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Cuiabá, Sábado 10/10/2026

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PEÇAS QUE CONTAM HISTÓRIAS 10.10.2026 | 15h00

Comunicadora leva joalheria brasileira ao cenário mundial

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Há trabalhos que começam pelas mãos. O de Bianca Zaramella começa pelo olhar. É dele que surgem imagens, encontros e narrativas capazes de revelar aquilo que nem sempre aparece à primeira vista: a memória guardada em uma joia, a identidade de uma coleção e as histórias humanas que existem antes de uma criação ganhar forma.

 

Bianca nasceu em Brasília, se formou na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), vive em São Paulo e construiu uma trajetória entre comunicação, moda, fotografia e joalheria. Diretora criativa de moda, consultora de comunicação, curadora de joalheria e professora, ela é fundadora da agência Blossom Brasil.

 

“Minha expressão artística acontece por meio das imagens e das histórias que ajudo a construir”, afirma.

 

O caminho até transformar o olhar em profissão passou também por Mato Grosso. Bianca é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e foi durante a formação que começou a encontrar na linguagem visual um território para sua própria expressão.

 

Arquivo pessoal

Bianca Zaramella joias

 Comunicadora formada pela UFMT

“Meu percurso na direção criativa se desenvolveu por meio da comunicação, da moda e da imagem. Durante minha formação em Comunicação Social, fui encontrando na linguagem visual da fotografia e fashion films um campo de expressão”, relembra.

 

Em 2002, a experiência ganhou novos contornos quando Bianca cursou o Master em Fashion Editor no IED Milano, na Itália. A passagem pelo país ajudou a consolidar uma percepção que acompanharia toda a sua trajetória profissional: moda também é linguagem e uma imagem pode contar muito mais do que aquilo que simplesmente mostra.

 

“Essa experiência foi importante para desenvolver meu olhar e compreender a imagem de moda como uma linguagem.”

 

Do jornalismo à direção criativa

Antes de fundar sua própria agência, Bianca passou uma década dentro de redações e produções editoriais. Trabalhou como editora e coordenadora de moda e jornalista na Editora Três, em publicações como IstoÉ Gente e Platinum. Posteriormente, colaborou com veículos como Folha de S.Paulo, Vogue e Harper’s Bazaar.

 

A trajetória também inclui coberturas de semanas de moda no Brasil e no exterior, produção de editoriais e direção criativa de campanhas.

 

Foi nesse percurso que Bianca compreendeu que sua contribuição não estava apenas em produzir imagens, mas em estabelecer conexões entre referências, pessoas e ideias para, a partir delas, construir histórias.

 

“Trabalho conectando moda, joalheria, pessoas e referências para traduzir a identidade de um criador em uma narrativa visual para os clientes da minha agência Blossom Brasil”, detalha.

 

Hoje, à frente da Blossom Brasil, ela desenvolve projetos de comunicação e imagem especialmente voltados a marcas e designers de joias. Desde 2017, também compartilha a experiência acumulada ao longo da carreira como professora no IED São Paulo.

 

Uma ponte para a criação criativa.

Nos últimos anos, Bianca ampliou a atuação para a curadoria internacional de joalheria. Desde 2024, participa de iniciativas relacionadas à Milano Jewelry Week e, em 2026, passou também a colaborar com a Roma Jewelry Week.

 

Arquivo pessoal

Bianca Zaramella joias

 Peças de Bianca

Nesse trabalho, existe uma missão que ultrapassa a apresentação estética das peças: fazer com que a criação brasileira atravesse fronteiras e seja compreendida também pelas histórias, saberes e identidades que carrega.

 

“Acredito que minha contribuição está em ampliar o olhar sobre a criação brasileira, especialmente na joalheria, e aproximar artistas, públicos e culturas. Uma imagem pode despertar desejo, mas também pode revelar o trabalho humano, a pesquisa e a memória que existem por trás de uma peça”, pontua.

 

É justamente esse “por trás” que mais interessa à Bianca. Antes da joia pronta, existem mãos. Antes da fotografia, existe pesquisa. Antes da campanha, há uma ideia. E antes de uma peça chegar ao público, existe a história de alguém que a imaginou.

 

“O que me move é revelar o que existe por trás de uma criação: a pessoa, a pesquisa, o gesto, a memória”, destaca.

 

Criar quando tudo passa rápido

A mesma contemporaneidade que permite que uma imagem atravesse o mundo em segundos também apresenta um desafio para quem trabalha justamente com a construção de imagens.

 

Em meio a referências reproduzidas incessantemente nas redes e tendências que surgem e desaparecem em ritmo acelerado, Bianca procura preservar aquilo que considera essencial: a singularidade.

 

“Um dos principais desafios é preservar a singularidade de cada projeto em um ambiente de imagens rápidas e referências que se repetem digitalmente”, destaca.

 

Para ela, direção criativa exige algo que muitas vezes entra em choque com essa velocidade: pesquisa, tempo e sensibilidade. Há ainda a necessidade de equilibrar a liberdade da criação com os objetivos, recursos e prazos envolvidos em cada produção.

 

Apesar das transformações da indústria e das formas de consumir imagens, permanece a razão que a aproximou da criação desde o início.

 

“A arte é uma forma de perceber e dar sentido ao que me atravessa. Ela transforma referências, emoções e experiências em linguagem. Na minha vida, representa liberdade de criação, curiosidade e a possibilidade de continuar aprendendo”, relata.

 

Mais de duas décadas depois de aprofundar esse olhar na Itália, Bianca continua construindo pontes entre moda, comunicação, arte e joalheria. Agora, também trabalha para que criadores brasileiros atravessem essas mesmas fronteiras.

No centro de tudo permanece a imagem, não como superfície, mas como história. Porque uma joia pode despertar desejo pela beleza, mas também pode carregar território, memória e identidade. E o trabalho de Bianca está justamente em fazer com que essas histórias sejam vistas.

 

Indicação

Ao indicar nomes que ajudam a compreender seu universo criativo, Bianca percorre fotografia, direção de moda e criação contemporânea.

 

Grace Coddington — referência para Bianca “pela construção de histórias visuais nos editoriais de moda”. A diretora criativa e stylist britânica tornou-se reconhecida justamente pela capacidade de transformar editoriais em narrativas.

 

Helmut Newton — indicado “pela sensibilidade e pelo impacto de sua fotografia de moda”. O fotógrafo construiu uma linguagem visual marcante e se tornou um dos grandes nomes da fotografia de moda do século XX.

 

Miuccia Prada e Reinaldo Lourenço — Bianca cita Miuccia “pela inovação na moda contemporânea” e, entre os brasileiros, destaca Reinaldo Lourenço “por sua estética única”.

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