'CRESCIMENTO INTELECTUAL' 02.11.2026 | 10h07

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Muito além das palavras impressas, um livro carrega memórias, desperta sentimentos, atravessa gerações e permite conhecer mundos sem sair do lugar. Celebrado nesta quinta-feira (29), o Dia Nacional do Livro convida à reflexão sobre o poder transformador da leitura e a importância de preservar e valorizar a literatura, especialmente aquela produzida em Mato Grosso.
A data faz referência à criação da Biblioteca Nacional, em 29 de outubro de 1810, no Rio de Janeiro, e foi oficializada pela Lei nº 5.191, de 1966. Mais de dois séculos depois, os livros continuam sendo instrumentos fundamentais para a transmissão do conhecimento, o desenvolvimento do pensamento crítico e a preservação da memória coletiva.
Para o escritor, poeta e jornalista Lorenzo de Jesus Miranda Falcão, integrante da Academia Mato-Grossense de Letras desde 2018, a literatura representa uma experiência de crescimento intelectual que ultrapassa o simples hábito de ler. Com uma trajetória dedicada à produção literária e ao jornalismo cultural, o autor destaca a importância do contato com os livros físicos, sem desconsiderar as possibilidades oferecidas pelos formatos digitais.
“A literatura em livro físico é mais profunda, ela explora melhor as possibilidades e as propriedades do nosso cérebro”, afirma Lorenzo, ao defender sua preferência pela leitura em papel.
O escritor também chama atenção para a riqueza da produção literária mato-grossense, construída por diferentes gerações de autores e marcada pela diversidade de experiências, estilos e narrativas.
“Eu garanto que é de uma grande qualidade. Nós temos muitos autores bons, mulheres, homens, independentemente de gêneros. E é muito importante que o leitor conheça quem faz essa literatura contemporânea, principalmente, mas é legal conhecer também outros grandes nomes que já passaram pelas letras mato-grossenses”, ressalta.
Entre os nomes lembrados por Lorenzo estão Ricardo Guilherme Dicke e José de Mesquita, representantes de diferentes momentos da literatura regional. Para ele, conhecer esses escritores e descobrir novos talentos é também uma maneira de compreender a história e a identidade cultural do estado.
Literatura que precisa chegar às escolas
Se os escritores encontram nas palavras uma forma de preservar histórias, o mercado editorial enfrenta o desafio de fazer com que essas obras cheguem aos leitores.
À frente da Entrelinhas Editora, fundada em 1993, a editora Maria Teresa do Pilar Carrión Carracedo dedica sua trajetória à publicação e à divulgação de obras que valorizam a cultura, a arte e a literatura de Mato Grosso. Com centenas de publicações em seu catálogo, a editora atua tanto na produção de livros impressos quanto digitais.
Para Maria Teresa, a literatura produzida no estado possui um valor que ultrapassa fronteiras, mas ainda precisa conquistar espaços fundamentais de circulação, principalmente nas instituições de ensino.
“Sempre acreditei que os autores, os artistas e mestres da arte, da cultura e vivências de Mato Grosso produzem conteúdo de valor que precisa ser compartilhado não apenas para os mato-grossenses, mas para os brasileiros e também para outros países e culturas”, destaca.
A editora, entretanto, faz um alerta sobre a dificuldade de acesso à produção regional, especialmente nas bibliotecas e escolas do interior.
“Mas esse ‘compartilhar’ precisa começar pelas bibliotecas e escolas de todos os municípios, que até hoje não têm acesso à produção artística, cultural e literária mato-grossense”, afirma.
Maria Teresa também cobra a efetivação de políticas públicas voltadas à democratização do livro. Segundo ela, o Plano Estadual do Livro contempla essa necessidade, mas, apesar de aprovado há mais de três anos, ainda não foi implementado.
O poder de formar leitores
A valorização da literatura começa pelo acesso. Seja nas bibliotecas, nas salas de aula, nas livrarias ou dentro de casa, o incentivo à leitura contribui para ampliar o vocabulário, estimular a imaginação, desenvolver a capacidade de interpretação e aproximar pessoas de diferentes realidades.
Em Mato Grosso, onde a literatura reúne influências indígenas, regionais, urbanas e de diferentes movimentos migratórios, abrir espaço para os autores locais significa também preservar histórias que ajudam a explicar a formação cultural do estado.
Neste Dia Nacional do Livro, as reflexões de Lorenzo Falcão e Maria Teresa Carrión Carracedo convergem para uma mesma necessidade: não basta produzir literatura, é preciso garantir que ela seja conhecida, valorizada e acessível. Afinal, cada livro guarda uma história, mas é nas mãos de um leitor que essa história ganha novos significados.
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