15.02.2018 | 11h25
Otmar de Oliveira![]() |
A cada mês, o Hospital de Câncer de Mato Grosso, o Hcan, dá, em média, 6 novos diagnósticos confirmando câncer em crianças e adolescentes de 0 a 18 anos. Este diagnóstico em si é uma das piores notícias que uma família possa receber. Gera pânico e angústia. Mas a informação positiva é a de que o Hcan trabalha com um indicador alto de cura, que é inclusive nacional, de 80% em casos de leucemias.
O Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil - 15 de fevereiro - chama atenção para este drama e valoriza a luta dos pequenos pacientes na superação da doença.
Ingra Karla, de 22 anos, sabe muito bem o que é essa luta.
"Descobri o câncer com 5 anos de idade. Tudo começou com uma dor no braço e na perna e minha mãe me levou ao hospital para saber o porquê da dor e foi diagnosticado câncer. Eu tinha o cabelo bem enrolado e quando caiu não cheguei a ficar careca só que eu falava para minha mãe: mãe, raspa minha cabeça, porque quero usar o lenço como todo mundo", conta Ingra.
Veja o depoimento dela
Instituto Nacional de Câncer (Inca) informa que, a cada ano, no Brasil, 11 mil crianças e adolescentes são diagnosticados com câncer.
Os pais devem ficar atentos a sintomas como palidez, manchas roxas sem relação com machucados, febre, dor abdominal e urina com sangue, entre outros. A exemplo de outras neoplasias, o diagnóstico precoce influi no resultado final do tratamento.
Marcus Vaillant![]() |
Psicóloga do Hcan há 18 anos, especialista em acompanhamento oncológico, Erluce Delmondes afirma que um diagnóstico positivo não é o caso de se desesperar a princípio. "Pais chegam para mim em pânico, mas 90% das vezes quem atinge esse público são leucemias tratáveis. Claro que há também as mais agressivas, como a mielóide aguda, de progressão rápida e outros tipos de câncer, como tumores cerebrais, que podem sim levar à morte, mas não são os mais frequentes".
Para que os pais não desequilibrem o emocional da criança o atendimento começa por eles, principalmente as mães, que costumam largar tudo para acompanhar os filhos.
Crianças lutam contra o câncer com apoio das mães
Câncer infantil causa mais sofrimento
No Hcan, tem o espaço família, justamente para que se sintam à vontade ali, como se estivessem em casa. São 5 hospitais do país que têm isso.
Segundo a psicóloga Erluce, é muito comum a família "se desintegrar" durante o tratamento da criança, que geralmente dura dois anos ou mais. Depois disso, tem também o acompanhamento, por mais 5 anos. No Hcan, há mais de 800 pacientes nesse processo.
Outro hospital que trata câncer infantil pela saúde pública em Mato Grosso é a Santa Casa da Capital. Algumas clínicas privadas também fazem isso, mas têm poucos pacientes.
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