existe essa cena em um estado do agro e do sertanejo’”, destaca.
Nicolas cita nomes que, para ele, ajudam a mostrar a diversidade e a potência da produção musical local, como Som de Fita, Calorosa, Henrique Maluf, Paula Shaira, Heitor Mattos, P-Brother e até bandas de sonoridade mais pesada, como a Brutal Annihilation, voltada ao death/gore.
“Somos uma cidade repleta de artistas muito talentosos e de bandas maravilhosas”, resume.
Dica de música: Ladino, da banda Calorosa.
Paula Shaira
Cantora, compositora, violonista e produtora cultural, Paula Shaira construiu sua trajetória entre a delicadeza das composições autorais e a dureza de tentar viver de arte fora dos grandes centros. Aos 27 anos, a artista cuiabana é uma das vozes da cena LGBTQIA+ local, levando para suas músicas temas como afeto, solidão, pertencimento, medo, culpa e liberdade.
Entre o pop rock, o indie e o folk, Paula canta a própria vida. Suas composições nascem de vulnerabilidades íntimas, mas encontram eco coletivo em quem também sente o peso de existir, trabalhar, pagar contas e, ainda assim, tentar manter vivo o sonho artístico.
“Às vezes eu me sinto pouco artista, me sinto menos cantora, menos compositora das minhas músicas. É muito diferente de fazer barzinho e ser intérprete. As dores são essas: não ter disponibilidade de tempo, financeira e emocional para estar sempre sendo artista”, afirma.
A artista conta que, na maior parte do tempo, precisa se dividir entre a música e outras formas de trabalho para sustentar a própria vida. Para ela, esse é um dos maiores desafios de quem produz arte autoral em Cuiabá e em Mato Grosso, onde a cena ainda enfrenta falta de valorização e estrutura.
“Não consigo ser cem por cento artista, porque noventa por cento do tempo, ou até mais dependendo da fase da minha vida, eu acabo me dedicando a outras coisas para conseguir pagar minhas contas. Mas mesmo assim eu sei que a arte não se extingue”, diz.
A relação com a música começou ainda na infância. Irmã de músico e filha de jornalista e escritora, Paula demonstrou interesse pela arte desde cedo. Aos 12 anos, começou a aprender violão e, pouco depois, passou a compor suas primeiras canções. Em 2013, ao lado do amigo Hyago Felipe, fez sua primeira apresentação autoral no evento “Quinta Alternativa”, realizado na Praça Alencastro, no Centro de Cuiabá.
Em 2014, aos 16 anos, decidiu focar na carreira musical. Nesse período, conheceu o “Toma Espaço Musical”, comandado pelo músico Caio Schlösser, conhecido na época como Billy Brown, onde investiu em aulas de canto, violão e produção musical.
Desde então, Paula lançou onze músicas autorais, nove produções audiovisuais e interpretações em parceria com outros artistas. Entre seus trabalhos estão “Bilhete”, “Sozinha”, “Iô-Iô”, “Toda Errada”, “Uma Canção de Ninar para Meu Eu Distante”, “Nasceu Assim”, “Sem Ar”, “Tô Bem Assim” e “Menina”.
Em 2021, lançou o single e videoclipe “Bilhete”, em parceria com a produtora mato-grossense Sumac Records. A canção, que retrata o amor entre duas mulheres, foi viabilizada pelo edital MT Nascentes, realizado pelo Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Para Paula, a música também foi uma forma de permanecer de pé diante das dificuldades.
“A música veio como bote salva-vidas. Ela veio como um sentimento utópico. Eu pensava no futuro que a música poderia me proporcionar. Nem todo mundo sabia fazer o que eu estava fazendo, e isso me fazia sentir especial. A arte veio para me manter de pé”, relata.
Mesmo diante dos obstáculos, a cantora afirma que os momentos em que consegue se dedicar à própria criação justificam a caminhada.
“Às vezes, os dez por cento em que eu consigo ser artista naquele mês, naquele período ou naquele ano são suficientes para eu sentir que valeu a pena. A música faz eu me sentir viva”, diz.
A presença de Paula nos palcos também ganhou novos marcos nos últimos anos. Em abril de 2024, ela abriu o show da cantora Luísa Sonza em Cuiabá, no Espaço Musiva. Em outubro de 2025, está prevista para abrir o show da cantora Carol Biazin, na Luzzem.
Além da carreira como cantora e compositora, Paula também atua como produtora cultural. Ela idealizou o “Brasa”, evento de música autoral intimista realizado no espaço Fundo de Quintal, criado para valorizar artistas independentes em apresentações de voz e violão. Também está à frente do “Sapa Churras”, pool party voltada para mulheres que amam mulheres, e da “Sapataria”, versão noturna do projeto, com foco na música, na diversão e na criação de espaços seguros para mulheres LGBTQIA+.
Com uma trajetória marcada por criação, resistência e afeto, Paula Shaira representa uma geração de artistas que insiste em produzir mesmo quando a vida exige pausas, desvios e recomeços. Sua música nasce das dores, mas também das delícias de seguir sonhando.
“Tudo que eu tenho, eu tenho que batalhar. A música acaba ficando em outro plano porque a base da minha vida é pagar casa, comida e tudo mais. Mas, apesar disso, e de ser uma artista cuiabana e mato-grossense em um cenário que ainda não valoriza tanto o que eu faço, eu ainda tenho o meu coração”, afirma.
Dica de música: Bilhete, de Paula Shaira.
Respirando arte e sobrevivendo em uma cultura que abraça, a baixada cuiabana resiste e continua produzindo.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.