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online amplia vendas 14.06.2026 | 13h00

Brechós de Cuiabá ganham espaço e quebram preconceitos

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Nicolly Costa - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

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A busca por um consumo mais consciente tem impulsionado o crescimento dos brechós em Cuiabá. Antes associados apenas à economia financeira, esses estabelecimentos conquistam novos públicos ao oferecer peças diferenciadas, com maior qualidade que as atuais, incentivar a moda circular e contribuir para a redução dos impactos ambientais.

 

O aumento da procura por roupas de segunda mão reflete uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a enxergar os brechós como uma opção sustentável, sem abrir mão da qualidade. Proprietária do Brechó Marriê, Marienelli Clemente Andrade, 47, explica que a ideia de criar o negócio surgiu de sua paixão por garimpar peças diferenciadas.

 

“Eu sempre fui fã de garimpar peças únicas, mas queria preços justos e roupas de qualidade. Larguei dez anos de carreira como professora para aprender sobre esse mercado. No início, utilizava peças minhas e da minha mãe para testar a aceitação do público e ter certeza de que daria certo. O modelo de negócio era semelhante ao das lojas de shopping”, relembra.

 

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Marienelli iniciou o empreendimento em 2019 e, neste ano, o brechó completa sete anos de existência. As peças chegam ao estabelecimento por diferentes caminhos, desde fornecedores parceiros até viagens realizadas especialmente para buscar itens exclusivos. Antes de serem colocadas à venda, passam por uma seleção criteriosa. Segundo a proprietária, tudo é avaliado: o modelo, o tecido, o estado de conservação e a qualidade dos acabamentos. Quando necessário, as roupas passam por processos de lavagem e higienização.

 

“A curadoria constante é o maior desafio. Busco garantir que cada peça seja atual e ajude a quebrar os estereótipos sobre roupas de segunda mão", relata a empresária.

 

Para muitos empreendedores, o desejo de abrir um brechó foi cultivado ao longo dos anos. É o caso de Valdete Ramos, 51, proprietária do Brechó Val. Ela já possuía experiência com a venda de roupas, mas sonhava em ter o próprio negócio. Segundo a lojista, esse desejo se intensificou após a perda de seu cachorro de estimação, período em que decidiu focar sua energia no empreendedorismo.

 

“Sou formada em Direito, mas a carreira de advogada não era para mim. Sempre gostei mais do empreendedorismo e trabalho com vendas desde os 17 anos. Já trabalhei em shopping, mas queria uma loja só minha. Então, comecei um bazar com minha cunhada”, conta.

 

Moda circular e sustentabilidade
A preocupação ambiental tem sido um dos principais fatores a impulsionar o setor. Segundo as empresárias, os brechós desempenham um papel importante no combate ao desperdício gerado pela indústria da moda.

 

As proprietárias do Décadas Brechó, Margareth Roberta e Silva Pozzobon, 60, destacam que o segmento contribui para reduzir o descarte e diminuir a demanda por novas peças produzidas pelo fast fashion, um dos setores que mais consomem água, energia e matérias-primas no mundo.

 

“Hoje, a indústria têxtil é uma das que mais poluem. O trabalho dos brechós é dar maior durabilidade à vida útil das roupas e reduzir significativamente os resíduos têxteis”, argumenta.

 

Além disso, peças que já não têm utilidade para uma pessoa podem ganhar novos usos nas mãos de outros consumidores, fortalecendo o conceito de economia circular. Essa conscientização tem atraído cada vez mais clientes. Margareth observa que o acesso à informação sobre os impactos ambientais vem estimulando mudanças profundas nos hábitos de consumo.

 

“As informações chegam rapidamente às pessoas. O impacto causado pelo consumo desenfreado é amplamente divulgado e isso leva, aos poucos, à busca por alternativas mais sustentáveis. Os brechós exercem um papel importante, gerando menos impacto ambiental e, consequentemente, um consumo mais consciente”, destaca Margareth.

 

Redes sociais impulsionam as vendas
O ambiente digital também transformou a forma como os brechós se relacionam com o público. Plataformas como Instagram e WhatsApp se tornaram vitrines virtuais capazes de ampliar drasticamente o alcance das lojas.

 

“Hoje conseguimos mostrar os bastidores do brechó, fazer provadores gravados, apresentar as peças individualmente e despertar o interesse do cliente. Uma roupa que está na arara pode ser vista por centenas de pessoas em poucos minutos”, relata Margareth.

 

A presença online permite que os estabelecimentos alcancem consumidores além do público que frequenta a loja física, fortalecendo as vendas e ampliando a visibilidade da moda circular. Além disso, torna a relação de compra mais próxima, possibilitando que os lojistas compreendam melhor as demandas dos clientes e os estilos mais procurados.

 

“Uso as redes sociais para mostrar o garimpo, criar vitrines digitais e conectar o acervo diretamente com minhas clientes”, afirma Marienelli.

 

Desafios e quebra de preconceitos
Apesar do crescimento do setor, ainda existem barreiras a serem superadas. Um dos principais desafios é mostrar ao público que o valor das peças não é menor pelo fato de elas serem usadas.

 

“Eu tento oferecer o melhor para as minhas clientes. Sou eu quem cuida de tudo e escolho cada peça. Elas confiam na qualidade das roupas que vendo. Acredito que esse paradigma de que brechós são lugares ruins está sendo quebrado. As pessoas estão buscando um melhor custo-benefício e confiando mais na curadoria", relata Valdete.

 

O preconceito contra quem compra roupas de segunda mão também vem diminuindo. No entanto, ainda há quem associe a prática exclusivamente à necessidade financeira. Essa visão vem mudando à medida que a moda sustentável ganha espaço e os consumidores passam a valorizar fatores como exclusividade, economia e responsabilidade socioambiental.

 

Para as proprietárias, a quebra desses estigmas acontece por meio da informação e da experiência de compra, que provam ao cliente ser possível encontrar peças bem conservadas, estilosas e de alta qualidade. Atualmente, o público é misto, formado por consumidores de diferentes idades, estilos e classes sociais.

 

“Aqui no Décadas Brechó, recebemos clientes de diferentes idades, estilos e condições financeiras, que chegam motivados pela moda circular e pela preocupação com o meio ambiente. A cada ano, mais pessoas descobrem que comprar em brechó é uma forma inteligente de consumir sem abrir mão do estilo”, afirma Margareth.

 

Mais do que vender roupas, os brechós ajudam a prolongar a vida útil das peças e incentivam hábitos mais responsáveis. Ao oferecer uma nova oportunidade para itens que poderiam ser descartados, esses estabelecimentos pavimentam o caminho para uma moda mais limpa.

 

“A roupa não precisa ser nova para ter valor. Quando damos uma nova vida às peças, reduzimos o desperdício e fortalecemos uma moda mais consciente, alinhada aos princípios da economia circular”, conclui Margareth.

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